Sem tempo a perder

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Fernando Calmon
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- Depois da certa letargia quanto a novos investimentos e lançamentos de produtos que acometeu a indústria automobilística nos últimos anos, o cenário começou a mudar timidamente. Da safra de boas notícias, a principal é a sustentabilidade da moderna fábrica da DaimlerChrysler em Juiz de Fora MG. A partir do primeiro trimestre de 2007, a unidade brasileira receberá a responsabilidade exclusiva de montagem do Mercedes-Benz Classe C Sports Coupé, hoje produzido apenas na Alemanha.

Versão hatch esportiva de duas portas do atual Classe C sedã, com vendas médias mundiais de 50.000 carros anuais desde seu lançamento há quase 6 anos, alcançou sucesso principalmente no continente europeu. Como o novo Classe C será lançado, no início de 2007, o Sports Coupé atual inicia seu ciclo final de vida. No ano passado foram vendidas 33.000 unidades, o que sinaliza algo abaixo de 30.000 no próximo ano e a ocupação de menos da metade da capacidade produtiva em Minas Gerais. Na realidade, será uma fabricação voltada para exportação, a partir de conjuntos desmontados CKD importados da Alemanha, mas utilizando algumas peças nacionais. A legislação brasileira atual, que incentiva o uso de componentes com 40% de desconto no imposto de importação, e a valorização do real frente ao euro foram os fatores positivos que atraíram a DC para essa operação.

Outra vantagem é dar tempo ao grupo alemão para planejar o futuro da fábrica mineira. O índice de nacionalização do esportivo deve ficar em torno de 35% — ocupa menos a capacidade instalada — e ainda falta decidir sobre a montagem do novo Sports Coupé geração atual surgiu seis meses depois do sedã. Portanto, a hipótese de algum derivado do Dodge Caliber não pode ser ainda descartada. Para o país é um fato bastante positivo, pois agora em agosto se encerra a produção do Audi A3 em São José dos Pinhais PR, único modelo de uma marca premium fabricado aqui.

No outro extremo da linha de produtos, o Grupo Gandini desistiu de montar o caminhão leve Kia Bongo, em Pouso Alegre MG, enquanto o Grupo Caoa espera iniciar a montagem, em 2007, do caminhão leve Porter e da pickup HR. Renault, Citroën, Peugeot e Nissan também estão engajadas em expansões e lançamentos de automóveis e veículos comerciais.

A decisão mais esperada a qualquer momento, no entanto, é a da Toyota. A empresa japonesa precisa investir, simultaneamente, no Brasil e na Índia, para atender o crucial mercado de modelos compactos. Tanto lá como aqui, se fala em carro de adequada relação custo-qualidade, com a participação da subsidiária Daihatsu. Recebendo 10 produtos importados do México até o começo de 2007 e 11 da Argentina por enquanto, em ambos os casos sem pagar imposto de importação, o mercado brasileiro vem-se expandindo e cresce de importância estratégica. Portanto, sem tempo a perder.

RODA VIVA

QUATRO novos modelos entre 2007 e 2010 — um por ano — foram anunciados pela Citroën. Dois serão fabricados na Argentina — os C4 sedã e hatch de quatro portas — e dois desenhados e produzidos em Porto Real RJ. Um deles, monovolume compacto da classe Meriva e Idea. O outro, a coluna antecipa: monovolume maior que o Picasso, para sete lugares, sobre a plataforma do C4 sedã.

APESAR de iniciar a comercialização do Jetta, em setembro, com o motor de 2,5 litros/150 cv, a Volkswagen tem alternativa. Fabricado apenas no México, é exportado para a Europa com outros motores. Optando pelo de 2 litros, também de 150 cv, já disponível no Passat, o Jetta ficaria cerca de 10% mais barato em função de alíquota menor do Imposto sobre Produtos Industrializados. Difícil deixar passar...

MOTOR de 2 litros também é uma das explicações para o Kia Magentis ter sido lançado por apenas R$ 70.000,00, ou R$ 10.000 a menos que o Ford Fusion, seu concorrente mexicano direto, que tem motor de 2,3 litros. Sedã médio-grande coreano apresenta acabamento de qualidade e ótima dotação de equipamentos, mas volante só tem regulagem de altura falta a de distância. Destaque para o espaço interno. Estilo poderia ser menos genérico.

OPÇÃO por gasolina na pickup S10 se estabilizou em torno de 35%, seis vezes mais do que a histórica preferência pela versão a diesel. Na Ranger, proporção é de 20%, tendendo a 30% nos próximos meses. Curiosidade: enquanto europeus compram metade dos automóveis a diesel, os japoneses, em 2005, adquiriram apenas 2.000 unidades entre 4,8 milhões vendidas 0,04%.

ESTÁ na pauta da reunião mensal do Contran a regulamentação definitiva do uso de engates nos veículos leves. Haverá rigor nas especificações técnicas e encarecimento deste acessório transformado em enfeite e protetor de pára-choque. Quebra-mato ainda continua em análise pela Câmara Temática de Assuntos Veiculares do conselho.

DESACONSELHÁVEL utilizar silicone para dar brilho em partes plásticas internas, especialmente do painel. Silicone evapora pela incidência solar e se deposita no pára-brisa, o que facilita o embaçamento e exige limpeza cuidadosa.


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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.


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