Recorde de vendas e a redução do preço

Por que as montadoras não baixam os preços dos seus carros?
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Diferentemente de alguns dirigentes da indústria automobilística, Cledorvino Belini, presidente da Fiat, acha que não foi o IPI, sozinho, que impulsionou o mercado de carros a partir de janeiro e conseguiu manter o nível de vendas até um pouco acima do ano passado.

Ele credita as boas vendas também à ampliação do financiamento. Tanto que considerou “adequada” a política do governo de retomar o índice anterior do IPI gradualmente, a partir de outubro, quando acabar a prorrogação.

Para ele, mais importante para impulsionar as vendas de veículos é a redução dos juros. No entanto, Belini diz que sempre vai defender a redução de impostos, “porque o Brasil tem uma carga tributária alta e porque, com o aumento na demanda por conta da redução do imposto, a arrecadação não vai diminuir”, segundo o dirigente.

Ele fez referência ao estudo de elasticidade, feito por uma empresa de consultoria, que mostra que o aumento de vendas é proporcional à redução do preço final do carro.

Segundo o estudo, a cada ponto percentual de redução no preço de um carro pequeno, até R$ 35 mil, as vendas sobem 3%. Quer dizer, se um carro de R$ 30 mil ficar 10% mais barato, ou R$ 27 mil, ele terá um aumento de 30% nas vendas.

Nas outras faixas de preço a repercussão é menor, mas a redução do preço também alavanca a demanda. Nos carros de R$ 35 mil a R$ 60 mil, cada ponto percentual de desconto provoca um aumento de 1,47 ponto na demanda e nos carros que custam mais de R$ 60 mil cada 1% de redução significa 0,6% de aumento de vendas.

Segundo estudo feito pela Agência Autoinforme, com base na cotação da Molicar, o preço do carro zero caiu 1,68% no primeiro semestre, para um aumento de vendas de 3%.

Pegamos ao acaso 17 modelos das três faixas de preço e constatamos que apenas dois – Palio e Sandero – tiveram comportamento de acordo com o estudo de elasticidade. O Palio teve o preço reduzido em 9,1% e aumentou as vendas em 25% entre setembro de 2008 antes da crise e junho último. O Sandero cresceu 7,9% nas vendas no período, com uma redução de preço de 5,3%. Todos os demais modelos estudados não acompanharam o comportamento traçado pelo estudo.

O que é questionável é que as montadoras, sabendo do excepcional aumento de vendas por conta de uma pequena redução dos preços, porque não baixam os preços dos seus carros? Ao contrário, reclamam dos impostos e defendem a redução da carga tributária.

Por que não abrem mão de uma pequena parte da margem de lucro, se isso vai ampliar efetivamente as vendas?

O governo e por conseqüência todo o povo brasileiro - que se beneficia dos impostos – já fizeram a sua parte, abrindo mão de uma parte da arrecadação em favor da recuperação da economia.



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Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da Agência AutoInforme, especializada no setor automobilístico, que fornece informações para vários veículos de comunicação. Produz e apresenta o Boletim AutoInforme, das rádios Bandeirantes, Band News e Sul América Trânsito. É formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Semiótica e Meio Ambiente.

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