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Ducati Diavel V4 é experiência única sobre duas rodas

Com motor V4 de 168 cv, visual espetacular e comportamento surpreendentemente confortável, ela é bem interessante na estrada

André Deliberato
André Deliberato

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Há motos que você pilota. Há também aquelas que você testa – que não costuma ser o meu caso. E há motos que, depois de algumas horas, dão a sensação de que vão ficar na sua cabeça mesmo depois de você devolver a chave.

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A Ducati XDiavel V4 deverá chegar ao Brasil, mas ainda não está confirmada oficialmente
A Ducati XDiavel V4 deverá chegar ao Brasil, mas ainda não está confirmada oficialmenteCrédito: Divulgação

A Ducati Diavel V4, cuja geração atual foi lançada em 2025, é isso.

Passei três horas com uma unidade na quarta-feira desta semana. Não foi tempo suficiente – e nem seria honesto dizer que foi – para fazer uma avaliação completa.

Não rodei centenas de quilômetros, não passei dias convivendo com ela e não dá para falar sobre custos exatos de manutenção ou durabilidade a partir de uma experiência curta.

Mas três horas foram suficientes para entender uma coisa: a Ducati Diavel V4 é especial. E, na cor vermelha, fica ainda mais difícil dizer que essa moto não chama a atenção. É um espetáculo.

Ducati Diavel V4: impressões de um deslumbrado

A primeira impressão começa antes de ligar o motor. A Diavel V4 tem uma presença absurda. É baixa, larga, musculosa e, ao mesmo tempo, elegante.

O pneu traseiro gigante, o monobraço, o tanque volumoso e as quatro saídas de escapamento fazem a motocicleta parecer uma escultura.

É aquele tipo de moto que faz você andar alguns metros, olhar para trás e pensar: “Car@l#0!”. E a história fica ainda mais interessante quando o motor V4 (quatro cilindros em “V”) ganha vida.

O som que muda tudo

São 1.158 cm³ e cilindrada, 168 cv de potência e 12,8 kgfm de torque. Números impressionantes, mas que não explicam a experiência de pilotar uma Diavel… Porque existe o som.

O V4 da Ducati tem uma personalidade absurda que, veja só, chega antes da aceleração. Isso porque o ronco muda conforme a subida de giro, e a sensação de ter um motor desse calibre entre as pernas é difícil de traduzir – e foi mesmo, pelo menos para mim, que pouca experiência tenho no segmento de motocicletas.

Basta a primeira arrancada para perceber que você está em uma motocicleta muito potente, e o melhor: sem aquela sensação de que ela quer te assustar.

Gire o acelerador mais um pouco. É aí que você entende que aquilo não é brincadeira.

A Ducati Diavel V4 é um monstro: acelera de zero a 100 km/h na casa dos 3 segundos. Não tive uma pista para fazer largadas ou coisa parecida – e nem era essa a proposta -, mas a subida da Rodovia Fernão Dias entre São Paulo e Mairiporã com algumas necessárias retomadas bastou para perceber que os 168 cv estão longe de ser só um número bonito na ficha técnica.

Sem exagero, galera: a entrega é forte, imediata e viciante. É fácil encontrar velocidade demais sem perceber. E talvez essa seja uma das coisas mais interessantes da Diavel V4: ela consegue ser extremamente potente sem parecer indomável.

A cidade não é o habitat da Diavel

Durante essas horas de experiência comecei a tentar entender a grande questão que os clientes deveriam se perguntar antes de comprar uma Diavel V4: onde você pretende usar a moto?

Na cidade, até que funciona. A posição de pilotagem é confortável, o banco está em uma altura razoável e os recursos eletrônicos ajudam muito. O esterçamento também surpreende de forma positiva, principalmente quando consideramos o tamanho e a proposta da motocicleta.

Mas não é ali que a Diavel V4 está em casa, e você percebe isso rápido.

No trânsito, entre semáforos, carros, corredores e asfalto ruim (ainda que eu tenha enfrentado pouco congestionamento), existe a sensação de que usamos só uma pequena parte do que a Diavel pode oferecer.

É quase como ter um avião para fazer viagens de 10 quilômetros. Dá para fazer? Claro. Mas faz sentido?

Na estrada – e essa é uma das conclusões que deixo propositalmente como primeira impressão – é onde a Ducati Diavel encontra seu ambiente ideal. É ali onde os 168 cv do V4, a estabilidade, a posição de pilotagem e todo o conjunto fazem sentido.

Nas curvas, a Diavel exige um pouco mais de respeito. Tecnicamente, não é uma moto feita para atacar trechos sinuosos como as esportivas – isso porque o entre-eixos de 1,59 m é longo e o conjunto tem proposta mais voltada para o prazer de acelerar do que para a pilotagem radical.

Ainda assim, resolve muito bem: é estável, transmite confiança e muda de direção com mais facilidade do que seu tamanho e robustez sugerem. Vale dizer que eu, particularmente, não quis abusar: a Diavel era praticamente nova e o dono da moto ainda tinha rodado pouco com ela.

Mas se nas curvas a Diavel pede um pouco mais de respeito, nos freios ela entrega confiança. A frenagem é fortíssima e, ao mesmo tempo, precisa. Bastam toques mais decididos no manete e no pedal para perceber a capacidade dos freios, ainda que a resposta seja progressiva e fácil de dosar.

Ou seja, não existe aquela sensação de que você precisa brigar com o conjunto para parar. Pelo contrário: mesmo sendo pesada (223 quilos de massa bruta, sem combustível) e extremamente potente, passa uma segurança enorme em frenagens mais fortes.

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Ducati Diavel V4 2025
Ducati Diavel V4 2025 não mudou para a linha 2026: a moto é espetacularCrédito: Divulgação

Tecnologia para caramba

Também não dá para falar da moto sem mencionar a quantidade de tecnologia embarcada.

A Diavel V4 tem vários modos de pilotagem, controles de tração e de empinada, quickshifter bidirecional (quickshifter é um sistema eletrônico que permite trocar as marchas sem precisar acionar a embreagem ou aliviar a mão do acelerador), controle de cruzeiro e alguns recursos eletrônicos que trabalham nos “bastidores” para tornar a experiência mais segura e agradável.

O quickshifter, aliás, é daqueles equipamentos que você começa a usar por curiosidade e em questão de minutos passa a querer em qualquer moto. Com ele, as trocas são mais rápidas e, principalmente, mais divertidas.

Isso é só um detalhe diante de todo o pacote, mas que ajuda a construir aquela sensação de que você pilota algo muito mais sofisticado do que uma motocicleta convencional.

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O duro é a grana para manter…

Uma Ducati Diavel V4 zero-quilômetro custa R$ 155.990 no Brasil, hoje, sem frete. E esse é, provavelmente, o maior obstáculo para transformar o desejo em realidade.

Principalmente porque não é só o preço de compra que precisamos levar em consideração, até porque falamos de uma motaça com motor V4, que tem componentes sofisticados, pneus de alta performance, freios de altíssimo nível, eletrônica avançada e toda estrutura de manutenção de uma motocicleta premium.

Em outras palavras, manter uma Diavel não é barato. O pneu é salgado, a revisão não custa pouco e as peças não são “em conta”. Se você, mesmo assim, quer ser dono de uma, é preciso entrar no negócio sabendo desses detalhes.

Mas, calma. Existe uma diferença grande entre dizer que uma coisa “é cara” e dizer que ela “não vale o que custa”. E em apenas três horas eu posso garantir: ter uma Diavel V4 vale muito o que a Ducati pede por isso. Se dinheiro não for problema para você, tenha uma.

É daquelas motos que conseguem unir desempenho, tecnologia, conforto e, principalmente, desejo. Você não compra uma Diavel só porque precisa de uma moto. Você compra uma Diavel porque ela é uma Diavel.

Foi, para mim, uma experiência única sobre duas rodas. Ela não é nada racional. Ainda bem!

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Escrito por André Deliberato

Editor-assistente

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