Desafios a vencer

  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Desafios a vencer
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Avanços tecnológicos costumam ter percalços, incompreensões e até opositores. A linguagem erudita utiliza uma palavra — misoneísta — para classificar aquele que repudia ou teme as inovações. Na área automobilística há vários exemplos de obstáculos. Apenas para citar alguns: os freios eletroidráulicos da Mercedes-Benz e a carroceria de alumínio em carros mais baratos Audi A2. Em ambos os casos as fábricas recuaram, sem significar que abandonaram para sempre tais soluções.

Por outro lado, a tecnologia de propulsão híbrida — uso conjugado de motores a combustão e elétrico — foi exageradamente exaltada quanto ao consumo de combustíveis fósseis e à poluição. Essa coluna, no entanto, já havia ressalvado que os custos envolvidos eram altos demais, incluindo manutenção geral e reciclagem das baterias. Agora a empresa de pesquisa americana CNW Marketing Research analisou o valor total por quilômetro rodado de uso dos híbridos ao longo de sua vida útil, considerando o preço inicial no mínimo 30% superior. Concluiu que os híbridos são bem mais caros que os carros convencionais nos custos globais, inclusive no balanço energético, apesar das vantagens ambientais. Também não quer dizer que devem ser descartados, apenas que falta desenvolvimento.

No recente simpósio sobre Tecnologias Automotivas organizado em São Paulo SP pela SAE Brasil, ocorreu um interessante debate sobre motores flex álcool-gasolina. Depois de três anos e o sucesso talvez rápido demais, fica a sensação de que a indústria avançou pouco em temas como consumo de álcool e partida a frio sem uso de gasolina. João Alvarez, da Volkswagen, alega que combustíveis adulterados exigem cautela. Ainda assim, nos motores de 1.000 cm³ da marca, as taxas de compressão já subiram para 13:1 e o consumo caiu de 3 a 5%. Roberto Stein, da Delphi, reconhece que o Brasil continua na frente, mas sem apressar o passo vai ficar para trás.

Na realidade, a indústria só agora se recupera de prejuízos passados e vem investindo pouco mesmo na tecnologia flex. No caso de partida a frio, deixou para os fornecedores o trabalho árduo e caro de desenvolvimento. Taxas de compressão altas oferecem algum risco, de fato, ao usar gasolina em um motor flex, porém existem soluções fáceis para isso, se as fábricas se empenharem.

Um problema novo é a possibilidade de fraudes em postos ou distribuidoras que podem adicionar mais álcool à gasolina padrão. O motor continua funcionando bem, enquanto o motorista perde dinheiro duas vezes: ao abastecer e ao rodar, pois o consumo sobe desproporcionalmente ao esperado. Em caso de desconfiança, deve-se exigir o teste com bureta graduada existente em todos os postos, mas é algo pouco prático. Ideal seria um dispositivo simples e barato em cada bomba de abastecimento que apontasse o teor de álcool na gasolina de forma direta, da mesma forma que os densímetros termocompensados acusam o teor de água no álcool.

Enfim, várias dificuldades costumam acompanhar as novas tecnologias, em especial as de natureza financeira, na maior parte das vezes um entrave maior do que o conhecimento. Não devem ser motivo de desânimo e sim de desafios a vencer.

RODA VIVA

APESAR de cinco dias úteis a menos em abril, comparado a março deste ano, a indústria automobilística mantém o forte ritmo de vendas internas de quase 7.000 unidades/dia. A produção, que inclui exportações, ficou em 11.600/dia, no mês passado. Até o final do ano, as exportações em unidades vão diminuir, mas crescerão ligeiramente em valor, estabelecendo novo recorde.

ALÉM da versão de entrada do Vectra, mais barata e pronta para sair, a GM pode rever o preço da versão Elite, topo de linha. Tudo em função da aceitação do Fusion, cujas primeiras unidades começam a ser entregues só no início de junho. Na verdade, a Ford surpreendeu o concorrente pelo preço menor do que o esperado, mesmo com o imposto mais alto do motor de 2,3 litros.

BOSCH aposta no crescimento do mercado de ABS freios antitravamento mesmo com a valorização do real, que prejudica a nacionalização. Em um ano começa a produzir em Campinas SP. Decisão independeu de rumores de que quatro fábricas encomendariam grandes volumes para tornar o ABS mais acessível.

CONFIRMADA a informação da coluna, que estimou em 80% a participação de compactos e seus derivados nas vendas totais de automóveis e comerciais leves no Brasil. Segundo Paulo Garbossa, da consultoria ADK, são exatos 79,53%. Tais modelos deixam margem pequena de lucro e necessitam de produção em alta escala e assim exigem ajuda primordial de exportações.

CRISE gerada com a expropriação da Petrobras na Bolívia deve trazer reflexos à decantada auto-suficiência na produção nacional de petróleo. Transportar gás a partir das profundezas do oceano, onde estão as reservas brasileiras, é ainda mais caro do que por gasodutos terrestres. Isso acabará por drenar parte dos pesadíssimos investimentos para a produção de óleo acompanhar a demanda nos próximos anos.
_______________________________
E-mail: Comente esta coluna

Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors