Novo Volvo XC90 é tecnologia em forma de SUV

Modelo parte de R$ 319 mil e aposta no completamente novo para ser a escolha certa
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Marcelo Monegato
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(Florianópolis/SC) Deixar de ser a última opção ou mais uma alternativa apenas, para assumir a posição de ser a escolha diferente. Com esta nova postura, e tentando deixar para trás seu passado discreto em solo brasileiro, a Volvo renasce para os consumidores que pensam apenas nas alemãs (Audi, BMW e Mercedes-Benz) ou inglesas (Land Rover e Jaguar). E o responsável por começar esta mudança é alguém já consagrado, mas que se reinventou por completo. Estou falando do novo XC90, que desembarca vindo da Suécia nas versões Momentum e Inscription por R$ 319.000 e R$ 363.000, respectivamente.

O SUV da marca escandinava feito para sete ocupantes, admito, nunca me apeteceu. Sempre o achei sem-sal – e isso desde 2002, quando nasceu. E este novo, eu tinha 99,9% de certeza que não me faria mudar de opinião. Reconheço: errei...

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Minhas ideias começaram a mudar em Florianópolis (SC), durante o lançamento oficial do modelo aqui no Brasil. Descobri logo de cara que o novo XC90 não é fotogênico. A olho nu, o utilitário esportivo é mais bonito e imponente que nas imagens que até então tinha visto. Consegue chamar a atenção sendo discreto. Mesclar de maneira sutil a tradição escandinava da marca a conceitos modernos. Gosto não se discute, mas chama-lo de feio é uma virtude dos mal-humorados.

A grade frontal foi redesenhada – remete à do modelo P1800 (fabricado entre 1961 e 1973) -, sem abrir mão, porém, da barra diagonal característica da marca desde seu primeiro modelo, em 1927. Os faróis agregam nova identidade da fabricante e possuem tecnologia 100% Full LED, que permite esculpir na lente o Machado de Thor – personagem da mitologia nórdica. A linha de cintura é elevada e reta, acompanhando a altura do capô. Sendo assim, a ampla área envidraçada – característica do utilitário nascido em 2002 – mantém-se em destaque.

A traseira traz a receita consagrada pelo XC60, com lanternas verticais, longas e junto às colunas. Apesar de admitir que se inspiraram no SUV menor, a Volvo afirma: “não vamos ter um XC60 miniatura do XC90. Cada carro é um carro”. A saída de escapamento é dupla, mudando apenas as ponteiras de acordo com a versão. As rodas de liga leve de 20 polegadas (pneus 275/45R20) da Inscriprion têm desenho discreto – assim como as de 19 polegadas (pneus 235/55R19) da Momentum.

NA MEDIDA CERTA

Deixamos Floripa rumo à serra catarinense para uma ‘perna’ de mais de 200 km. Com seis ajustes elétricos do banco (com memória), rapidamente encontramos excelente posição ao volante. A coluna de direção tem regulagens de altura e profundidade, mas ambos manuais – por R$ 363.000, ter este recurso elétrico também seria de bom tom. Apesar da temperatura baixa, não foi necessário utilizar o aquecimento dos bancos revestidos em couro, que também têm a função de ventilação.

Chama a atenção o design interno. O que para muitos pode parecer simples, na verdade é clean. De acordo com João Oliveira, diretor comercial da marca no Brasil, a Volvo conseguiu condensar em apenas oito botões o que um carro deste porte tem, em média, 50. Menos, para os escandinavos, é mais.

Para o motorista, o painel de instrumentos é totalmente digital (TFT), inclusive velocímetro e conta-giros. Entre os dois leitores, o motorista pode ter acesso a todas as informações do carro – inclusive navegação do GPS – apenas utilizando os botões do volante multifuncional. Ao volante, na versão topo de linha, é oferecido também o Head Up Display, sistema que projeta no para-brisa informações de velocidade e orientações do GPS, algo realmente útil – e seguro – pois possibilita o motorista não desviar a atenção da rodovia.

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PÉ NA ESTRADA

Chave presencial no bolso, tocamos no botão no console central e damos vida ao silencioso motor T6 – um 2.0 turbo de quatro cilindros (gasolina) de 320 cv de potência máxima. Trata-se de um dos novos filhos da família de propulsores Drive-E que, segundo Oliveira, é 90 kg mais leve e 35% mais econômico que o antigo ‘coração’ do XC90. Uma das principais características é, além de materiais mais leves e resistentes, trabalhar com uma capacidade de admissão maior, sem comprometer a potência.

