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Conclusões de Genebra

O que nos interessa diretamente?  VW UP! levanta a antena
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Roberto Nasser
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– O Salão de Genebra tem classificação própria entre essas mostras. É sóbrio e elegante como a cidade, pequeno em suas duas alas, e tenta manter caminho de criar moda por tecnologia ou personalização de produtos. Há poucos anos criou pavilhão verde, para saudar os produtos amigáveis ao meio ambiente, e mantém atrativo espaço às empresas produtoras de pequenas séries, projetistas, carrozzieres que lá vão expor, vender, conseguir encomendas de séries especiais a montadoras – como fazem a Valmet, que não apenas produz tratores, mas conversíveis BMW –, a centenária Bertone em ocaso, e nova pequena montadora, a AC, resgatando o nome inglês e produzindo – cópia? réplica? do modelo original do multicopiado Cobra.

Caminho

Olhar produtos, conversar com executivos grados das empresas, permitiu algumas conclusões. Mais atrevida é que, apesar de todo o foguetório, promoções, incentivos, os carros híbridos, as soluções paralelas ao uso de combustível fóssil, estão perdendo a corrida para o desenvolvimento dos velhos motores endotérmicos a gasolina e diesel. A regulamentação de emissões, algo não inexistente no Brasil, força a redução do envio de poluentes à atmosfera, a adição de álcool a gasolina europeia; os ganhos técnicos com uso de injeção direta; turbos; comandos variáveis para as válvulas; cilindros que desligam com o motor funcionando. Sinalizam, o caminho talvez não esteja apenas a criação de motores elétricos ou sua conjugação com outros, a gasolina ou diesel, mas o aprimoramento destes. Exemplo, atual geração de motores 1.0 com três cilindros e, Peugeot, Citroën, Ford, no uso de turbos em motores pequenos como os VW 1.4, os Ford EcoBooster, os Fiat, Alfa e Lancia 0,85.

Atrações

Todo Salão que se preza tem seus bichos-papões. Faz parte. No caso, o mito Ferrari com a F 12 Berlinetta, motor dianteiro, 12 cilindros em V, deslocando 6.300 cm3 e produzindo 730 cv a elevadas 8.300 rpm, possivelmente um novo referencial como ronco de motor, vazão de gases, elevadas rotações nas sete marchas do cambio de dupla embreagem. A tecnologia simplifica os automóveis, e neste Ferrari sumiu a alavanca de câmbio – um computador faz o trabalho. Em poucos anos você ficará em casa e mandará o carro sozinho... Aliás, neste tempo, para que automóvel? Em desempenho, de zero a 100 km/h em 2.7s, velocidade de pico circa 340 km/h.

Outro extremo do Salão foi protótipo Bentley. Sóbria marca inglesa, ex-metade da Rolls-Royce, hoje Volkswagen, manteve a faceirice com o cupê desenhado por Raul Pires, mas agora apresentou variável, coisa que nenhum inglês submerso em gin conseguiria imaginar: um utilitário esportivo, o EXP – de experimental – 9F. Motorização 12 cilindros em W, 6.0 litros, dois compressores. Diz-se, opção de V8 4.0. Claro, por razões econômicas, plataforma e mecânica desenvolvidas sobre o existente para Porsche Cayenne, VW Touareg e Audi Q7.

Nada a ver? Nada, mas venderá a comitivas para de sheiks, madames californianas acima da crise, deslumbradas nacionais, ditadores de bom gosto. Quem sabe a rainha da Inglaterra troque seu Range Rover por um destes?

Genebra exibiu cena que tira a inocência dos compradores com afinidade por marca, fidelidade à estrutura mecânica, tipo de motor ou tração.

A Subaru apresentou esportivo sem atrevimento estético e sem a tração equilibrada nas quatro rodas, seu conceito e identificação principal. Manteve o motor dianteiro, tirou um pedaço da transmissão, desprezou o diferencial dianteiro, e aplicou simplória tração traseira. E a Toyota, associada da outra japonesa, fez o mesmo: recebeu a mecânica da Subaru e aplicou num esportivo, o GT 86. Isto mesmo, Toyota com motor Subaru cilindros opostos, tração traseira. Porque comprar um ou outro?

Brasil

Quem nos interessa diretamente? O VW UP! levanta a antena. Será feito aqui e a apresentação de versões mostra seu intento. Na Europa combater o Fiat 500 e outros pequenos. Aqui, focar no Fiat Uno. As novas versões são quatro portas, em duas um pequeno furgão, decoração alegre, divertida. A VW conquistou Lucca De Meo, ex-Fiat, planejador do lançamento do 500, para cuidar do UP!. Motorização nova, bloco em alumínio, e muitas aplicações, turbo, injeção direta, harmonizando baixos consumo e emissões.

A VW negaceia quanto ao lugar da produção, conhecido bailado por incentivos e vantagens, época ótima pelas eleições. Mas integra o projeto da marca em ser a 1ª do mundo até 2018, e liderar o ascendente mercado do Mercosul faz parte.

