Salão de Genebra, do verde, do otimismo

Evento reflete a verdade do ano: 2010 marcará a decisão para a mudança ao uso menos poluente dos automóveis.
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Roberto Nasser
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Realizado na independente Genebra, contraforte dos Alpes, é bom negócio, na 80ª edição e exibe o retrato do reinício pela demanda. Suave, mas demanda inversora do sinal dos gráficos, e a temperatura externa de 3 graus centígrados nada tinha a ver com o clima interno. Há a interesse local, com muitos vendedores de livros, miniaturas, restaurantes. É uma volta aos bons dias. Trava-se luta por espaços e atenções. Muito a exibir, observar, mas pouco o tempo aos expositores. Mantém a receita, mas com menores gastos, reduzido número de recepcionistas, e o material de divulgação, foi trocado. Nada de folhetos ricamente coloridos, mas cartõezinhos com link eletrônico. Sinal dos tempos.

Ao contrário dos salões de impacto - Detroit e a alternância entre Frankfurt e Paris - Genebra exibe a face de elegância do mundo automóvel, marcada pelos carrozziere, pequenas marcas, carrocerias especiais, transformadores e preparadores de veículos, exibindo, por si só, o refinamento construtivo, a pequena produção personalista. E reflete a verdade do ano: 2010 marcará a decisão para a mudança ao uso menos poluente dos automóveis.

Claro, acelerando para distanciar-se dos eflúvios da crise norte-americana, e seguir a nova receita de eco-sobrevivência, exibir veículos com menores emissões - conseqüência de menor consumo, menor porte e capazes de usar combustíveis não petrolíferos, seja por tração exclusivamente elétrica, seja com mescla de líquidos renováveis, como etanol, biodiesel. Desde o ano passado o antigo Hall 3 passou a ser chamado Green verde Pavillion, e as novidades de um futuro indesviável. Sinalizam o futuro, mas com qual combustível chegar a ele é a questão.

Ecologia

Atira-se a esmo com os novos lançamentos, como o renascimento do automóvel, um século após, quando se comprava aquele charmoso brinquedo e não se sabia, com positividade, como e se iria funcionar. Hoje há procedimentos assemelhados, com a mistura e as opções variadas para poupar energia. Das situações de evolução, como motores de menor consumo e emissões, que desligam cilindros quando não são solicitados, também nos sinais ou ao pisar o pedal do freio, gerando energia para a bateria nas frenagens. E as revoluções: elétricos; gasolina + elétrico; diesel + elétrico; gerador de hidrogênio. Qual o futuro?

Como veículos da dúvida a Chevrolet voltou a apresentar o sedã Volt, também base da proposta, o Citroën Survolt, atrativo em suas linhas esportivas, demasiadamente esportivas para entrar em produção. Renault com passos, acordos com cidades e promessa de quatro modelos elétricos em produção industrial até 2012.

A Mercedes manteve o caminho do diesel econômico e motor elétrico, subindo a proposta para o intermediário sedã E 300.

Na prática

Dos veículos palpáveis, muitas novidades de possível convívio no mercado nacional, como o interessantíssimo SLS, esportivo fabricado pela AMG, braço esportivo da Mercedes-Benz. Chassis e carroceria em alumínio, inspirado no mítico SL 300, o Asa-de-Gaivota pelas portas abrindo para cima, tem feliz identificação, diferindo levemente na traseira. Dentro do processo de down sizing, a redução de tamanho, peso, consumo e emissões, deixou de lado o volumoso V8 de 6.3 litros e desenvolveu outro, 5.7, com dois turbo alimentadores, e 541 cv de potência. Faz, acredite, quase 10 km/litro. Será o carro madrinha das provas de Fórmula 1, lançamento em setembro. Na marca é o lançamento do E, que no caso brasileiro será o E 350 Cabrio, conversível muito interessante, para quatro pessoas e para uso durante todo o ano, independentemente de chuva ou neve. É bem vedado, possui capota à prova de intempéries, e adjutórios de aerodinâmica, permitindo andar sem despentear os cabelos. Na Europa motores diesel. Aqui, a gasoalcool na versão 350, transmissão hidráulica.

