Devagar com o andor

  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Devagar com o andor
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- No momento em que se completam 15 anos da fundação do Mercosul, algumas notícias desestimulantes nos últimos meses lançam dúvidas sobre a competitividade da indústria brasileira frente à Argentina. Afinal, executivos dos principais fabricantes começaram a traçar cenários positivos, sendo o principal a rápida recuperação da economia e do mercado interno locais, além da política de manter o peso desvalorizado em relação ao dólar e ao real para incrementar as exportações. Fala-se, claramente, em investimentos adicionais no país vizinho e geração de empregos, enquanto no Brasil haverá impacto de até 6.000 cortes na Volkswagen ao longo de três anos.

Em termos de novos produtos, vários atravessaram a fronteira e têm alcançado sucesso. Somente em 2006, Volkswagen SpaceFox mês passado assumiu a liderança entre as stations pela primeira vez e os novos Peugeot 307 hatch e sedã se transformaram em lançamentos de peso, além da consolidação dos Toyotas Hilux e SW4. Por vantagens cambiais, outros modelos que haviam saído de cena das concessionárias voltam agora, como o Citroën Berlingo e, a partir de dezembro, o Chevrolet Tracker, gêmeo do Suzuki Vitara, produzido na fábrica da GM em Rosário. Neste caso, virá com motor a gasolina e não a diesel para ter preço bem mais competitivo do que antes, próximo ao do EcoSport.

Parte da produção em fábricas brasileiras está dividida com a Argentina. Peugeot 206 e Chevrolet Classic vendidos podem tanto ter sido produzidos aqui como lá. Há rumores de que o Clio de duas portas será deslocado de São José dos Pinhais PR para Córdoba. Os Citroëns C4 sedã e hatch estão reservados para Palomar, arredores de Buenos Aires. A Volkswagen ainda não anunciou, mas o projeto NF sucessor do Gol, convivendo por bons tempos terá uma versão, provavelmente o sedã, para Pacheco. Fala-se também na nova S10 por lá. A Fiat é a única que parou de produzir veículos, contudo estuda a volta em parceira com a indiana Tata. Este ano mais de 450.000 unidades serão comercializadas na Argentina apenas 82.000, em 2002, perto do recorde de 500.000, de 1994.

No entanto, o Brasil parece melhor do que nos discursos. Só a Renault investirá US$ 360 milhões, que somados aos US$ 150 milhões da Nissan e sete novos modelos da aliança franco-nipônica até 2009, não é coisa pouca. Além do Peugeot 206 sedã, haverá dois novos Citroëns que a coluna antecipa: monovolume compacto derivado do C3 terá primeiro a versão aventureira, em 2008, e só em 2009 a versão normal. A primeira pickup média da VW, em princípio prevista para a Argentina, pode vir para São Bernardo, além da confirmação do NF hatch que terá a base do Polo/Fox. É certo que perdemos Chrysler, Land Rover, Audi e, parcialmente, a Mercedes, enquanto a Hyundai começará de modo tímido em 2007.

Não é bom esquecer, porém, os riscos na Argentina. Há inflação alta e represada, além de baixo investimento em infra-estrutura por razões intervencionistas do governo. Existe ainda congelamento disfarçado de preços dos veículos, algo que a indústria sempre mostra sérias preocupações e restrições ao distorcer o mercado. Devagar com o andor, porque o santo é de barro...

RODA VIVA

PRISMA, sedã derivado do Celta, mantendo personalidade própria e forte, chega para comprovar que entre os compactos não há tanto diferença assim entre compradores de hatchs e sedãs. Basta ter bom preço e ele tem: R$ 30 mil a R$ 36 mil. Alguma migração de outros modelos Chevrolet pode ocorrer, mas no final é provável que ajude a marca a subir em participação de mercado.
PONTO alto do Prisma, motor 1,4 litro Econoflex alcança nada menos que 97 cv com álcool, 9% a mais que os 87 cv com gasolina. Diferença será logo notada pelo motorista. Desbancou o Ford Rocam como melhor flex brasileiro. GM afirma que desempenho superior não desequilibra o consumo de combustível: basta multiplicar preço da gasolina por 0,7 para que o álcool ganhe no custo/km.
SOLUÇO em vendas e produção no mês de setembro teve aspectos meramente conjunturais, como menos dias úteis e greves em S. Paulo e Paraná. Importa é a média diária de vendas: 7.222 unidades em 2006, 11% maior do que 2005. Já há quem aposte que o mercado interno feche o ano muito perto de 1,9 milhão de unidades, só 4% abaixo do recorde de 1997.
NAVEGADOR portátil Easyroad, da Magneti Marelli, comutará automaticamente de mapas para setas em sua tela de 3,5 pol, quando chegar em um mês. Reflexo da regulamentação imprópria do Contran, que trata o motorista brasileiro como ente de segunda categoria em relação ao resto do mundo. Empresa espera vender até 50.000 unidades em 2007 por preço em torno dos R$ 2 mil.
ITURAN, fabricante de rastreadores, acertou com a Mapfre um seguro apenas contra furto e roubo antes inexistente. Não exige perfil, nem valor diferenciado por idade e residência. Fica bem mais transparente a vantagem de instalar rastreador: seguradoras não costumam repassar ao cliente, na totalidade, a diminuição dos riscos.

_______________________________
Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

________________________________

Receba as notícias mais quentes e boletins de manutenção de seu carro. Clique aqui e cadastre-se na Agenda do Carro!

______________________________
E-mail: Comente esta matéria

Envie essa matéria para uma amigoa

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors