Feito anualmente em Brasília (DF), no Parque Granja do Torto, o Capital Moto Week é o maior evento voltado a motociclistas no Brasil. Isso tanto em área quanto em número de participantes. Para deter esse "recorde", vai muito além dos tradicionais encontros que acontecem todas as semanas. Enquanto estes encontros são exatamente o que o nome sugere - "encontros de motociclistas" - o Capital Moto Week é um "evento".
São duas coisas bem diferentes. Os "encontros" habitualmente acontecem em praças ou parques de exposições, normalmente não há cobrança de ingresso e quase sempre têm um moto clube na organização. Já os "eventos" são fechados, têm cobrança de ingressos, costumam ser realizados em áreas especialmente destinadas a esse tipo de coisa e têm perfil comercial - ou seja, são organizados por empresas.
Para completar, os "encontros" costumam ser realizados em três, no máximo quatro dias, sempre de final de semana ou em algum feriado. Já o Capital Moto Week dura nada menos que 10 dias. Este ano, foi de 23 de julho a 1º de agosto de 2026.
Fui ao Capital Moto Week deste ano, edição 2026, a convite da Royal Enfield. Foi minha primeira experiência completa por lá - já tinha ido antes, mas de avião e só visitei o evento por algumas horas, em uma noite. Desta vez, fui rodando de moto e vi e convivi com a realidade por três dias - e por várias horas a cada dia.
Bem, é importante ressaltar que, como dito acima, o Capital Moto Week é um evento comercial. E, mais ainda, é feito na capital federal, lugar com a maior renda per capita do Brasil. Quase tudo lá é caro, e no Capital Moto Week não é diferente.
Para o Capital Moto Week 2026, os valores do passaporte geral (válido para todos os dias do festival) chegaram a R$ 460 para meia-entrada, R$ 610 para o ingresso solidário e R$ 920 para a inteira. Os preços dos ingressos para um único dia variavam conforme a data, lote e programação de shows.
Mas motociclistas sem garupa podiam entrar gratuitamente com suas motos em qualquer dia e horário. Para motociclistas com garupa, gratuidade apenas de segunda a sexta-feira até as 18h e aos sábados e domingos até 15h.
Fora desses horário, garupas tinham que pagar. Pedestres tinham acesso gratuito de segunda a sexta das 12h às 14h e, nos dias 27, 28 e 29 de julho - os três últimos - o acesso era gratuito para todos.
Ou seja, os ingressos eram caros, mas havia muitas exceções - e, desta forma, sempre era possível livrar o bolso de alguma forma. Mas, lá dentro, isso era mais difícil: camiseta do evento, R$ 118; lanches, a partir de R$ 40; cerveja em lata ou long neck, de R$ 15 a R$ 17.
Por um lado, podemos ficar meio descontentes com valores tão altos. Mas, por outro, é preciso entender que é o preço que se paga por um evento realmente grande, impressionante e bem organizado em quase todos os aspectos. O Capital Moto Week é uma espécie de Rock in Rio com motocicletas por todos os lados - e, acredite, para quem gosta de moto isso é muito legal!
Tanto que, ao contrário das bandas "cover" ou "tributo" que costumamos ver nos encontros de motociclistas, lá os shows são de grandes nomes, de artistas famosos - inclusive internacionais. Não dá para ser barato...
A organização compensa o alto custo. Nos dias em que estive lá, não vi falta de lugar para estacionar motos. Não vi dificuldade para circular. Consegui ver os principais shows da noite (ainda que, claro, tivesse uma multidão na minha frente - como em qualquer grande show).
E havia dezenas de expositores vendendo todo tipo de roupa ou acessórios para motociclistas e motos - aliás, vale dizer: se muita coisa é cara no evento, nos estandes havia promoções bem interessantes - de camisetas a capacetes.
Havia boxes destinados aos moto clubes, que lá se instalavam e faziam desses espaços suas casas por vários dias, em convivência divertida e pacífica. E, algo que me impressionou e achei um barato: havia motociclistas e moto clubes de todo o Brasil - Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Sergipe, Amazonas, Paraná, Santa Catarina... vi gente do país todo lá. Muito impressionante.
Além disso tudo, havia estandes bacanas dos principais fabricantes de motocicletas do país - como Royal Enfield e Honda - e também de fabricantes importantes no cenário das duas rodas, como Bieffe e Peels, de capacetes. E, ainda, área kids, roda-gigante, bungee-jump e outras atrações.
O que não curti na área do evento foram as poucas opções de banheiros e as áreas de alimentação, fracas de opção e de instalações - e uma delas, numa tarde calorenta, estava insuportável de quente e cheia de moscas.
E havia, ainda, a própria cidade. Com suas longas retas e seus trajetos planejados, Brasília é convidativa para passeios de moto - só tome cuidado com as dezenas de radares...
Não por acaso vi vários comboios zanzando pela cidade, principalmente visitando "pontos turísticos" - aqueles que até podem nos causar certa tristeza, mas que realmente são bonitos de ver devido às suas arquiteturas bacanas - como o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e a sede do Supremo Tribunal Federal (STF), entre outros. Tudo muito instagramável, aliás.
Aliás, falando em comboios, vale lembrar que achei muito curioso que no Capital Moto Week havia muito mais motos custom e big trail do que esportivas - aliás, a quantidade de BMW R 1250/1300 GS era absurda.
Mas também havia espaço para autênticas clássicas, como uma linda Harley-Davidson Dyna 1994 em muito bom estado, que fiz questão de fotografar.
E, para felicidade geral da nação, ao contrário do que se vê com irritante frequência em eventos e encontros, havia poucos infelizes acelerando suas motos excessivamente e incomodando todo mundo com seus "ran-dan-dans".
Sim, vale. É longe, é caro e exige planejamento, mas de fato é uma experiência única participar de um evento tão impressionante. O que dificulta é que Brasília (DF) é longe de praticamente todo o resto do Brasil.
Meu grupo de Royal Enfield, assim como vários outros, levou dois dias para ir de São Paulo (SP) para lá, e mais dois dias para voltar - fizemos a "escala" em Uberlândia (MG). Foram cerca de 2.000 quilômetros no total - e o relato dessa viagem o caro leitor pode ler aqui.
Mas vale a pena, nem que seja uma única vez. Afinal de contas, motocicletas são feitas para rodar, não para ficar na garagem, não é?
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