Seguir sem tropeço

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Fernando Calmon
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- O mercado brasileiro continuará se recuperando, mas está difícil prever o ritmo. Havia a esperança de em 2007 se igualar o ano recorde de 1997, quando se venderam quase dois milhões de unidades. Essa meta, no entanto, deve atrasar um ano, pelo que se observou no seminário Tendências na Indústria Automobilística, realizado recentemente pela SAE Brasil, em São Paulo, SP.

O Brasil teve que absorver, nesse período, choques econômicos internacionais, desvalorização cambial, recrudescimento da inflação, mudança de governo e agora uma prolongada crise política interna. Ainda assim, precisar de 11 anos para retornar ao ponto em que já se tinha chegado é realmente frustrante. Essa cadência de recuperação extremamente lenta explica a perda de dinamismo e os poucos lançamentos de produtos novos de fato. Este ano, por exemplo, ficará marcado apenas pelo Idea, novo Vectra e os Hilux pickup e utilitário esporte, além da revitalização da família Gol/Parati/Saveiro e a derivação CrossFox.

A indústria reclama de prejuízos financeiros porque tem grande capacidade ociosa. A situação tende a melhorar graças às exportações que crescem a uma velocidade surpreendente, batendo recordes sucessivos, apesar do real valorizado. O País exporta um terço de sua produção atual, permitindo, no final do ano, ocupar 75% das linhas de montagem, bem perto dos 80% que começam a gerar retorno aos investimentos.

Na realidade, o mercado interno deveria atingir 2,5 milhões de unidades anuais — 800.000 além do previsto em 2005 — para induzir a diminuição da defasagem tecnológica e o surgimento de mais novidades. Ninguém, durante o seminário, quis se comprometer com a previsão de uma data.

A Anfavea tem apresentado sugestões ao governo. A evidente é a diminuição da carga tributária ou, pelo menos, a sua diluição ao longo dos anos de utilização do veículo. Afinal, a cada 10% de redução do preço as vendas podem subir 20%. O Sindipeças ainda espera ser possível criar um indispensável plano de financiamento a juros baixos para carros compactos, apesar dos obstáculos econômicos e políticos de tal proposta. Outros setores também gostariam de um conseguir um programa semelhante.

Em curto prazo, o Brasil vai negociar com a Argentina o livre comércio bilateral, previsto para 2006, mas que deve ficar para 2008 pelo eterno choro do nosso vizinho. Importante também o acordo com a União Européia presumido para 2007. Permitiria que o Brasil exportasse carros sem pagar os 10% de imposto de importação vigente lá. Os europeus, por sua vez, venderiam aqui, também sem imposto, uma cota inicial de 42.000 carros por ano e o restante obedeceria a uma escala decrescente de alíquotas ao longo de uma década.

Essa tendência de fechar acordos multilaterais entre blocos econômicos é o que de melhor pode acontecer para o consumidor realmente se beneficiar de uma oferta atualizada e diversificada de produtos nacionais e importados. Mas a recuperação do poder aquisitivo e a oferta de crédito a prazos longos com juros menores, sem artificialismo, são a garantia de que não haverá novo tropeço.

RODA VIVA

ANTECIPADO para o início de 2006 o plano da Volkswagen de produzir unicamente motores flex em toda sua linha fabricada no País. Será a primeira marca a encerrar a oferta de motores só a gasolina e só a álcool. No final de setembro, chega o Bora importado do México. Embora não se trate da última versão, terá preço bem competitivo pela vantagem cambial do peso mexicano frente ao real.

APENAS em março de 2006 se lançará o 307 com a frente semelhante ao 407, novas lanternas traseiras e retoques no interior. Já o sedã derivado vai atrasar um pouco — meados do próximo ano —, pois receberá uma reformulação na parte traseira que o deixará diferente da atual versão fabricada exclusivamente na China.

ASPECTO sisudo da antiga Pathfinder foi substituído, na nova versão, por linhas mais ousadas, em especial na parte traseira. O interior ganhou em requinte e inclui desembaçador nos vidros fixos laterais, pois transporta até sete pessoas. Bastante útil o corretor de trajetória em curvas e que pode ser desligado. Volta agora o motor diesel e seus 174 cv proporcionam desempenho de referência na categoria. A fábrica indica consumo cerca de 10% inferior aos concorrentes. O motor a gasolina entrega robustos 269 cv.

HONDA vai produzir este ano em Manaus o número mágico de um milhão de motos, das quais 15% serão exportadas. A nova Biz 125 mostra que a marca não se acomodou com a participação de mercado superior a 80%. Quanto aos automóveis, confirmou o primeiro motor flex japonês em meados de 2006. Não disse em que modelo, mas certamente será o Fit.

VENDAS por Internet do Celta praticamente deixaram de existir porque as condições de mercado exigem ter disponível o automóvel para pronta entrega. A vantagem fiscal também desapareceu. A GM, hoje, utiliza a rede de computadores apenas para organizar o fluxo de produção e controlar com precisão o que o consumidor deseja comprar.

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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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