Colocar o guizo no gato

  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Colocar o guizo no gato
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Tecnologia é a palavra-chave para a evolução de qualquer setor industrial e, no caso da indústria automobilística, ainda mais. Na realidade é até questão de sobrevivência. No Brasil, não contamos com uma marca própria que possa significar alguma presença de peso nos mercados interno e externo. Chega às raias da contradição ter uma empresa construtora de aviões de classe mundial, como a Embraer, e continuar patinando na área automobilística.

Isso, no entanto, não deve ser de todo desanimador. O País vem-se firmando como um pólo importante de pesquisa e desenvolvimento. Seis dos onze grandes grupos automobilísticos internacionais que atuam aqui iniciaram processo de expansão ou de implantação de sua força criativa nos campos de engenharia e estilo. As ferramentas mais modernas de concepção virtual são aplicadas. Um exemplo é o da Parametric Technology Corporation PTC, uma das maiores empresas mundiais de softwares dedicados ao desenvolvimento de produtos, que está no Brasil há cinco anos e começa a dividir espaço com a IBM.

Entre as quatro marcas veteranas no mercado brasileiro, a Fiat era a única a depender de um amplo suporte tecnológico da matriz. Isso mudou a partir de agosto de 2003 com a inauguração de seu centro de desenvolvimento e estilo em Betim MG. Além de criar o FCC Adventure, seu primeiro carro conceitual exibido nos recentes salões de automóveis de São Paulo e Bologna, a empresa capacitou-se e colocou em curso o projeto virtual de novos motores. O ganho de tempo e de precisão já rende frutos, como o novo motor de 1.900 cm³ que vai estrear no Grande Punto no segundo semestre deste ano.

Um passo decisivo rumo ao futuro é a iniciativa da indústria automobilística junto ao Denatran para eliminar a grande defasagem da legislação brasileira em relação aos testes de segurança passiva de colisão contra barreira. O assunto relevante foi abordado na edição de dezembro da revista Autodata. A regulamentação existente vem de 1973 e permanece intocada, limitando-se a medir deslocamento da coluna de direção e vazamento de combustível. Nem mesmo o uso de bonecos antropométricos dummies, capazes de pré-avaliar a gravidade dos ferimentos ou morte em motorista e passageiros no caso de acidentes, está previsto.

Tal atraso, todavia, não significa que os automóveis aqui produzidos ficaram superados em termos de segurança. Programas de exportação obrigaram a indústria a seguir os parâmetros internacionais. Obviamente, nem todos os modelos seriam aprovados no exterior. O assunto bastante complexo já está sendo estudado pela câmara temática de segurança do Denatran. Pode demorar de três a cinco anos para as conclusões, além de prazos adicionais para enquadramento dos modelos novos e em produção. Uma das dificuldades é compatibilizar os diferentes conceitos de testes entre União Européia e EUA. Há queixas de que uma boa nota nos testes de um lado do Atlântico não se repete no outro lado.

Uma das razões desse movimento espontâneo dos fabricantes pode incluir uma pitada de autodefesa em relação ao futuro ataque de produtos chineses. O que importa, como na velha fábula, é conseguir colocar o guizo no pescoço do gato.

RODA VIVA

TODAS as previsões erraram. Crescimento do mercado interno em 2006 superou os números mais otimistas entre os analistas da indústria. Nem mesmo a Anfavea vislumbrou que 1,928 milhão de unidades vendidas praticamente igualariam o recorde de 1997. Razões saltam à vista: juros menores, prazos maiores, índice de confiança em alta e o efeito positivo dos motores flex. Recordes também de produção e exportação em valores.

EMBORA ainda seja cedo para previsões ainda mais positivas para 2007, com certeza precisarão ser revistas. Crescimento de 12% em 2006 — pelo terceiro ano consecutivo em torno de dois dígitos — é difícil de se repetir uma quarta vez. Só perdemos em crescimento para a China e um ou outro mercado que se recupera de grandes depressões.

CIVIC flex se destaca pela suavidade do motor e as boas respostas quando utilizando álcool, em especial no uso urbano. Uma pena que tenha havido certo exagero na superproteção do sistema de partida a frio: encareceu sem necessidade. Afinal, estamos perto de aposentar o uso de gasolina em dias frios abaixo de 14º C.

RUMORES desde o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro último, acabaram se confirmando com a compra da Troller pela Ford. É a primeira marca com tecnologia própria nacional a ser adquirida por uma transnacional. O utilitário cearense mostrou evolução técnica ao longo do tempo, mas a engenharia da Ford, certamente, dispõe de recursos para avançar ainda muitos passos.

FINALMENTE, o Contran regulamenta a área e o tipo de dano no pára-brisa que sujeita o motorista a multa e retenção do veículo para regularização. Esse abuso é mais comum em ônibus e caminhões pelo alto preço da substituição, mas também ocorre nos automóveis de particulares. Quando o conserto ou substituição é adiado, trincas e fraturas tendem a se ampliar.

Leia outras colunas de Fernando Calmon aqui
________________________________
Receba as notícias mais quentes e boletins de manutenção de seu carro. Clique aqui e cadastre-se na Agenda do Carro!
________________________________
E-mail: Comente esta matéria

Envie essa matéria para uma amigoa
_______________________________
Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors