Coluna do Nasser: de avô para neto

O Austro Daimler Do Dr Porsche
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Roberto Nasser
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– Quem foi ao poderoso encontro de veículos antigos no terceiro domingo de agosto, em pequena praia de cascalho, costa californiana, não se surpreendeu com a votação final – na verdade os critérios do Pebble Beach Concours d ‘ Elegance, este o nome do evento, não são exatamente parametrizados por lógica. Um dos veículos mais interessantes em projeto, constituição, restauração, história, ficou num segundo lugar na categoria de Clássicos Europeus 1925-1931.

O automóvel, Austro Daimler Sports Cabriolet ficou pronto em 1932, vestido com carroceria especial feita por Armbruster K&K Hofwagenfabrik, é considerado o pináculo da tecnologia da época, com motor de seis cilindros em linha, comando de válvulas no cabeçote, 120 hp. Tem o nome de Bergmeister – senhor da montanha, alusão ao bom comportamento de aceleração, capacidade de subida, freios para uso nas escarpas do país. Era construção pela austríaca Austro Daimler, cujo engenheiro-chefe Karl Rabe sucedeu o original Ferdinand Porsche, adotando conceitos deixados pelo criativo agitador das coisas da mecânica, quando comandou e elevou a pequena montadora a referência mundial de tecnologia.

Agora
O Dr Wolfgang Porsche, mais novo dos netos de Ferdinand Porsche, preside o conselho de direção da marca com nome familiar. Comprou o automóvel para incorporá-lo à sua coleção, e o fez não apenas pela importância intrínseca do produto, mas pelos conceitos traçados pela mão familiar, por ser exemplar especial, e por ser austríaco, como o era seu avô.

Honesto, não utilizou seu poder nem afrontou acionistas, poupando-se de enviá-lo para que a área de protótipos da Porsche fizesse restauração. Ao contrário, empreitou com o também austríaco Egon Zweimüller especialista na marca, a restauração em incontestáveis padrões de originalidade, trabalho consumidor de 10 mil horas de trabalho marcadas entre 2007 e março deste ano.

Não ganharia em Pebble Beach pela enorme diferença de conceitos. Os norte-americanos criaram regras próprias, alargando os conceitos, permitindo tão inadministrável quanto não-original incremento em brilhos, reflexos, critério – ou falta de – não praticados por colecionadores sérios em busca da originalidade como retrato da história.

O dr Porsche seguiu o parâmetro de reerguer o raro automóvel seguindo com rigor as especificações de origem da mecânica Austro-Daimler e nas peculiaridades do modelo de restritíssima produção pela K&K; expôs o produto de seu esforço e investimento; com certeza frustrou-se com o pequeno resultado; recolheu carro e troféu; voltou aos seus negócios como executivo principal da lucrativa e criativa montadora iniciada por seu avô.

Semana passada, mostrou o resultado da média ponderada considerados o limite entre a vaidade pessoal, intrínseca a todo orgulhoso preservador da história; a generosidade de dividir seu pedaço de cultura com o público em geral; e sua capacidade de mando: expôs o Bergmeister em seu quintal, o Museu Porsche em Sttutgart, Alemanha, para democrática apreciação das 800 mil pessoas que anualmente percorrem seus 5.600 m2 de área.

Conseguirá mais Ahs e Ohs com a mídia intensa e a visitação muito superior à dos colecionadores que, por US$ 200, passam o domingo em Pebble Beach olhando a peculiar mostra.

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Roda-a-Roda
Melhores – 18ª edição da Ward’s por júri de jornalistas especializados, indicou os 10 melhores motores do mundo. No mercado brasileiro, apenas o Chrysler Pentastar 3,6L que move o Dodge Journey, Chrysler Town & Country e Jeep Grand Cherokee.

Divisão – Sete entre estes usam injeção direta de combustível. Audi, BMW e Ford puxam a fila. O Brasil não os produz a gasolina ou flex com tal tecnologia.

Distante – O mercado interno não instigará tão cedo. O pacote baixado pelo governo fcaptional aumentará a barreira aos importados; impedirá a competição tecnológica; fortificará a ilha da defasagem; aumentará lucros com proteção à falta de competitividade.

