BMW R nineT é naked com apelo emocional

Modelo celebra 90 anos da marca como fabricante de motos. Preço é de R$ 61.500
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Agência Infomoto
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A BMW R nineT (pronuncia-se “ninety’, noventa em inglês) foi a maneira que a marca alemã encontrou para celebrar os 90 anos como fabricante de motocicletas. Lançado no final do ano passado, o modelo desembarca agora no Brasil, mesclando a herança clássica do motor Boxer com transmissão final por eixo-cardã com diversas possibilidades de customização por R$ 61.500.

Além do consagrado conjunto motriz, a R nineT resgata um design simples sem carenagem com a tradicional cor preta (única opção) das primeiras BMW. Deixando de lado até mesmo os aparatos tecnológicos de motos mais modernas da marca para trazer de volta a essência simplista do motociclismo.

Ao gosto do freguês

Embora lembre a R 1200R, naked moderna da BMW, a nineT traz um chassi completamente novo. No desenvolvimento da nineT, a principal preocupação da empresa foi criar um quadro que permitisse aos consumidores personalizarem a motocicleta de acordo com seu gosto. O quadro tubular em aço incorpora o motor Boxer como parte integrante e estrutural e é composto basicamente por duas peças: uma seção frontal com a coluna de direção e uma parte traseira para a fixação do monobraço. O subquadro que sustenta o assento da garupa é de fácil remoção, permitindo que se opte por uma configuração para somente o piloto – há como acessórios um novo suporte do escapamento duplo e uma tampa feita em alumínio para dar à nineT o visual das primeiras motos café racers.

O próprio escapamento de série desenvolvido pela marca Akrapovic também foi projetado em conjunto com outros dois de diferentes estilos, e vendidos à parte como acessório. Tudo para que o motociclista possa deixar a nineT com a sua cara. Uma filosofia de customização até então associada à Harley-Davidson e que faz sua estreia em motos da marca alemã. Esse conceito e a atenção aos detalhes aparecem no clássico farol redondo, que traz ao centro um pequeno emblema da BMW – um cuidado no acabamento comum em motos da Harley.

Moderna em roupa clássica

O novo quadro, além de ser modular, abandona a exótica suspensão dianteira Telelever (com apenas um amortecedor) das atuais motocicletas BMW para dar lugar a um garfo telescópico invertido com bengalas douradas, emprestado da naked S 1000R, mas sem os ajustes.

Na traseira, o monobraço com um amortecedor traz o eixo-cardã incorporado – o tal sistema Paralever com ajuste da pré-carga da mola. Nos freios, mais toques de modernidade. Os discos duplos flutuantes dianteiros de 320 mm são mordidos por pinças de quatro pistões com fixação radial e o disco simples – também flutuante – traseiro de 265 mm de diâmetro e pinça de pistão duplo.

O painel de estilo clássico deriva da naked R 1200R com dois mostradores redondos, o velocímetro e o conta-giros. No centro uma tela de cristal líquido, mas sem a grande quantidade de informações do computador de bordo – há apenas relógio, hodômetro, a média de consumo e velocidade, além da autonomia. A eletrônica embarcada de outras BMW com diversos modos de pilotagem e controle de tração dá lugar apenas ao sistema de freios ABS (obrigatório na Europa).

E, em vez de utilizar um motor de refrigeração líquida já presente nas R 1200 GS e RT, a fábrica optou pelo tradicional Boxer de dois cilindros opostos 1.170 cm³ e refrigeração a ar. Produz suficientes 110 cv de potência máxima a 7.550 rpm para ultrapassar os 200 km/h. Porém é o excelente torque máximo de 12,15 kgf.m já a 6.000 rpm que torna a pilotagem da nineT prazerosa. Sem a necessidade de muitas trocas no câmbio de seis marchas e com “soco” suficiente para arrancadas divertidas ou passeios descompromissados em quinta marcha.

Desempenho divertido

De nada adiantaria todo esse estilo clássico se a R nineT não fosse divertida de pilotar. Mas a BMW também acertou nesse quesito. A ergonomia é típica das nakeds. O banco a apenas 78,5 cm do solo e a posição de pilotagem bem ereta, graças ao largo guidão de alumínio, fazem com que o piloto se sinta bem à vontade ao montar na moto.

O ronco do motor, que sai das duas ponteiras, é grave e instiga a acelerar. E quem curte o motor Boxer, vai se divertir em girar a manopla com o câmbio no neutro. A nineT balança de um lado para o outro como as antigas BMW.

Ao engatar primeira marcha e partir, logo se nota que há força de sobra para carregar os 222 kg (em ordem de marcha). Dotada de rodas raiadas de 17 polegadas, a nine T proporciona uma pilotagem mais ágil e esportiva do que sugere seu estilo clássico.

Mudanças de direção são fáceis de executar e curvas são contornadas com naturalidade. As suspensões – ambas com 120 mm de curso – se mostraram macias e com boa dose de amortecimento, principalmente depois que ajustei a précarga da mola traseira. As frenagens são bem eficazes e progressivas, sem sustos.

O propulsor pode não empolgar os fanáticos por cavalarias, mas o torque abundante faz com que a nine T arranque rapidamente e deixe os carros para trás. Já os 110 cv são mais que suficientes para se manter no limite legal de velocidade, a 120 km/h. Até mesmo porque muito acima disso, como em toda naked, faz-se notar a ausência de carenagem.

Mas a BMW R nine T é prazerosa de pilotar em um ritmo mais tranqüilo, em médios giros, sem muitas trocas de marchas e curtindo o rugido grave do motor Boxer. E a diversão não para quando se desliga o motor. É possível admirar os detalhes e imaginar uma infinidade de transformações para deixá-la (ainda) mais cool.

Talvez a única crítica vá para o preço elevado, algo inevitável nas motos BMW. Vendida a R$ 61.500, a R nine T é cara para os padrões naked – até mesmo dentro da própria marca. Há outras motos do segmento a preços menores e que ofereçam mais opcionais. Entretanto, não têm o mesmo estilo clássico que celebra o passado e nem as possibilidades de customização da BMW R nine T.

Ficha Técnica

BMW R nine T

Motor: Dois cilindros opostos (Boxer), 4 válvulas por cilindro e refrigeração ar/óleo

Capacidade cúbica: 1.170 cm³

Potência máxima: 110 cv a 7.750 rpm

Torque máximo: 12,14 kgf.m a 6.000 rpm

Câmbio: Seis marchas

Alimentação: Injeção eletrônica

Partida: Elétrica

Quadro: Tubular em aço

Suspensão dianteira: Garfo telescópico invertido com 120 mm de curso

Suspensão traseira: Monobraço com BMW Paralever e 120 mm de curso

Freio dianteiro: Disco duplo flutuante de 320 mm de diâmetro com pinças radiais de quatro pistões (ABS)

Freio traseiro: Disco simples de 265 mm de diâmetro com pinça flutuante de dois pistões (ABS)

Pneus: 120/70-17 (diant.)/ 180/55-17 (tras.)

Comprimento: 2.220 mm

Largura: 890 mm

Distância entre-eixos: 1.476 mm

Altura do assento: 785 mm

Peso em ordem de marcha: 222 kg

Tanque de combustível: 18 litros

Cor: Preta

Preço sugerido: R$ 61.500

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