Conscientização necessária

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Fernando Calmon
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- O fato é que o Brasil tem uma frota de 22 milhões de veículos e discute há mais de 10 anos como implantar o programa. Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, Equador e, em breve, o Peru já inspecionam, embora possuam, em conjunto, uma frota bem menor que a brasileira. Antes de 2006 a ITV não chega por aqui.

As estatísticas no exterior apontam que as más condições de manutenção respondem diretamente por cerca de 5% dos acidentes, porém como causa acessória ou agravante pode atingir 18%. Na Espanha, os acidentes diminuíram 20% depois do início da ITV. No País, certamente os números são piores por questões culturais, de baixo poder aquisitivo da população e péssimo estado de ruas e estradas. Um dos nós da questão é o que fazer com milhões de carros que rodam precariamente por falta de cuidados mecânicos e estão longe de atingir os níveis de emissões e de segurança de padrão mínimo. Sem contar a dificuldade da substituição de catalisadores, peças mais caras que em teoria duram 80.000 quilômetros ou cinco anos, talvez algo mais.

Esse argumento “social” tem sido brandido com freqüência contra a necessidade da ITV. É inconcebível que alguém circule com freios deficientes, pneus carecas, direção com grande folga, luzes queimadas e em função disso se envolva em um acidente fatal. Claro que os motoristas são, em geral, mais cautelosos quando conduzem carros com tais deficiências, mas o risco continua grande. Por esse motivo, toda inspeção é implantada de forma progressiva. Na França, o índice de reprovação no primeiro ano do programa chegou a 40%, mesmo limitado a freios, luzes de freio e pneus, embora o motorista recebesse um relatório sobre outros pontos a corrigir, exigidos paulatinamente nos anos seguintes.

A conscientização está no âmago de um programa do tipo. Ao invés de retirar um automóvel de circulação, deve-se fazê-lo rodar com um mínimo de segurança e torná-lo menos sujeito a panes que causam lentidão no trânsito complicado das cidades. Em um segundo estágio, centros de desmontagem e sucateamento terão que ser criados.

O modelo em discussão projeta uma inspeção nacional coordenada a partir do Contran, em Brasília. O órgão tem pouca estrutura funcional para licitar um negócio que envolverá investimentos da ordem de R$ 1 bilhão. Os Estados se sentem alijados, apesar de fundamentais no processo. Há pontos obscuros como a concessão de 20 anos, renováveis por mais 20, e a obrigatoriedade de detentores de tecnologia possuírem no mínimo 15% do capital das empresas. Sem contar a freqüência, que deveria ser bienal para carros de até sete ou oito anos e, por enquanto, é anual. Teste de ruído torna-se outro complicador por dificuldades práticas de um local adequado.

Enfim, já se sabe que a ITV será mecanizada e visual, sem desmontagem de peças, com controle eletrônico central em rede e vai levar pouco mais de 15 minutos. Resta saber a tarifa que, em outros países, fica em torno de US$ 30,00. Aqui necessariamente deveria ser menos, sem penduricalhos parafiscais. E se a mão não for maior que o bolso do consumidor.

RODA VIVA

APESAR da falta de sintonia entre os governos argentino e brasileiro sobre comércio de automóveis e veículos comerciais, pelo menos o setor de autopeças deu um passo firme em favor do Mercosul. Associações da região, incluindo Uruguai e Paraguai, criarão o Mercopartes, presidido inicialmente por Paulo Butori, do Sindipeças.

REBATIZADO no ano-modelo 2005 apenas como Chevrolet Classic, o Corsa sedã antigo ainda responde por quase um terço da comercialização da linha. Em termos estatísticos, computando-se licenciamentos Renavam, produzirá queda brusca e acentuada nas vendas registradas do compacto da GM.

PICKUP Fiat Treking cabine simples destaca-se pelo desempenho do motor flex de 1.800 cm³. No uso em cidade, utilizando álcool, demonstra elasticidade e agilidade incomuns. Dotação de acessórios de série e opcionais, quase igual ao de um automóvel, é outro destaque. Os bancos precisam melhorar para firmar melhor o corpo. Também falta apoio para o pé esquerdo.

DISPOSITIVO único de alternador e motor de partida do Citroën C3 europeu permite desligamento e partida automáticos no pára-e-anda do trânsito. Mas exige esquema alternativo de climatização. A Valeo também desenvolveu caixa de acumulação de gelo para manter ar frio e bomba d’água elétrica para circular água quente do motor pelo aquecedor.

INTERAÇÃO entre policiamento em estradas e o Centro de Experimentação e Segurança Viária Cesvi, ligado às companhias seguradoras, é exemplo saudável de cooperação. Cesvi criou um programa de computador para monitorar os pontos críticos em estradas paulistas que pode ajudar a diminuir acidentes. Qualquer órgão de trânsito estadual ou fcaptional terá acesso.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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