+ - A Porsche cresceu 25% até dezembro, vendendo recordes quase 110 mil unidades. Prevê mais em 2012 com o novo 911 a ser lançado no Salão de Detroit. Os Brics assinam os ganhos.

Conta – Marcas Premium da Alemanha, Porsche, Mercedes, BMW e Audi cresceram em vendas numa temporada onde a crise européia encolheu as de aplicação popular.

Coerência – É a teoria do enterro: se vais, vá de primeira classe. Assim, quem pode, e não sabe quantificar os resultados pessoais da imensurada crise, quer aproveitar logo. Compra; troca dois por um; ou está acima das dificuldades e continua vivendo confortavelmente. Simples assim.

Hermanos – No Mercosul a Argentina tem a melhor relação entre salário e preço de automóvel. Ou seja, um argentino trabalha menos horas para comprar um automóvel. Disse-o dona Cristina Kirchner ao inaugurar expansão da Toyota em seu país, implementando a produção de 64.000 para 92.000 unidades/ano do picape Hi-Lux e do utilitário esportivo SW4.

Antecipação – Quer conhecer o novo Ford Fusion 2013 ? Jogo virtual permite visualizar e conduzir: http://fordfusionapp.com.

Siena – Lançamento do novo Siena, sobre a plataforma do novo Palio. A versão atual será rebaixada em equipamento e preço, mantida em produção.

Sonic – A GM prepara lançar no primeiro trimestre o mexicano Sonic, terceira geração do coreano Aveo. Pequeno – em torno de 4m – é mais um no processo de desnacionalização da indústria no Brasil. O Cruze, recente lançamento da marca, é importado desmontado.

Global – Dá para acreditar? A Ford não mais produzirá o picape Ranger nos EUA. O gosto por picapes cada vez maiores, expulsou o Ranger para mercados ascendentes: Argentina, África do Sul e Tailândia.

Recall – A adaptação de plataforma antiga para fazer o Chevrolet Cobalt traz problema logo após o lançamento: o pedal do freio pode se soltar. A GM chama para trocá-los nos carros com chassi entre CB163616 a CB216594. Informações: 0800 702 4200 .

Problema – Há quanto tempo a GM sabe disto sem tomar providências ? Em avaliação da revista Quatro Rodas os Cobalt testados tiveram relatados bloqueio nas rodas dianteiras.Para salvar vidas e patrimônio melhor sustar a produção, deter as vendas, revisar as economias no projeto. Ficar sem freio é mais que emocionante.

... 2 – Tens Nissan Sentra 2010/11, chassis entre 3N1AB6AD0BL600545 e 3N1AB6AD3BL636990 ? Vá a concessionário da marca para trocar o conector da bateria. Pode pifar e impedir o carro de funcionar. Dúvidas?
0800 0111090 ou www.nissan.com.br.

Ocasião – Comprar Zero Km ? Para defender seu dinheiro negocie ao máximo. Fábricas e revendedores tem estoque 2011/2012, e desvalorização prevista com a virada do ano. Aprecate-se, pois à hora da venda eles terão valor de 2011.

... 2 – Comprar um Peugeot 307 ? Dá bom negócio. A montadora passou o rodo na fábrica, e dia 20 mandou aos concessionários, sem consultar, as últimas 1.000 unidades. Não esquentarão no pátio, pois o sucessor 308 começa a ser faturado em fevereiro.

Motor – A Ford anunciou investir R$ 400M em pequena fábrica de motores, 21 mil m2, 210 mil/ano para equipar veículos feitos em Camaçari, Ba – Fiesta e Ecosport. Serão da família para enfrentar crise mundial: 1.0 litro; três cilindros; opcional de turbo compressor. O EcoSport, seu primeiro usuário, incluirá o Brasil no rol dos projetos globais, de produtos comuns, da ação Ford.

História – Ford e governador baiano saúdam-na como a primeira fábrica de motores no Nordeste. Como nem uma nem outro são da boa terra, entende-se a derrapagem histórica: em Aratu, perto da futura fábrica, já se produziram motores. Eram os Magirus-Deutz, diesel, seis cilindros, refrigerados por ar, operação depois vendida à Cummins.