Apesar de todos estas informações técnicas realmente positivas, de cara fiquei com um pé atrás no quesito performance, principalmente quando levei em conta que este SUV de 4,95 metros de comprimento tem 2.125 kg. No entanto, fui surpreendido (novamente). Com 40,8 kgf.m de torque entre 2.200 e 5.400 rpm, o Volvo tem saúde sob medida. Ideal para um SUV que não tem pretensões de entregar esportividade. Agrada ao volante.

As acelerações são satisfatórias. As retomadas, apesar de não serem extremamente vigorosas, de arremessar as costas contra o banco, possibilitam fazer ultrapassagens com total segurança – mesmo nas subidas íngremes dos trechos serranos. E isso se deve muito ao bom funcionamento da transmissão automática Geartronic de oito marchas, que faz de maneira primorosa a leitura do que o motorista está exigindo do motor. As trocas deste câmbio, aliás, são muito suaves. Quase imperceptíveis. Ela também permite trocas manuais apenas pela alavanca – o shift paddle (‘borboletas’ atrás do volante) não está disponível, o que é compreensível, pois, como eu disse antes, o ‘Volvão’ não sugere qualquer esportividade.

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De acordo com a montadora, o nível de consumo combinado (cidade + estrada) é de impressionantes 12,9 km/l. Ponto positivo para o sistema start/stop, que desliga e liga o motor automaticamente a cada parada em semáforos e cruzamentos, por exemplo.

A tração integral também torna o XC90 um carro mais sóbrio e previsível quando buscamos uma condução mais apimentada. A suspensão é muito bem ajustada. Na opção Inscription a suspensão é a ar, que se molda para determinadas funções – como carga e descarga de bagagens – e que se adapta às opções do modo de condução. Além da suspensão, o Drive Mode atua no setup do motor, direção, transmissão e interfere na economia de combustível e até na cor do painel de instrumentos. São quatro opções ao todo: Confort, Dynamic, ECO e Off-Road – e uma quinta individual, que possibilita o motorista fazer a regulagem de acordo com seu gosto. A operação do Drive Mode é feita por meio de um seletor no console central.

As diferenças entre as opções de condução não são extremas. São bem pontuais e levemente perceptíveis. Na Off-Road, por exemplo, quando usamos apenas na subida para a Serra do Corvo Branco, a tração integral fica dividida em 50% para cada eixo. Ela pode ser acionada com o carro em movimento (até 30 km/h) e funciona a até R$ 40 km/h – passando disso, o modo é desabilitado automaticamente.

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EXPERIÊNCIA VOLVO DE RODAR

Andar de Volvo é abrir a cabeça e dar oportunidade a novas tecnologias, todas delas com foco na segurança. A marca sueca tem um ambicioso plano de acabar com vítimas fatais com seus modelos. “A partir de 2020 ninguém mais morre dentro de um Volvo”, disse o CEO da marca no Brasil, Luiz Rezende. O XC90, primeiro a utilizar a nova plataforma SPA, que permite produzir carros em escala, utiliza em sua estrutura o dobro de aço de alta resistência em relação ao XC90 anterior – o que é muito. Mas vamos às tecnologias...

A mais inovadora delas é o assistente de condução. Trata-se do passo mais concreto rumo aos tão comentados e utópicos – seja por questões tecnológicas, morais ou legais. Por meio de sensores e um radar no topo do para-brisa que monitoram as faixas da pista e o carro que vai à frente, o sistema controla o volante até uma velocidade de 50 km/h – por coincidência a velocidade máxima de inúmeras avenidas de São Paulo, entre elas as pistas locais das marginais Tietê e Pinheiros. Para o assistente de condução funcionar, o motorista tem que ficar com as mãos próximas ao volante, mas sem a necessidade de tocá-lo.

Na serra catarinense, consegui testar a tecnologia, que teve funcionamento exemplar. É preciso ficar atento, no entanto, pois as vias brasileiras são malconservadas, perdendo as faixas em muitos trechos. Sem as faixas, o assistente não funciona.

Para velocidades acima de 50 km/h, o XC90 conta com o controle de cruzeiro adaptativo. Com ele, o motorista determina a velocidade que pretende trafegar e a distância para se manter do veículo que trafega à frente. O famoso ACC para o carro completamente, caso o carro da frente pare em um pedágio, por exemplo.

O famoso City Safety, que evita atropelamentos de pedestres, ciclistas e colisões com outros veículos a uma velocidade relativa de até 50 km/h, passa a fazer o monitoramento também de noite. Esta tecnologia é capaz de ler até 12 objetos simultaneamente.

Também estão disponíveis as tecnologias que detecta veículos no ponto cego; que analisa o comportamento do motorista – a partir da leitura de diversos parâmetros constantemente – e emite um alerta de necessidade de descanso; que alerta para mudança de faixa involuntária (treme o volante); leitor de placas; auxiliar de estacionamento para vagas transversais e perpendiculares; e câmera de 360 graus ´para visualizar os arredores do modelo durante uma manobra – admito que os novos proprietários precisarão de um pequeno curso intensivo com o concessionário na entrega do carro e, posteriormente, com o manual do proprietário.

Outras três novidades são:

Alerta Contra Impactos Traseiros: Por meio de um sensor, identifica a possibilidade real e iminente de uma colisão traseira. Nesta situação, o cinto de segurança é previamente tensionado, as luzes do pisca-alerta são ativadas para avisar o motorista que vem atrás e os freios são acionados. Os bancos são equipados com Sistema de Proteção contra Lesões na Coluna Cervical (WHIPS), que ajuda a reduzir lesões no pescoço.

Sistema de Proteção em Saída de Estrada: A partir da leitura de alguns parâmetros, o XC90 identifica uma saída de pista. Automaticamente os cintos são tensionados e o pedal de freio é retraído para evitar lesões sérias nos joelhos do motorista. A base dos bancos do Volvo é equipada com molas para evitar danos irreversíveis à coluna dos ocupantes. De acordo com a Volvo, 50% das mortes no trânsito dos Estados Unidos e 1/3 na Suécia acontecem com veículos que saem da pista.

Frenagem Automática em Cruzamentos: Ao tentar cruzar uma via, caso o Volvo detecte um outro veículo vindo no sistema oposto, os freios são acionados para evitar a colisão ou reduzir os impactos de uma batida.

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DE PASSAGEIRO

Dirigir o XC90 é muito agradável. É um veículo extremamente confortável para viagens longas, como esta que fiz por mais de 400 km em Santa Catarina. Mas ir de passageiro também é muito agradável. A começar pela central multimídia com tela de 9 polegadas sensível ao toque, que faz parte do Sensus Conect desenvolvido pelos escandinavos. Todos os comandos são já são em português – apenas a voz que orienta a rota do GPS ainda é em inglês, mas o pessoal da Volvo já prometeu uma atualização.

Com total ausência de botões, todas as funções são controladas por meio desta central, que foi concebida para funcionar como um tablet. A funcionalidade é realmente muito intuitiva e é fácil encontrar todas as configurações – do GPS, às funções de telefonia, áudio e climatização. Aliás, o XC90 tem ar-condicionado digital de quatro zonas, sendo que os passageiros da segunda fileira têm uma unidade touch de controle da temperatura exclusiva. Já os ocupantes da terceira fileira tem um compressor de ar exclusivo e que só funciona quando sensores identificam que os lugares estão sendo ocupados.

Outro detalhe referente ao clima dentro do SUV é com relação aos raios solares. O teto solar – maior feito pela Volvo até hoje – fecha a cortina automaticamente, caso os sensores identifiquem que o nível de insolação dentro do habitáculo ultrapassou o nível do tolerável.

Já o sistema de telefonia permite parear até dois aparelhos, sendo um para utilização do telefone e outro para stream de áudio. E por falar em áudio, o XC90 na versão Inscription utiliza sistema de som premium Bowers & Wilkins, com 19 alto-falantes e subwoofers (1400 watts) instalados de maneira a transmitir o grave por meio da carroceria do veículo. E por meio da central multimídia, os passageiros conseguem configurar o som de uma maneira que transmite a sensação de estar em uma sala de concerto sinfônico.

Também não dá para reclamar do espaço. São 2,98 metros de distância entre os eixos, 1,78 metro de altura e 2,00 metros de largura. Os bancos são todos individuais, permitindo rebatimento individual também – com todos rebatidos, o piso fica plano e a capacidade de carga de 1.868 litros. Aliás, a abertura do porta-malas pode ser feita passando o pé sob o para-choque traseiro – senso detecta o movimento e abre automaticamente o compartimento.

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CONCLUSÃO

Ao contrário da geração anterior, o novo XC90 tem sabor. Abriu mão de tentar ser apenas o SUV mais seguro do mundo para dar também prazer a quem o dirige, apostando em uma ferramenta muito certeira: a tecnologia. A Volvo sempre terá um pacto com a segurança – é seu drive e a característica pela qual ganhou notoriedade. Mas neste novo momento, em que busca um novo espaço no mundo, os escandinavos entenderam que também é possível mexer com sentimentos mais passionais do consumidor. Land Rover Range Rover, BMW X5, Mercedes-Benz ML e Audi Q7 que se cuidem, pois a escolha diferente é o Volvo XC90.

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