Para um robô que pilota motocicletas

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Karina Autopress
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- Para aumentar a exatidão e a eficiência de testes de motos de alto desempenho, a Yamaha desenvolveu um sistema de controle para a operação automatizada de motocicletas "pilotadas" por robôs com forma humana.

Com o aumento dos níveis de desempenho dessas motos, os pilotos de testes têm necessariamente de ser altamente experientes e hábeis. Mesmo assim, a capacidade de perceber nuances e de manter sua performance individual em séries seguidas de testes é quase impossível de conseguir. Para resolver esse problema, a Yamaha desenvolveu um sistema de controle usando um robô antropomórfico do torso para baixo que controla acelerador, embreagem, mudanças de marchas, tornando possível a operação automatizada e melhorando a exatidão e a repetibilidade dos dados.

A moto fica no dinamômetro de chassi e recebe vento de frente, à mesma velocidade que a definida pelo trem de força da moto. Os parâmetros operacionais podem ser controlados automaticamente através de programas pré-definidos, e o técnico na unidade de controle do túnel de vento só tem o trabalho de dar partida remota ao motor para que o teste todo seja completado. Os dados de controle entram e saem da mesa do técnico através de unidades de entrada e saída, que passam as instruções ao robô e estabelecem as condições climáticas e de carga. Ao mesmo tempo, dados vindos de vários sensores na mesa são igualmente enviados ao controlador por meio das unidades de entrada e saída. O controlador monitora o status operacional, registra os valores medidos e os transmite dos sensores ao registrador central.

O robô tem duas atuações importantíssimas: ele muda as marchas e controla o acelerador, além de definir o ajuste de ar ao redor do motor, como se fosse realmente um motociclista humano sentado no selim. Isso é vital, já que o fluxo de ar ao redor do corpo do piloto pode se tornar um grande problema. A parte superior do corpo humano não afeta este fluxo de ar ao redor do motor – e por isso o robô simula apenas a parte inferior.

A mudança correta de marchas, no momento correto, é importantíssima – mas geralmente pode ser julgada apenas pela observação do movimento do pedal. Por isso, o sistema de medição detecta tanto o movimento como a carga ao mesmo tempo. Quando a mudança é feita corretamente, a carga aumenta cerca de 50% na primeira parte e diminui daí para a frente na segunda. Se, porém, a mudança é feita incorretamente, a carga não diminui até que o movimento do pedal pára.

Para detectar tanto a carga como o movimento simultaneamente, é possível julgar se há uma mudança de marchas incorreta. Para isso, é necessário um sensor altamente acurado, capaz de detectar mudanças nas cargas de mudança sob condições de vibração do motor.

Inicialmente, a Yamaha usou um medidor de deformações tipo célula de carga – mas a sensitividade de detecção deste tipo de sensor era baixa, impedindo a obtenção do controle necessário e impedindo a detecção de mudanças de marchas incorretas. Quando se tentava maior sensitividade, o sensor quebrava e seu atuador se separava do pedal de mudanças.

A Yamaha passou então a usar um sensor magnetorestritivo, desenvolvido "em casa". Este tipo de sensor sente a mudança de indutância que acompanha a deformação. Devido ao fato que a razão de mudança é bem mais alta do que a de células de carga, sua sentividade é melhor. Ele é também mais leve e menor, com alta capacidade de resposta e resistência a cargas. Se operado dentro dos limites de carga, pode ser usado um milhão de vezes.

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José Luiz Vieira é engenheiro automobilístico e jornalista, diretor de redação da revista Carga & Transporte e do site TechTalk www.techtalk.com.br, sócio-proprietário da empresa JLV Consultoria e um dos mais respeitados jornalistas especializados em automóveis do Brasil. Trabalhou como piloto de testes em várias fábricas e foi diretor de redação da revista Motor3. E-mail: joseluiz@jlvconsultoria.com.br

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