Ford recria o Ka a partir de R$ 35.390

Nova geração chega com preço competitivo, ar, som, direção e trio elétrico
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Ricardo Sant'Anna
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De Ka só sobrou o nome. Assim podemos resumir a terceira geração do compacto da Ford, lançado oficialmente nesta sexta-feira (25). Esqueça aquele carro pequeno e com visual revolucionário. Ele não existe mais. O Ka cresceu, perdeu um pouco da personalidade, mas amadureceu e promete dar trabalho para a concorrência. O hatch estreia o motor de 3 cilindros da Ford, tem controle de tração e estabilidade e não quer nada menos do que a liderença nas vendas do varejo num segmento disputadíssimo entre Hyundai HB20, Chevrolet Onix, Fiat Palio e Volkswagen Gol.

Em meio a tantas novidades, é difícil definir o seu principal diferencial, mas basta ver as cifras para ter a resposta. O preço é competitivo. O novo Ka parte de R$ 35.390 na versão de entrada SE que já vem equipada com ar condicionado, direção elétrica, som, travas e vidros elétricos, além de itens obrigatórios por lei como duplo airbag e freios ABS - e pode chegar a R$ 39.990 na top de linha SEL. WebMotors testou o modelo num trecho de 70 km no interior paulista e traz todos os detalhes de um dos lançamentos mais aguardados dos últimos anos.

MADE IN BRAZIL

Não é de hoje que a Ford precisava de um novo compacto de entrada. Nos últimos anos, o segmento recebeu uma enxurrada de novidades, como Hyundai HB20, Chevrolet Onix e Volkswagen up!. Enquanto isso, a montadora do oval azul seguiu oferecendo apenas o Fiesta Rocam, um projeto de 2003. Coube à divisão brasileira a missão de criar o novo compacto global da marca, parte de um investimento de R$ 1,9 bilhão no Brasil e do plano da Ford de ter produtos iguais no mundo inteiro até 2015.

Assim nasceu o novo Ka, desenvolvido no centro de design e engenharia da montadora em Camaçari (BA), onde também nasceu o novo EcoSport. O hatch é agora o modelo mais alto do segmento (1,52 m), e tem 3,88 m de comprimento, 1,91 m de largura e bons 2,49 m de entre-eixos. Quem explica o desenho é o diretor de design da Ford, Jõao Marcos Ramos: “A grade é o principal elemento na dianteira, enquanto a linha de cintura alta realça a força do carro, sem que ele seja incomodo para quem viaja a bordo”.

É impossível não lembrar do New Fiesta na dianteira, que traz a lembrança graças à grade e aos faróis, menos ousados no Ka. A traseira é o ponto de menos personalidade do Ford, sobretudo se vista de lado. Impossível não lembrar do Onix, que por sua vez lembra o Gol. Isso faz com o que o Ka sofra uma leve crise de identidade, mas que não abala o conjunto. É bem menos ousado que o HB20, mas agrada.

DIRIGIBILIDADE

Basta abrir o capô para dar de cara com uma das primeiras novidades tecnológicas do novo Ka: a estreia do primeiro motor 3 cilindros da Ford no país. Trata-se do 1.0L Fox TiVCT Flex, também fabricado na Bahia. O propulsor rende 80 cv quando abastecido com gasolina e bons 85 cv com etanol, ambos entre 6.300 e 6.500 rpm. O torque é de 10,2 kgfm a 3.500 rpm (gasolina) e 4.500 rpm (etanol).

O propulsor traz uma série de itens de requinte, como duplo comando variável, tanto na admissão como no escape, algo inédito nos motores de 3 cilindros à venda no Brasil, além de partida a frio eletrônica. A montadora também tratou de amenizar a incômoda vibração causada pelo motor de três cilindros com novas medidas, dentre elas o uso de uma correia primária embebida em óleo, que causa menos atrito e ruído.


O resultado agrada. Ao virar a chave e dar a partida, é praticamente impossível perceber que se trata de um motor tricilindrico. É a partir deste momento, aliás, que a experência de guiar o Ka começa a se tornar bastante agradável. A posição de dirigir, por exemplo, é do tipo eclética. Graças ao ajuste de altura do banco feito por uma alavanca (e não por uma roda), é possível posicionar o banco lá embaixo ou bem lá em cima, sem que o painel pareça muito baixo, como acontece no Onix ou HB20. É do Ka o título de melhor posição de dirigir do segmento, embora ela não seja tão esportiva e baixa quanto no Fiesta.

A direção elétrica é do tipo ajustável e bem confortável: mole e sensível em baixas velocidades e manobras e mais firme quando o Ka está na estrada. Basta acelerar para ver que a dirigibilidade tem tudo para se tornar a referência do segmento. Sempre à mão, o Ford tem respostas rápidas e consistentes, uma marca registrada da Ford. O câmbio manual de cinco velocidades também funciona bem, com engates justos e bem precisos.

