Carro elétrico. Vale a pena?

Dúvida válida: haverá energia para suportar o reabastecimento dos veículos?
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Roberto Nasser
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O assunto carro elétrico sugere bons negócios no futuro, apesar de estudo da Price Waterhouse projetar que em 2020 sejam 5% da produção mundial, e pouco impacto no mercado dos fabricantes de motores e transmissões hoje convencionais. Mas é mercado para bilhões de dólares.

Na Europa, Renault lidera e fez acordos de mobilidade com alguns países para a venda dos carros e fornecimento das estações de abastecimento. Portugal, o mais avançado deles, criou Gabinete da Mobilidade Elétrica para gerir o programa, prevendo-se 10% da frota seja de elétricos em 2020, e 10 mil vagas de exclusivo estacionamento com pontos de recarga – 1.350 em 2011.

Na Alemanha, a Plataforma Nacional para a Mobilidade Elétrica promete atingir um milhão de unidades circulando em 2020. Lá a BMW quer ser líder nos elétricos, e a Mercedes tomou a variante do desenvolver carros a hidrogênio. A China se prepara, definindo que o país se dedicará à tecnologia dos apenas elétricos, desprezando híbridos ou outras tecnologias, e começou por criar 10 mil vagas de estacionamento para elétricos, previstos em um milhão até o sempre referido 2020, e as cidades com maiores problemas de poluição criaram incentivos a veículos que custem até equivalentes R$ 18.170.

Nos EUA onde incentivos instigam e concedem descontos de até US$ 7 mil – uns R$ 12 mil –, há vendas factíveis de Ford Focus, Honda, Toyota Prius, e o Nissan Leaf, primeiro construído em larga escala, conquistou o prêmio “Carro do Ano 2011” no Salão do Automóvel de Nova Iorque.

Aqui, sem planejamento ou projeto público para a mobilidade elétrica, os modelos importados e vendidos, Ford Fusion e Mercedes. E não são enzimas de projeto para redução de emissões poluentes por combustíveis líquidos, porém, vistos como excentricidade de usuários em busca do cultivar imagem de amigos do meio ambiente.

Mas, longe do circuito, empresários reconhecidos como Eike Batista, Nelson Piquet, Eduardo Souza Ramos se dizem interessados em investir. Há pouco, o desinteresse local forçou a venda à empresa inglesa do projeto desenvolvido pelo designer Anísio Campos, capaz de funcionar como híbrido ou elétrico. A questão é de engenharia tributária. Um elétrico pagaria IPI de 25%. Um 1.0 a álcool, 7%. Por si, em pequena escala, o elétrico custa mais que o convencional. A conta não fecha.

O outro lado

Vale a pena? Haverá clientela? Dúvida válida: haverá energia para suportar o aumento de demanda no reabastecimento dos veículos? O país, sem programa de matriz energética, com usina atômica de tecnologia e construção antigas, em local perigoso, sem estrutura de fuga - apesar do blá-blá-blá do ministro de Ciência e Tecnologia aloprando seu colega de Minas e Energia - não tem ou incentiva opção pelos elétricos. Ao contrário, assiste a lobbies poderosíssimos pela Petrobras vendendo o petróleo do pré-sal, e o dos produtores de álcool, combustíveis líquidos para motores ciclo Otto.

E o consumidor? Optará pelo sistema independente dos combustíveis líquidos – e sem trocadilho pela atual falta, sem liquidez?

Potencial

O IBM’s Institute for Business Value IBM-IBV pesquisou consumidores e executivos das montadoras indagando sobre mudança de um veículo movido a gasolina, diesel ou híbrido, para um elétrico.

Respostas segmentadas: 3/4 dos executivos condicionaram a mudança a incentivos e ao custo do combustível atual, raciocínio individualista. Apenas 1/3 o faria por respeito à sustentabilidade, decisão social.

Dentre os consumidores, metade individualista o faria empurrada pelo alto custo dos combustíveis. Resultados maiores de conscientização, a quase outra metade trocá-los-ia por razões ecológicas, e no mesmo caminho, um quarto relaciona poluição aos grandes congestionamentos.

Resultado, independentemente das razões de troca, dos compradores declarando pouco ou nada saber do assunto, mudando de carros por incentivo à aquisição, economia ao uso, ou preocupação em ecologia global, há um mercado potencialmente grande para os elétricos. Estes bilhões de dólares, à espera de ser colhidos, induzirão facilidades à produção, à necessidade, e meios para colocá-los ao alcance da mão do consumidor brasileiro - claro, se não houver o inviabilizador Apagão.