Feliz – Concurso da revista Quatro Rodas diz serem os proprietários dos Renault Sandero e Logan os mais satisfeitos do País.

Dia – São Paulo, capital, criou o Dia do Balconista de Peças, 26 de novembro, proposta do vereador Celso Jatene. Idem, do Mecânico, 20 de dezembro.

Elas – Guia Rápido com dicas de manutenção Ford, voltado às mulheres, encarte da revista Cláudia, também nos Distribuidores da marca. Conta o operacional nesta época de selvageria nas relações entre revendas e clientes.

? – Termo é correto para a ação dos consultores comissionados vendendo serviços desnecessários, não-existentes ou não-realizados: limpeza de bicos, de tanque, de sistema de freios, do filtro do ar condicionado, do rolamento de apoio da correia dentada, e outros de elaborada invenção e consentida prática.

Especialidade - A EF Englishtown, maior escola de inglês on line do mundo, tem módulo com vocabulário específico para indústria automotiva – processos, peças. Bom também a tradutores de livros e filmes, usuais praticantes de barbaridades com a terminologia automóvel. www.englishtown.com.br

Latam – A chilena LAN associou-se à TAM e, comandará a Latam, sociedade surgida. A TAM é maior em tudo – frota, receita, passageiros – mas obedecerá aos sócios. O ovo comprou a galinha e, razões óbvias, mudará o slogan Orgulho de ser Brasileira.

História - A Ford doará ao Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, Gálaxie versão LTD, O Km, apesar de três décadas de produção. Era carro de laboratório, parâmetro aferido para conferir regulagens e emissões. Não será restaurado como automóvel, mas exposto para exibir sua missão de instrumento de engenharia.

Gente - Flávio Antonio Meneghetti, 63, líder. Novo presidente da Fenabrave, entidade de todos os concessionários de todas as marcas. Poderoso. Frédéric Drouin, franco-suiço, 46, curinga na Peugeot, novo presidente da marca no Brasil. Ex diretor de marketing, ex presidente do banco PSA, diretor comercial da marca para AL, tem rara bagagem e intimidade com os jeitos do país. Sucede Guillaume Couzy, 50, promovido a diretor mundial de marketing e comunicação. Poderosíssimo, sucede a herdeiro, lugar na mesa do poder. Passar pelo Brasil rende aos franceses. Jean-Michel Jalinier, presidente da Renault local, dirigirá a Renault Sport, e equipe de Fórmula 1. Direto, sem intermediários, com o número 1, Carlos Ghosn.

Com o Brasil, antes de vir
A ligação da Volkswagen com o Brasil ocorreu muito antes da empresa se decidir a vir fazer carros em nosso país. Em 1946, conta o festejado historiador norte-americano Karl Ludwigsen em seu “ Battle for the Beetle ” , a Volkswagen era uma fábrica bombardeada, com 7 mil funcionários circulando entre destroços e a fumaça dos petardos que ainda reagiam. Sob as ordens do major inglês Ivens Hirch, comandante da área de ocupação, como forma de organização, puseram-se a juntar componentes restantes e produzir os modelos toscos e baratos que faziam durante a II Guerra.

Insólitos, curiosos, baratos e sobretudo de resistência demonstrada durante o conflito bélico, o pequeno automóvel provocou interesses nas missões militares dos países aliados, estacionados na Alemanha. Pedidos de compras do estrangeiro começaram a chegar, uma imprevista novidade.

A gestão inglesa da Volkswagen, representando a vitoriosa Força Aliada, adotou critério de coerência para atender as encomendas: vender a quem guerreou contra a Alemanha. A primeira missão militar a ser atendida foi a brasileira, com carros, a preço unitário equivalente a 250 libras esterlinas – hoje R$ 1.000.

O Brasil foi a primeira venda da Volkswagen ao exterior, e este critério, especulam autores, ajudou a definir a instalação da primeira fábrica fora da Alemanha, direcionando-a ao Brasil em detrimento da Argentina, que oferecia melhores atrativos à época.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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