Semana do Blush WebMotors: da garupa ao guidão

Habilitadas a pilotar motocicletas já passam dos 2 milhões, revela dados do Denatran. Entre os compradores de motos novas, 24% são mulheres
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- Que as mulheres estão quebrando os paradigmas no mercado de trabalho já é fato consumado. Cargos e profissões anteriormente dominados por homens agora são ocupados também por mulheres. A afirmação também é válida para o crescente mercado de duas rodas. Dados dos condutores habilitados por categoria e sexo, tabulados pelo Departamento Nacional de Trânsito Denatran, revelam que, até dezembro de 2007, já havia 2.137.286 mulheres habilitadas a pilotar motocicletas em todo o Brasil. Isso representa 17,3% do universo de 12.296.681 mulheres condutoras de veículos automotores no país.

Apesar de representativo, não é possível determinar se o número de mulheres habilitadas na categoria “A” cresceu nos últimos anos, pois o Denatran não fazia o cruzamento de dados entre categorias e sexo até 2006. Porém, o perfil dos compradores de motocicletas divulgado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares Abraciclo indica que o número de mulheres que trocou a garupa pelo guidão tem aumentado.

De acordo com a Abraciclo, em 1996, 16% dos compradores de motocicletas novas eram do sexo feminino. Dez anos depois, em 2006, esse percentual chegou a 24%. Levando-se em conta que, em 96, as vendas ao mercado interno foram de 275.668 e uma década depois o número ultrapassou 1.280.000 motos vendidas, é possível perceber que as mulheres estão superando os preconceitos e se “aventurando” em duas rodas.

Embora os dados dos compradores de motocicletas em 2007 ainda não tenham sido completamente tabulados, Moacyr Alberto Paes, diretor-executivo da Abraciclo, adianta que o percentual não mudou muito. “Percentualmente não houve grande alteração, mas se levarmos em consideração que, no ano passado, foram vendidas cerca de dois milhões de motos, podemos afirmar que o número absoluto de mulheres que compraram motos novas aumentou”, explica.

Economia de tempo e dinheiro

Um bom exemplo de novas condutoras é a assistente administrativa Elaine de Fátima Pereira dos Santos, de 26 anos. Funcionária da Honda Serviços Financeiros, a jovem aproveitou uma promoção para funcionários da empresa e adquiriu uma Honda Pop 100 em abril do ano passado. “Sempre quis pilotar moto. Quando comecei a trabalhar na Honda, isso atiçou minha vontade” diz ela, que roda todos os dias 30 km entre sua casa no Jardim Santa Cruz, em São Paulo, até a sede da empresa, no Morumbi.

Como primeira vantagem da motocicleta, Elaine aponta a economia de tempo. Outro fator que a fez trocar o carro pela moto foi o bolso. “Antes gastava cerca de R$ 10 por dia em gasolina para vir trabalhar de carro. Agora gasto R$ 8 por semana com minha Pop”, comemora.

Para Elaine a única desvantagem de andar de moto é a vestimenta. “Tenho que trabalhar social todos os dias. Não dá pra vir de saia e sapato de salto pilotando a moto. Então tenho que vir de calça jeans e tênis. Quando chego ao escritório, me troco” relata.

Criando moda

Já a estudante de fisioterapia Andréia Alvarez, de 30 anos, encontrou no scooter Suzuki Burgman AN 125 um meio prático para conciliar as tarefas do dia-a-dia de dona-de-casa com os estudos. “Com o scooter, consigo chegar a tempo nas aulas à noite, pois todo dia tenho que buscar minhas filhas na escola”, conta ela, que mora no Jardim São Paulo e estuda em Santana, ambos na Zona Norte da capital paulista.

Casada com o motociclista Sérgio, atualmente proprietário de uma moto Honda Valkyrie, Andréia sempre quis aprender a pilotar. No Natal de 2006, ganhou do marido o scooter de 125 cm³. “Dei umas voltas, gostei e fui tirar minha carteira de habilitação. Adorei pilotar”, diz ela, que agora também pilota uma Kawasaki ZX-11 em viagens com Sérgio.

Mas o que conquistou mesmo a estudante foi a praticidade do veículo. “Chego no horário e não preciso me preocupar em encontrar vaga para estacionar. Ele é pequeninho e cabe em qualquer lugar”, revela.

Andréia ainda conta que algumas colegas ficaram encantadas com seu scooter e agora virou moda em sua classe. “Já somos quatro mulheres motociclistas, todas com o Burgman. O meu é vinho e minhas colegas de sala compraram cada um de uma cor”, confirmando os dados de que, cada vez mais, as mulheres estão assumindo o guidão.

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