Arrombando a festa

A Lei Fiat, como conhecida a Medida Provisória 512/10 que favoreceu a instalação de projetos ligados à indústria automobilística no Nordeste, especificamente em Pernambuco, para ter cara jurídica, virou Projeto de Lei de Conversão 8/11. Antes a norma só era aplicável à fábrica que a Fiat fará no porto de Suape, em Pernambuco.

Mas na Câmara dos Deputados os termos foram mudados, acontecendo o previsto aqui na Coluna – pressões pela democratização e abertura. Resultado dos acordos e mudanças, o prazo para novos projetos foi ampliado a 20 de maio; as vantagens se ampliam a todos os estados no regime Sudene – o que inclui o Espírito Santo -; e o pacote de incentivos supera a soma de generosidades em Dia das Mães e Natal. Além do crédito presumido, os deputados aumentaram a fatura sobre a sociedade. Agora há vantagens adicionais: redução de 100% do IPI e do II sobre importação de máquinas, equipamentos e moldes e 90% de redução do II e 45% do IPI na compra de matérias primas, peças e pneus. Na prática tal renúncia significa menos recursos para o seu hospital, a sua escola, o seu asfalto, a sua delegacia policial etc.

Pela grandeza dos incentivos parece presente às matrizes exportadoras de equipamentos e componentes.

Roda-a-Roda

J3 sedã – O Turin. Versão do bem aceito JAC J3, inicia ser vendido, mantidos o tema Inesperado, o apresentador Faustão, e ênfase no pacote de confortos e segurança a R$ 39,9 mil.

Koup – Cupê baseado no Cerato, líder da Kia, chega ao Brasil. 35 instigativos e homeopáticos exemplares para 150 concessionários. Linhas agressivas, motor 2.0, 160 cv, e preço em torno de R$ 80 mil. Junho.
Surpresa – Brasília é o mercado de maior participação da Kia: 4,7%. Colado em Hyundai e apenas 5% atrás de Toyota, superando Peugeot. Raquel Feu, da revenda K-Tec, atribui ao grau de instrução do brasiliense, ao custo de manutenção inferior aos japoneses, e qualidades do produto.

Tsunami – Problemas industriais do Japão chegaram às montadoras nacionais dependentes de partes nipônicas. A Toyota tem interrompido a produção e a Honda antecipou a semana de folga em julho para 23 de maio a 03 de junho.

Apagão – Ameaça de falta de combustíveis fez a Agência Nacional de Petróleo autorizar aumento de água no gasálcool, de 0,4 para 1%, sem garantia de fiscalização. E você, obrigado pelo governo, pagará mais água como gasolina.

Segurança – A Polícia Rodoviária Fcaptional faz campanha para usuários na estrada andem com farol baixo aceso durante o dia. Gente de bom senso o faz, mas não é obrigatório.

Foco – A Volvo Bus Latin America faz périplo para atrair empresários a seu produto híbrido diesel-elétrico. Diz, a combinação reduz consumo de diesel em até 35% e emissões poluentes em até 90%.

Arla – Sigla de Agente Redutor Líquido de NOx Automotivo, o Arla 32 será produzido pela Vale Fertilizantes. É fundamental para que os motores diesel sejam aprovados pela legislação ambiental a partir de 2012. Como a Petrobras não melhorou o diesel, o Arla 32 é injetado na saída dos gases da combustão para torná-los inertes nos catalizadores.

Alerta – Novos tempos. O silêncio dos carros elétricos será substituído por barulho indicando seu aproximar a pedestres, deficientes visuais. O Leaf Nissan e o Prius Toyota já tem gerador de som sob o capô.

Antigos – A fábrica da Mercedes em São Bernardo do Campo, SP, traçou dever aos alunos do SENAI que lá estudam: construir duas réplicas operacionais do triciclo Benz, aceito como o primeiro veículo da marca. Engenharia reversa: medir uma miniatura, projetar para escala 1:1, fazer. A outra será para o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília.

Ecologia – Postos Ipiranga fazem proposta limpa: os pontos do programa de vantagens Os km gerados com o abastecimento podem ser usados para zerar as emissões de carbono de seu veículo, casa e, até, viagens em avião. A empresa arca com parte igual à sua para plantio de árvores. Prático e bom. www.kmdevantagens@kmdevantagens.com.br

Gente – James – Jim – Mc Cloud, 92, engenheiro, passou. Norte-americano, grande responsável em transformar a Argentina em produtor de automóveis. Implantou a IKA, produzindo a família Jeep e, ao contrário da confortável legislação permitindo importar peças – como hoje – fomentou a produção local de autopartes. * Jaime Matsui, presidente da Abraciclo, renunciou. Aposentadoria no empregador Yamaha. * Roberto Akiyama, da Moto Honda, fará o resto do mandato até 2012.


As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.


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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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