A subversão dos segmentos pelo preço

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Fernando Calmon
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- Dois sedãs lançados na mesma semana, o Ford Fusion e o novo Honda Civic, demonstram a complexa concorrência no mercado interno. Em primeiro lugar, o México começa a se fortalecer como participante de peso nas faixas superiores porque, a exemplo da Argentina, seus produtos estão dispensados do imposto de importação por acordos bilaterais. O Fusion mexicano, além disso, ganhou ainda mais competitividade pela forte valorização do real frente a outras moedas. Trata-se de um modelo médio-grande típico que ao preço de R$ 80.000,00 consegue ser R$ 5.000,00 mais barato que o seu adversário direto brasileiro, o Vectra Elite, com até alguns equipamentos a mais. Outra conseqüência dessa boa briga pelos compradores é a garantia padrão de três anos, adotada também no Civic.

O Fusion surpreende pela sofisticação de alguns itens. Vem com seis bolsas de ar duas do tipo cortina, sendo as frontais com atuação gerenciada; inédito comando do ar-condicionado nos raios do volante; suspensão traseira independente multibraços; banco do motorista com regulagem elétrica em seis eixos; revestimento em couro dos bancos com elegante costura pespontada, entre outros. O motor todo em alumínio de 2.300 cm³/162 cv 12 cv a mais que o Vectra tem avanços mecânicos importantes e o câmbio automático de cinco marchas dispõe de uma prática posição única para o recurso de freio-motor. Estranho, a velocidade máxima limitada eletronicamente.

Inconveniente é o miniestepe inflável, mas a Ford o escolheu para que o volume de porta-malas rivalizasse com os concorrentes são apenas 450 litros originalmente. Seria bom que os pára-choques já tivessem sensores de estacionamento. Um dos segredos da competitividade do Fusion é partilhar a arquitetura do Mazda 6 com mais três modelos, inclusive o Mondeo, não mais importado da Europa. Nos EUA, sucede o Contour clone do Mondeo anterior.

O preço do Fusion acaba por subverter a ordem estabelecida dos segmentos, principalmente pelo impacto sobre as versões mais caras dos médio-compactos. O topo de linha do novo Civic custa R$ 78.000,00 e é um automóvel de dimensões menores, tanto internas como externas. Mas a versão de entrada da marca japonesa parte de R$ 60.000 e deve pressionar fortemente a posição até agora cômoda do Corolla. Apresenta linhas modernas e fluidas que se associam a um interior com aura futurista por seu quadro de instrumentos em dois níveis e ótimo espaço, este garantido pelo entreeixos de 2,70 m bem superior à geração anterior.

Sensações ao volante do Civic começam pelo próprio volante, de apaixonantes 36 cm de diâmetro, e que inclui comando seqüencial do câmbio automático por duas pequenas alavancas, na versão superior. A fábrica estima em mais de 50% do total a escolha do câmbio automático. Pedal do acelerador pivotado no assoalho, ótima visibilidade, freios bem dimensionados, silêncio de marcha e o motor de 1.800 cm³/140 cv são outros destaques. O tanque de combustível de 50 litros deveria ser maior e o porta-malas, de apenas 340 litros, é, inadmissivelmente, 15% menor que a geração anterior. A Honda continua sem divulgar qualquer dado de desempenho e consumo, algo de fato condenável.

RODA VIVA

FIT será mesmo o primeiro modelo, entre fabricantes japoneses, a dispor de motor flex álcool-gasolina já em setembro próximo. O que a marca ainda esconde é que o Civic deverá contar com a mesma tecnologia apenas um mês depois. Prevê também dificuldades para atender a procura do seu novo carro médio: fábrica já trabalha em três turnos. Só a partir de janeiro a produção sobe com início da primeira fase de expansão.

APESAR de a Ranger reestilizada já estar disponível na Tailândia, as mudanças vão demorar a chegar ao Brasil. Na realidade, a pickup média da Ford, produzida na Argentina e vendida aqui, será igual ao modelo americano ainda em desenvolvimento.

INTERESSANTE o superevento que a revista Quatro Rodas organiza no autódromo de Interlagos, S. Paulo SP, esta semana. Será espécie de test drive coletivo em que o público compra ingresso e pode dirigir dezenas de modelos de várias categorias, além de atrações paralelas. Fiat e VW não participam. Haverá também carros esporte de grife — neste caso, porém, fãs terão de se contentar com o banco ao lado do piloto.

INICIATIVA bastante válida da Monroe em lançar amortecedores para o mercado de reposição 15% mais baratos. Batizado de linha Light, visa aos veículos antigos ou de proprietários de menor poder aquisitivo que enfrentam dificuldade em fazer manutenção. O produto em si não mudou, simplificado apenas na embalagem e na garantia, agora de um ano.

PRESIDENTE do grupo Hyundai-Kia foi preso na Coréia do Sul acusado de fraudes e atos de corrupção. Comentaristas locais acreditam que o vácuo de poder com o afastamento de Chung Mong-koo pode afetar os planos mundiais de expansão das duas marcas. O filho único do executivo, Chung Eui-sun, também está sendo acusado pelos promotores, embora não tenha sido detido.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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