A transmissão traz ainda uma novidade, conforme explica o diretor de engenharia da Ford, Klaus Mello: “Como é um motor potente, decidimos fazer um escalonamento mais comprido das marchas, para que não falte motor e câmbio em nenhuma circunstância”. O resultado é um carro sempre atento na cidade, mas um pouco lento na estrada, já que a quinta marcha longa privilegia o baixo consumo (a 120 km/h o motor gira 3.600 rpm). É preciso fazer boas reduzidas durante as ultrapassagens e retomadas.

Segundo a Ford, o novo Ka acelera de 0 a 100 km/h em 13,9 segundos, o melhor tempo da categoria, enquanto o consumo de combustível fica em 8,9 km/l na cidade e 13 km/l na estrada com etanol e 10,4 km/l (cidade) e 15,1 km/1 (estrada) com gasolina. A suspensão é outro ponto positivo do Ka, assim como a plataforma do New Fiesta, que torna o modelo bastante estável. O Ka é do tipo que se mantém firme a maior parte do tempo e somente nas curvas realmente fortes que é possível sentir um chacoalho da carroceria.

O modelo SEL avaliado contribui ainda mais para a boa estabilidade graças às rodas de liga leve de 15 polegadas (as mesmas do Fiesta SE), calçadas com pneus 195/55 - a versão SE de entrada vem com rodas de ferro e calotas aro 14 e pneus 175/65. Seguindo o pacote de novidades, o Ka oferece ainda outros diferenciais, como o assistente de partida em subida, que mantém o carro parado quando se tira o pé do freio em uma subida e algo inédito para o segmento: controles de tração e estabilidade.


POR DENTRO DO KA

O novo Ka não agrada penas quando está em movimento, mas proporciona também uma boa experiência a bordo, a começar pelo acabamento bastante refinado. O hatch usa plástico de boa qualidade, com direito a textura no painel a nas laterais de porta, que contam também com revestimento de tecido. O banco é mais simples na versão SE de entrada, mas não menos agradáveis, graças às boas abas laterais que “prendem” motorista e passageiro no acento. O espaço também agrada, sobretudo pelo teto alto, que comporta com conforto pessoas de até 1,85 m tanto na dianteira, quanto na traseira.

Não é exagero dizer, inclusive, que o banco de trás oferece a melhor experiência do segmento, um pouquinho acima do Onix (que também é muito bom neste quesito) e bem superior a modelos como HB20, Gol e up!. Há bom espaço paras o ombros, cabeça e, sobretudo, para as pernas. O pesar fica por conta dos vidros que não abrem por inteiro. Uma série de 21 porta-trecos permitem que se coloque coisas por todos os lados. Há bom espaço nas laterais de porta e nada menos do que quatro porta-copos próximo ao freio de mão.

O modelo ainda inova ao usar um espaço na laterai do painel do lado esquerdo como porta-treco, que só pode ser acessado com a porta aberta. O porta-malas, por sua vez, não é dos maiores e comporta 257 litros de bagagem, número abaixo dos 300 l do HB20 e dos 280 l do Onix. O sistema de entretenimento também merece elogios, sobretudo pela ideia inteligente da Ford ao criar o My Ford Dock, um suporte no topo do painel para fixação do celular, onde é possível carregá-lo ou usá-lo como navegador ou fornecedor de músicas.

Quem optar pela versão SE Plus (R$ 37.390) leva o Sync, sistema de entretenimento mais parrudo com Bluetooth, comando de voz e comandos no volante. Itens como uma central multimídia com tela maior que faça frente ao MyLink da Chevrolet ou bancos de couro só estarão disponíveis nas concessionárias como acessórios - são mais de 40.

VALE A PENA?

O novo Ka chega às lojas apenas em setembro e inicialmente não terá versões com motor 1.5, nem com câmbio automatizado Powershift, o que a Ford diz ser uma exclusividade do Fiesta. O sedã Ka+ desembarca um mês depois, em outubro. E se o Ka não chega com um desenho de tanta personalidade e que cause tanto alvoroço quanto o coreano HB20 causou em sua chegada, o Ford chega para ser referência no segmento pelo conjunto da obra.

Dotado de tecnologia tanto mecânica (novo motor 3 cilindros mais potente da categoria), como de estrutura (espaço interno) e de segurança (assistente de partida em subida e controles de tração e estabilidade), o Ka vem para revolucionar e traz de quebra uma excelente dirigibilidade. Com tantos atributos, é possível crer que a Ford irá sim alcançar seu objetivo de ser a líder em varejo, o que necessita uma venda acima das 10 mil unidades por mês (a montadora não revela sua meta). Dificil? Para um modelo que revolucionou mais uma vez, parece que não.

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