Missão ingrata

  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Missão ingrata
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Segurança é um dos temas mais importantes do mundo automobilístico e sempre se deve aplaudir quando pessoas e entidades se preocupam com o tema. Organizações não-governamentais ONG ligadas aos direitos dos consumidores dão, relativamente, pouca importância ao assunto, mas isso está começando a mudar. É o caso da Pro Teste, do Rio de Janeiro, que organizou em São Paulo SP um seminário sobre segurança dos automóveis. A ONG se esforçou, dentro de recursos limitados, em fazer um evento aberto e ouvindo todos os lados.

Convidou palestrantes também do exterior. Jean-Marie Mortier, da Euroconsumers, que representa uma rede de publicações ao consumidor especializada em testes, e Guido Adriaenssens, diretor da EuroNCAP, entidade independente que compra e faz testes de colisões em automóveis vendidos na Europa desde 1996, mostraram uma visão avançada e de grande civilidade. Guido afirmou que associações semelhantes existem também nos EUA, Japão, Austrália, Coréia do Sul e China e sugeriu que o Brasil tomasse a iniciativa na América do Sul.

NCAP sigla em inglês para Programa de Avaliação de Carros Novos implica investimentos pesados sustentados por associações de consumidores, seguradoras, clubes automobilísticos e governos. Conseguiram, por meio de testes rigorosos, sensibilizar a indústria automobilística a produzir carros mais seguros. Passados 10 anos, a evolução técnica do produto salta aos olhos com a evolução das notas atribuídas a cada novo modelo. No entanto, os carros encareceram cerca de 30% no mesmo período, o que não chega a ser exatamente um problema em sociedades ricas.

A Anfavea participou do seminário e ressaltou que testes feitos por fabricantes no Brasil seguem as normas internacionais, bem mais rígidas do que as brasileiras. A associação destacou o baixo poder aquisitivo como uma dificuldade para viabilizar novos itens de segurança. No entanto, a Anfavea deveria ser coerente em relação a equipamentos que sofrem restrições no exterior. É inaceitável algumas marcas continuarem a oferecer acessórios condenados em outros países, como quebra-mato, só porque a legislação brasileira não proíbe.

A Pro Teste perdeu a boa chance de apontar essa falha. Infelizmente, a entidade também se atrapalhou ao analisar o nível de segurança dos automóveis. A sua revista de março traz uma reportagem com vários erros bisonhos, típicos de quem pouco se cercou de gente que demonstrasse conhecimentos. Como explicar sugestões para uso de barras de proteção laterais e pára-brisas que não estilhaçam, se todos os carros já os possuem? Ou exigir alarmes de aproximação sem saber do que se trata? O que chamou de “kit básico de segurança” é uma lista desconexa e inviável.

Por outro lado, a Pro Teste defendeu a tese correta, embora não-inédita, de que o governo poderia abrir mão de impostos sobre itens de segurança a fim de que se tornassem mais acessíveis ao consumidor. Argumentou, a exemplo dos europeus, sobre menores despesas no tratamento de acidentados, embora no fundo tudo saia sempre do bolso do motorista. Pela baixa perspicácia de quem decide sobre impostos no Brasil, trata-se de missão ingrata, mas merece todo o apoio.

RODA VIVA

SCÉNIC Sportway, mais um modelo a seguir a onda de espírito aventureiro que assola o mercado brasileiro, pelo menos não pendurou pedaços de cano na frente do veículo. Solução ficou esteticamente aceitável. Segue o esforço, liderado pela União Européia, de produzir veículos com frentes menos agressivas aos pedestres.

MESMO caminho a ser adotado pela Fiat na versão Adventure do monovolume Idea, que chega ainda neste semestre. Marca italiana foi a primeira a abandonar o uso de quebra-mato na Weekend e na Strada, optando por algo mais criativo e condizente com a segurança.

IDEA também deve receber primeiro câmbio manual automatizado a ser produzido no Brasil pela Magneti Marelli. Meriva de exportação usa o mesmo tipo de câmbio, mas da Luk, importado da Alemanha. Tanto GM como Fiat estão cautelosas quanto à aceitação, porém se trata de equipamento útil e mais barato que o automático convencional.

GOVERNO iniciou tardiamente uma campanha sobre a escolha entre álcool e gasolina nos motores flex. Optou pela conta mais complicada, de divisão do preço do álcool pela gasolina. Melhor é multiplicar o custo da gasolina por 0,7, o que pode ser feito mentalmente. Graças ao uso de gasolina, o preço do álcool nas usinas sofreu o primeiro pequeno recuo em sete semanas. Mas demora ainda no mínimo um mês para chegar aos postos.

GM já vendeu as participações na Isuzu, Subaru e Suzuki para enfrentar a grave crise financeira nos EUA. Seu prejuízo em 2005 foi reavaliado para mais e passou de US$ 10 bilhões. Das anteriores aquisições só a marca coreana Daewoo está trazendo bons resultados. Solução definitiva para o ainda maior grupo industrial do mundo só com a venda de estimados 60% do controle da GMAC, braço financeiro bastante lucrativo de qualquer fabricante automobilístico.
________________________________
E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors