Não provoque, é cor de rosa choque!

Terceira edição do Enduro FIM Xperience da Mulher mostra que moto e off-road é coisa de mulher sim

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Karina Simões
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No último domingo (12), a cidade turística de Campos do Jordão (SP) ficou cor de rosa. Esqueça as flores, não estamos na primavera. A cor chamativa vinha dos equipamentos e motos de 77 mulheres que participaram da terceira etapa do Enduro FIM Xperience da Mulher, e era acompanhada da sinfonia provocada pelos motores de dois e quatro tempos das motos de trilha. O evento, criado para comemorar o Dia Internacional da Mulher, mostrou que lugar de mulher é onde ela quiser e que um belo dia de off-road em cima de uma moto vale bem mais do que qualquer sessão de terapia.

O EFX da Mulher começou em 2015 com 46 inscritas, número que subiu para 64 em 2016 e chegou a 82 neste ano. As 77 que largaram deveriam cumprir um percurso de 30 quilômetros, com três diferentes trechos cronometrados, por três vezes. Ou seja, 90 quilômetros de prova e eu fui uma delas.

Fui convidada pela Honda a participar da prova com uma NXR Bros 160 original. Outras três jornalistas que participaram comigo utilizaram a XRE 190 e a XRE 300. As motos receberam grafismos, pneus apropriados para trilha e tiveram o para-lama dianteiro um pouco elevado. Só.

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Legenda: Enduro FIM Xperience da Mulher 2017
Crédito: Enduro FIM Xperience da Mulher 2017

Minha moto estava pronta, já eu... Me aventurei pouquíssimas vezes na terra com motos, mas foi o suficiente para me apaixonar loucamente e topar o convite sem pestanejar. Em comum com as mulheres mais experientes - que eu estaria prestes a conhecer -, tenho a paixão pela motocicleta e por toda a alegria que ela nos proporciona. Mesmo inexperiente, achei que seria o suficiente. 

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Legenda: Enduro FIM Xperience da Mulher 2017
Crédito: Enduro FIM Xperience da Mulher 2017

No local da largada, maridos e namorados supervisionavam as crianças e ajudavam nos preparativos. O clima era de festa. Nas barracas das equipes (Kapangas, Rímel a prova de lama, Gatas de botas e Mina’s Off-Road) a mulherada preparava os últimos ajustes nas motos (elas mesmas) e conferiam seus equipamentos: botas, luvas, calça, colete, capacete, joelheira e bolsa de hidratação.

Para participar, basta ser mulher, não importa a idade. Este ano, a mais nova foi a mineirinha Isadora Oliveira, de 15 anos, e a mais velha a simpática Diankarla Damasceno, de 54 anos, conhecida por todos como Vovó Cross.

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Legenda: Enduro FIM Xperience da Mulher
Crédito: Enduro FIM Xperience da Mulher

A cada minuto, duas participantes passavam pela largada empurrando suas motocicletas e se embrenhavam mata adentro. Chegou a minha vez. Sem pretensões de fazer tempo, meu objetivo ali era sentir na pele o que as competidoras sentem, incentivar o esporte e, claro, não atrapalhar as meninas mais experientes.

Grandes guerreiras

As trilhas de Campos foram ocupadas por pontos cor de rosa. Aliás, basta procurar essa cor no Google para encontrar sinônimos do universo feminino como suavidade, fragilidade e delicadeza. Ali o que eu vi foi fibra, garra, superação, nem um pouco de fragilidade e muita coragem para encarar os obstáculos. Que orgulho, mulherada!!!

As histórias de superação estão por toda a parte. Houve casos como uma participante que deu a luz há 40 dias e estava competindo e outra que encontrou nas motos e nas trilhas a cura para a síndrome do pânico. Incrível.

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Legenda: Enduro FIM Xperience da Mulher 2017
Crédito: Enduro FIM Xperience da Mulher 2017

A “minha” NXR Bros 160 (R$ 10.190) com seu motor 4 tempos arrefecido a ar, 14,6 cv e torque máximo de 1,74 kgf.m até que encarou bem os obstáculos, provando sua versatilidade. Vale mencionar que o baixo peso da moto me ajudou muito, mas confesso que queria mesmo estar com uma Honda CRF 230. Ela conta com suspensões mais robustas (garfo telescópico de 230 mm na dianteira e monoamortecida pró-link na traseira) e uma relação mais apropriada para o off-road, o que faz bastante diferença. As meninas que estavam com motos mais pesadas sofriam para levantar a moto a cada tombo. Parei para ajudar todas que encontrei pelo caminho e vi que a parceria é uma virtude que anda junto com o barro, seja em duas ou quatro rodas.

A prova requer preparo físico e técnica. Nas duas primeiras especiais, encontrei trechos mais fechados com valas, subidas, “pirambeiras”, piso muito liso e algumas pedras pelo caminho. Em cada enrosco que eu travava - e foram muitos -, minha embreagem ia "fritando" um pouquinho. Um trecho em que era possível acelerar foi na pista sobre as nuvens, local que já foi palco de mundial e o terceiro trecho cronometrado do percurso. Ali tive que abandonar a prova, mas minha frustração por não completá-la foi compensada ao ver as campeãs chegarem.

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Legenda: Enduro FIM Xperience da Mulher
Crédito: Enduro FIM Xperience da Mulher

Pelo terceiro ano consecutivo, a paulista Janaína Souza, garantiu o primeiro lugar na classificação geral. Graças a um novo sistema de apuração, implantado em parceria com a Totem, a coleta dos tempos nas especiais é feita por fotocélula e, com a utilização do aplicativo TotemNow, pode ser acompanhada em tempo real ao final da cada trecho.

São oito categorias: Pro Nacional, Nacional Acima de 151 cc, Pro Importada, Novata Importada, Novatas motos até 150 cc, Over 30, Over 40, Over 50. Além dos troféus para as cinco melhores de cada categoria, todas as competidoras ganharam medalha de participação. O resultado da prova, você encontra aqui.

 Enduro FIM Xperience da Mulher
Legenda: Enduro FIM Xperience da Mulher
Crédito: Enduro FIM Xperience da Mulher

Paizão

O idealizador e organizador da Copa EFX é Fabio Pereira Simões, de 53 anos, do Adrenatrilha Trail Club. Pense em um cara gente boa, esse é o “Fabião”. Ele é o maior incentivador das mulheres no esporte e não poupa esforços para garantir o lugar delas no off-road.

“Já realizei o sonho de criar a categoria feminina nas minhas provas. Já realizei o sonho de fazer uma prova só para mulheres. O meu terceiro sonho é ter um campeonato só para mulheres com umas quatro etapas no ano para começar, podendo chegar a seis etapas, igual a EFX Brasil”, diz Fabio. A primeira etapa da Copa EFX Brasil acontece dia 2 de abril e contará com categoria feminina. Pilotos podem se inscrever pelo sites www.megatrilha.com.br ou www.adrenatrilha.com.br.

Embora o “Fabião” tenha o mesmo sobrenome que o meu, não é meu pai, mas é considerado um paizão pela mulherada toda do off-road, que o defende com unhas e dentes. Por isso, como já dizia Rita Lee, “não provoque, é cor de rosa choque!”

Para o ano que vem, a meta é superar as 100 inscritas. Eu, certamente, estarei lá. Parabéns, mulherada!

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