A Royal Enfield Shotgun 650 foi lançada em fevereiro e veio integrar a família dos modelos médios bicilíndricos da marca indiana - Interceptor 650, Continental GT 650 e Super Meteor 650. E, assim, como a Super Meteor 650, que chegou no ano passado, fez sucesso e teve fila de espera. Agora, porém, já existe para pronta-entrega.
Quando do lançamento, fomos conhecer a moto pessoalmente e demos um belo rolé pelo interior de São Paulo. A avaliação ficou praticamente restrita a estradas, e passamos por poucos trechos urbanos.

Vimos que a Shotgun 650 tem diferenças ergonômicas em relação à Super Meteor 650, embora ambas compartilhem chassi, motor e muitos outros componentes. E dissemos que são diferenças sutis, porém marcantes, que podem determinar a escolha na hora de comprar uma das duas motos.
Basicamente a Super Meteor 650 tem uma posição de condução mais custom, coerente com sua proposta estradeira. As pedaleiras do piloto são avançadas, as pernas ficam mais esticadas e a parte superior do corpo, mais inclinada à frente. Criticamos o guidão proporcionalmente baixo e a suspensão traseira, cujos amortecedores - no ajuste de fábrica - são muito rígidos.
Coisas fáceis de resolver com um riser de guidão e mudança na regulagem dos amortecedores. Já a bobber Shotgun 650 tem o mesmo guidão, mas as pedaleiras são mais recuadas, mudam o posicionamento do piloto e até lhe dão mais controle da moto, a partir de movimentos naturais feitos com o quadril. Isso é ajudado pelo banco, que também é diferente.
Por causa disso, a Shotgun 650 parece ser mais leve. Mas é só impressão: pesa 240 quilos, apenas um quilo a menos que a Super Meteor 650 avaliada em nossa viagem-teste de mais de 600 quilômetros - a versão topo de linha Celestial Red.
Agora, é hora de analisarmos a Shotgun 650 com um segundo olhar: o uso urbano, no dia a dia. É uma avaliação mais válida na bobber, que tem proposta de uso misto cidade/estrada, enquanto a Super Meteor 650 é fundamentalmente estradeira.
Num resumo condensado de sinopse espremida, podemos dizer que a Shotgun 650 é melhor do que a Super Meteor 650 na cidade. Embora pese quase a mesma coisa, é bem mais ágil e maneável justamente devido à posição de pilotagem. Enquanto na Super Meteor 650 o piloto "sente" o peso da moto nas manobras e reboladas urbanas, na Shotgun 650 a sensação é de se estar em um moto menor e mais leve.
Rodei com a Shotgun 650 pelas ruas do Rio de Janeiro por cerca de uma semana. No primeiro dia tive que me acostumar com a moto, já que no meu dia a dia normal uso uma moto bem menor, de 125 cm³ e pouco mais de 100 quilos. Mas bastaram alguns quilômetros para me habituar.
A Shotgun 650 tem os mesmos problemas de guidão baixo e suspensão traseira dura da Super Meteor 650 - esta tem apenas 9 cm de curso! Passar em buracos, irregularidades e quebra-molas é sempre desconfortável. Ou seja, é preciso realmente ajustá-la - com cinco ajustes na pré-carga, não é tão difícil.
Por outro lado, é preciso destacar que a suspensão dianteira, Showa invertida, trabalha muitíssimo bem com seus ótimos 12 cm de curso. Compensa bem a dureza da traseira e contribui para que a Shotgun 650 seja agradável e divertida, com um desempenho que resolve tudo em ambiente urbano.
O motor é bicilíndrico, refrigerado a ar e óleo, e tem 649 cm³. Entrega 47 cv de potência a 7.250 rpm e torque de 5,3 kgfm a 5.650 rpm. É mais do que suficiente para acompanhar o trânsito mesmo em vias expressas, sair na pole-position nos sinais/semáforos (alô, paulistanos!) e se desvencilhar de situações complicadas. Fiquei realmente surpreso com a versatilidade da Shotgun 650 no trânsito urbano!
O motor responde bem o tempo todo, trabalha melhor quando está "cheio" e privilegia o torque, em vez da potência. Mas nem é preciso usar com muita frequência o câmbio de seis marchas, cujo funcionamento é honesto - com engates mais precisos do que macios. A embreagem, por sua vez, é leve, e não exige muito esforço em seu acionamento.
Já as frenagens proporcionadas pelos freios Bybre (segunda linha da Brembo italiana) com ABS são eficientes, mas não impressionantes. E a aderência dos pneus CEAT de medidas 100/90 R18 na frente e 150/70 R17 atrás é correta.
Vale ressaltar que são pneus diferentes dos usados pela Super Meteor 650, cujas medidas são 100/90 R19 na frente e 150/80 R16 atrás. Essa diferença também ajuda na maneabilidade superior da Shotgun 650 - principalmente o dianteiro com aro menor.
Os instrumentos da Shotgun 650 são os mesmo da Super Meteor 650: o painel redondo com velocímetro analógico e telinha digital, e o tripper para GPS ao lado. Mas sempre vale a pena destacar como é bonito e completinho, embora às vezes os números miúdos na telinha não sejam tão fáceis de ver.
Como o caro leitor pode ver, a Shotgun 650 verde (Green Drill) cedida pela Royal Enfield para esta avaliação veio com alguns acessórios - protetor de motor, banco diferenciado e bagageiro sobre o para-lama dianteiro. O conjunto confere à moto um visual até mais bacana que o da configuração original - o charmoso estilo bobber é reforçado. A moto fica bonita e chama a atenção no trânsito.
Mas... Sim, sempre há um "mas"... O banco diferente, embora bonito, é bem menos confortável e adequado anatomicamente que o original, que é bastante bom. É relativamente duro e joga o piloto para trás, distante do tanque. E o bagageiro sobre o para-lama traseiro, embora estiloso, é pequeno, de uso um tanto limitado e inviabiliza o transporte de garupa. De toda forma consegui encaixar bem os joelhos no tanque - porém, mais pela boa posição das pedaleiras.
A Shotgun 650 Green Drill avaliada custa R$ 34.490 na configuração de fábrica, já com frete, mas sem os acessórios. É uma relação custo-benefício boa para uma moto de média cilindrada, que pode ser usada no dia a dia e em bons passeios de fim de semana.
Mas recomendo só instalar esses acessórios se o caro leitor e potencial comprador dessa moto fizer muita questão de estilo - e se não tiver intenção de levar garupa.
Sim, a moto vem de fábrica com banco e pedaleiras do garupa - mas sem sissy-bar (encosto para garupa). E este acessórios são comprados à parte. Mas não custa avisar! 😉
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