Kia apresentou o novo Sportage, com garantia de 7 anos. Carroceria mais atualizada, linhas com inspiração aerodinâmica, idem para o novo-de-novo Toyota RAV4, agora sem estepe externo e grande como um Sportage - o volume tirou-lhes o charme. Ford com station wagon - camionete sobre o Focus - factível para o Brasil se o mercado latino americano reagir nas vendas. O Duster Dacia - marca barata da Renault - é o Sandero em versão utilitário esportivo, em preparação no Brasil. Com um pé acima dos projetos, o Mitsubishi ASX, compacto crossover em estudos para produção nacional.
Nos automóveis, BMW série 5, Audi A1 - muito bem acertado, lembrando o conceito dos Mini e, na Alfa o sinal de futuro: Giulietta substituindo o antigo 147. Maior, no segmento C, para competir com Golf, Audi A3. Plataforma nova, do 147 aproveita a estrutura dos bancos dianteiros. Suzuki continua esticando seus modelos, e o sedã Kizashi, Volvo com o novo S60, com inovador sistema que, em caso de acidente eleva o capô pouco antes para amenizar choque e danos.

Do insólito, um novo esportivo australiano Bufori; a Valmet, para nós apenas fábrica de tratores, assumindo oficialmente seu lado de construtor de automóveis para terceiros - como Porsche os esportivos elétricos Karma; a Bertone querendo fazer-se lembrar após 80 anos de história e a briga familiar em que se meteu exibindo futurístico - e de improvável produção; e a volta da prestigiosa marca Hispano-Suiza. Agora nem espanhola nem suíça, mas alemã com seu esportivo a 750 mil euros - uns R$ 3M.

Para o futuro que pode nos atingir, o novo motor 2 cilindros, verticais, 900 cm3, da FPT. Na Itália moverá o Fiat 500 e, diziam, o Alfa Giulietta. O motor tem dois cilindros, dois comandos de válvulas, eixo contra-rotante para equilibrar vibrações, cabeçote Multi Air, 875 cm3, produz 65 cv aspirado, 85 ou 105 com turbo. Vantagem, enorme torque 14,5 mkgf com 90% a 2.000 rpm. É o primeiro do caminho dos motores menores e disposição de fornecimento mundial. Chegará aqui.

Futuro

Tempos mudam e, embora não tenhamos consciência disto e por perdermos a oportunidade de liderar o mundo com os combustíveis alternativos, sofreremos, embora com defasagem, as conseqüências mundiais da alteração de exigências. Hoje na Europa o número buscado pelos compradores não é mais a potencia ou cavalagem, mas quanto às emissões. Nossas instituições e nossas montadoras andam a reboque.


Roda-a-Roda


Futuro – Sérgio Marchione, presidente mundial da Fiat, disse em Sorocaba, SP, na re-inauguracão da fábrica da Case New Holland - seu braço de máquinas agrícolas - da possibilidade da família Jeep ser produzida no Brasil. Não disse mais: modelos, onde etc. Mas ficou claro ter percebido que a este país grande e descompromissado com rodovias, revestimento e conservação, é carente de veículos com habilidades.

Realidade – Duas marcas tradicionais mudarão de mãos em março. A criativa Saab, hoje GM, irá para a Rinspeed, pequena suíça. E a Volvo, também suíça, para a chinesa Geely, em busca de referencia ocidental de qualidade.

Falta – Como insiste ingloriamente este espaço, nossa frota de veículos leves, toda com tração dianteira, pode ser resistente, mas é inadequada as exigências do país. O capo Marchione não precisava ir tão longe, pois tem a solução em casa, com o Panda e o Sedicci. Mas o problema da Fiat é saber o que fazer com a Chrysler e seus produtos, depois que assumiu a marca. O Jeep foi o primeiro a ser feito aqui e já foi líder de vendas no Brasil.

Sociedade – Como informado pela Coluna, um banco assumiu a oitava parte das ações da MMC Automotores, produtora dos Mitsubishi no Brasil, comercializadas por Paulo Ferraz, um dos fundadores e presidente que se afasta do negócio. O banco é o Pactual e a associação é vista como construtiva para ambas as partes.

Retífica RN – A Coluna derrapou feio na edição passada. A sueca Saab foi vendida a pequena holandesa Spyker. E a fábrica Caterpilar fica em Piracicaba. Quem está em Sorocaba é a Case New Holland.

Braço – Para marcar 41 anos de atividade, a Escola de Pilotagem Interlagos, dirigida pelo promotor Antonio de Souza Filho, comemora com o curso, “Piloto por um dia”. Autódromo de Interlagos, com alunos pilotando carros de corrida, dia 28. A fim de realizar um sonho? Escola de Pilotagem Interlagos: 11 5660-7212.

Gente - Cledorvino Belini, 60, administrador, presidente dos negócios Fiat na América Latina, futuro presidente da Anfavea. * Associação das montadoras gira a presidência e a vez caberá aos italianos. * Questão a instigar os que acompanham seu trabalho é saber como arranjará tempo. * Ser presidente da Anfavea, a sério, é abrir mão dos interesses de seu empregador e aplicar-se ao setor e à sociedade.


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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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