Circular, preto, sem atrativo?

É assim que muitos veem os pneus, mas os conceitos mudam
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Fernando Calmon
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- Circular, preto, sem atrativo. É assim que muitos veem os pneus de um automóvel, sem saber o que há de tecnologia e de exigências naquela massa de borracha rodante. Alguns gostam de avaliar o desenho da banda de rodagem para ver se agrada ou se combina com o estilo do carro. Mas a realidade aponta para responsabilidades crescentes ao se projetar um novo pneu, desde conflitos de características até o descarte final. Afinal, os únicos pontos de contatos do carro com o solo são os pneus e eles estão lá para dar segurança, no seco e no molhado.

Aderência, durabilidade e economia de combustível devem-se compatibilizar, embora cada aspecto possa prejudicar o outro. Para obter esse equilíbrio torna-se necessário muita pesquisa que passa pela banda de rodagem, ombros, compostos de borracha, elastômeros e, recentemente, adição de sílica. Este último material tem a propriedade de controlar o aumento de temperatura, diminuindo o consumo de combustível e, em consequência, emissões de CO2.

Preocupação relativamente recente é com o ruído. Carros cada vez mais silenciosos precisam de pneus que acompanhem. Trata-se também de imposição ambiental. Conforme a coluna antecipou, a União Europeia criou um selo, obrigatório em 2012, que informará ao consumidor nível de ruído, resistência à rolagem quanto menor, menos consumo de combustível e aderência em piso molhado segurança em condições críticas. Ajudará no momento da reposição.

Pneus de desempenho esportivo costumam supervalorizar aderência e controle direcional. Hoje, se vai além. A Michelin acaba de concluir o lançamento mundial de sua gama Pilot Sport 3 no Brasil, em maio, 18 medidas inicialmente e deu atenção especial ao ruído. Na primeira geração, de 1998, essa injunção era menor. Agora, trabalhando no desenho e intervalo dos gomos, harmonizou a frequência dos sons emitidos ao rodar para obter conforto acústico.

Em um de seus três campos de testes europeus, o da cidade litorânea de Almeria, sudeste da Espanha, a marca francesa pôde demonstrar uma redução média de três metros na distância de parada, em asfalto molhado, comparado a um pneu concorrente. A prova é realizada sobre filme de água controlado e a medição, entre 80 km/h e 10 km/h. O desempenho também impressionou em dirigibilidade no seco e no molhado, além da prova em estrada aberta. A empresa apresentou resultados de avaliações com ganhos em durabilidade e economia de combustível de 10% em relação à segunda geração, apresentada em 2003.

À medida que vários aspectos de projeto evoluíram, os conceitos sobre uso de pneus vêm mudando. A necessidade do rodízio já não mostra a importância do passado, quando suspensões dos carros e precariedade das estradas preocupavam. Como 90% dos veículos tem tração dianteira e muitos se esquecem do rodízio, os pneus da frente acabam antes. E aí os fabricantes são unânimes: o par de pneus novos, sempre na traseira. Nessa posição se evita, especialmente em pista molhada, o descontrole do eixo traseiro que a maioria dos motoristas enfrenta dificuldade para corrigir. Portanto, apague a antiga prática de montar pneus novos ou em melhores condições no eixo dianteiro.


RODA VIVA


GOVERNO Fcaptional desistiu de manter, depois de março, a alíquota reduzida do IPI para veículos com motores flex, como se cogitou. Anunciada em dezembro último, serviu de jogada política de momento para a Conferência do Clima COP 15. No entanto, até julho pretende apresentar sugestões de incentivos futuros para veículos favoráveis ao meio ambiente, sem compromisso quanto a prazos de implantação.

DURANTE primeira visita ao Brasil, Tim Lee, novo presidente de Operações Internacionais da GM, anunciou para os próximos meses a importação do Camaro. Nada falou sobre o sedã médio-grande Malibu, ainda em testes aqui. Provavelmente, este pode atrasar porque rumores apontam que a Chevrolet se esforça para ter o novo e bem melhor Malibu já em 2011.

NOVA reviravolta: o chefe do Grupo Fiat, Sergio Marchionne, decidiu revitalizar a Alfa Romeo. Deu ordem para desenvolver o substituto do 159 e um modelo maior que compartilharia a arquitetura de tração traseira do Chrysler 300. Alvo é o mercado americano, a partir de 2012, que ele considera muito difícil, porém não quer abrir mão. Missão hercúlea...

PODE parecer estranho, mas a Wurth lança no mercado refil para palhetas de limpador de para-brisa. A empresa afirma que a ideia veio da Alemanha. Troca-se apenas a parte de borracha, mantendo a estrutura metálica. Sem dúvida se consegue economia, o que seria apreciado em carros mais antigos. Para modelos novos talvez não compense.

CORREÇÃO: o maior avanço do novo turbocompressor BW está na forma como é fabricada e montada a carcaça da turbina e o coletor de escapamento em peça única, porém de aço inox. O peso fica bem abaixo do antigo conjunto fundido. Funciona mais quente e assim o catalisador atinge rapidamente a temperatura ideal de trabalho.



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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors e em uma rede nacional de 63 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto Inglaterra.

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