Novidade que virá impulsionada pelas exigências de emissões, o Sistema ACT, desativador dos cilindros 2 e 3, está no novo Polo BlueGT. O novo motor 1.4, 16 válvulas, injeção direta e turbo, faz 140 cv, em consumo surpreendente: 4,7 l / 100 km 21,2 km/l. Com a transmissão DSG, 4,5 l / 100 km 22,2 km/l. Vai a 210 km/h e de 0 a 100 km/h em 7,9 s.

Relevante como importado, o novo Mercedes Classe A tem missão interessante na Europa e EUA: ser carro de jovem. Aqui a escada tem degraus mais altos, mas a pretensão é a mesma: co-optar os primeiros compradores da marca e concorrer com BMW série 1 e Audi A1.

É outro automóvel, nada a ver com o anterior, abandonando a plataforma-sanduíche, segura, inteligente, mas que fazia usuários se sentir andando numa Kombi pequena. A Mercedes quer cercar interessados com versões em patamares de equipamentos e potência, incluindo uma de sua divisão AMG. Motores 1.6 e 115 cv; 1.8 e 156 cv, e 2.0 com 211 cv. Não será feito no Brasil, pois sua fábrica agora produz caminhões, mas na Alemanha, Hungria e China. O “A”, explica a Mercedes, é de Ataque. Será importado com boas perspectivas depois dos números de venda do Classe B.

Roda-a-Roda

Mais uma – Resultado do aumento do IPI para veículos importados, outra montadora promete se instalar aqui, a Brasil Montadora, em Linhares, ES. Não é fabricante, mas importador africano, representante das marcas SsangYang, utilitários esportivos; Changan, mini utilitários, antes ditos Chana, e Haima.

Pé - Investimentos prometidos em US$ 300M e projeto de produção de 10 mil unidades em 2014. Processo corrido para fincar pé e assim ser considerado ao surgir a legislação que regulará os valores de IPI de quem importa, de quem faz, e de quem monta com variados índices de nacionalização.

Caminho – Vendas crescentes nos dois primeiros meses do ano, comparadas com as outras marcas em queda, mostram consistência no projeto Volkswagen em tornar-se líder mundial. Apesar de alemã, a empresa parece acima da crise.

De novo? – Comentários em Genebra sobre o acordo onde GM pagará US$ 2B por 7% das ações da PSA. Questão básica é o desencontro de culturas, que minou negócios assemelhados da Daimler - Chrysler, e da mesma GM com a Fiat. Dado importante, a Opel dá o mesmo prejuízo que toda a PSA, e lembraram, usar as capacidades da PSA para fazer Opels, dará em dispensa na Alemanha, na Inglaterra, e muita confusão institucional.

Sol - Dia 13 a BMW apresenta o Mini Roadster. É automóvel entre o engraçado e o bonitinho, com capota conversível que parece um boné.

Data – A JAC Motors apresentará seu quarto modelo para o Brasil, J5, sedã quatro portas, que lembra o Honda City e Civic. Apresentação em Salvador, Ba, em reverência aos incentivos estaduais. Data 19 coincide com o Dia J, em 2011, de apresentação da marca e inauguração de 50 revendas – algumas já fecharam.

Relógio – Não fará simbólica fixação de pedra fundamental. Assincronismo de hábitos e horários entre paulistas e baianos.

... 2 – Palpitologia, melhor mês para comprar carros de menor preço é o início do ano, quando o comprador não consegue pagar prestação mais as contas do fim de ano, mais matrículas, mais material escolar, mais IPTU, mais IPVA...

Bolinhas – Seguindo outras montadoras, patrocinadora de bolinhas, a JAC Motors apoiará o Rugby, aquele futebol norte-americano.

Antigos – Confirmada 3ª edição do Expo Auto Argentino, encontro de antigos nacionais da Argentina. Será em Francisco Álvarez, a 50 km de Buenos Aires. Foca preservar e divulgar com orgulho a engenharia e iniciativas argentinas, mesma direção do brasiliense Carro do Brasil há 10 anos: o orgulho pela nacionalidade. Mais? http://www.autohistoria.com.ar/

Museu – Em meio ao tumulto pelo despejo e consequente fechamento do Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, uma surpresa: a Advocacia Geral da União pediu prazo em juízo para um projeto de mudança. Não se sabe o que será, mas pelo menos por pequeno prazo adia-se o tentado despejo com violência.

Inexplicável - A motivação oficial dos advogados públicos pagos por mim, por você, por nós, é fechar o Museu e, em seu bem cuidado espaço, mudar, do Rio para Brasília, o arquivo morto de órgão extinto - a ex-Rede Ferroviária, guardado no RJ onde o Ministério dos Transportes tem prédios ociosos. Os advogados pagos pela sociedade querem solução contra a sociedade.


As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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