BMW i: pecado permitido

Carros se alimentam de verde, mas têm preço e sabor de caviar
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Adriana Bernardino
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– UM CARRO feito de bolhinhas d’água, imagem que ilustrou a divulgação do último Salão de Frankfurt, sinaliza que as coisas estão mudando no conceito de mobilidade. Desde que a consciência ecológica entrou na moda, o mercado está sendo obrigado a se reinventar.

O segmento de automóveis, considerado um dos grandes vilões do planeta, também acelera, literalmente, nessa direção. Segundo pesquisa realizada pelo Ibope Ambiental com 400 médias e grandes empresas, 91% delas dizem acreditar que, em 10 anos, os consumidores comprarão marcas de organizações socialmente responsáveis, e 83% estarão dispostos a pagar mais caro por produtos que não agridam o meio ambiente.

No primeiro mundo, a ideia do veículo sustentável já engrenou. O híbrido Toyota Prius, por exemplo, vendeu mais de um milhão de unidades. A lista dos híbridos e elétricos disponíveis por lá grande. São quase cem opções, de diversas categorias. Entre elas estão os sedãs Nissan Leaf, Chevrolet Volt, Honda Civic Hybrid, Hyundai Sonata e Volkswagen Jetta TDI; os SUVs Porsche Cayenne S , Audi Q7 TDI, Volkswagen Touareg , BMW X6; os cupês Honda CR-Z, Mini E e Toyota Yaris; e até pick-ups como Chevrolet Silverado e Ford F-150 E85

Sustentável luxo

O segmento de luxo, geralmente sinônimo de excesso, também teve de entrar na dieta de combustível. Porém, economizar recursos naturais não quer dizer, necessariamente, perder sofisticação ou desempenho. “A preocupação da sociedade com a finitude dos recursos naturais tem efeitos na evolução do conceito de luxo. Geralmente, ele é vanguarda e oferece a última palavra em tecnologia e modernidade”, diz Renata Fernandes Galhanone, especialista no mercado de luxo e doutoranda pela FEA/USP.

No Brasil, as únicas opções híbridas disponíveis, Mercedes-Benz S400 e o Ford Fusion, pertencem a esta categoria. O segmento, entretanto, quer mais. As promessas para um futuro próximo surpreendem, caso do endiabrado Audi R8 de 560 cv de potência em versão – ainda conceito – elétrica. Tudo bem que a santidade tira dele 200 cv, mas quem precisa, no trânsito das grandes cidades, algo além dos 300 cv que o elétrico oferece?

Pecado permitido, mas inacessível

No terreno do pecado permitido, a BMW promete duas provocações. “Nós fizemos uma série de pesquisas, algumas delas com urbanistas, para chegar àquilo que consideramos a melhor solução tanto para o motorista quanto para a cidade”, diz Carsten Breitfeld, diretor da BMW i. “Aquilo” é o BMW i3, que estreará em 2013 como o primeiro veículo de luxo 100% elétrico, e o híbrido BMW i8 Concept, ainda sem previsão para ser lançado.

Tanto o BMW i3 quanto o i8 serão produzidos na fábrica da BMW em Leipzig, Alemanha. Com o objetivo de moldar o futuro da mobilidade individual, a marca investirá na BMW i 400 milhões de euros, aproximadamente. A produção de veículos, segundo a fabricante, será neutra em termos de CO2 e usará recursos renováveis.

Muita estrela para pouca constelação

As soluções são sustentáveis, mas não se engane. O luxo, apesar de sintonizado com o nosso tempo, não está vinculado a necessidades racionais, e sim ao desejo. “O desejo de ser único, de exclusividade e de diferenciação. O desejo de melhorar o autoconceito, projetando sucesso e poder”, aponta Renata.

Isso, claro, custa. “O preço, que deve ser necessariamente alto, indica grande valor agregado, provoca o desejo de posse e simboliza excelência”, diz a especialista. Em relação ao Mercedes-Benz S400, o preço do luxo parte de R$ 452 mil. No Ford Fusion Hybrid, R$ 172 mil. A BMW não divulgou valores, mas suas estrelas sustentáveis miram o mesmo perfil de consumidor da marca, isto é, de alto padrão.

O BMW i3, primeiro carro de produção em série totalmente elétrico do BMW Group, tem motor elétrico de 125 kW do i3 tem 170 cv de potência e gera torque máximo de 250 Nm. Com transmissão de marcha única, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em até oito segundos e atinge a velocidade máxima de 150 km/h.

Quatro pessoas podem ocupar o urbaninho, cujas portas se abrem do centro do veículo. Com autonomia de 150 km/h, o i3 pode ser recarregado na tomada comum em aproximadamente seis horas; com um recarregador rápido, leva pouco mais de uma hora. O material que dá forma e peso 1.250 kg ao visual futurista do i3 é de fibra de carbono reforçada com plástico. Na balança, ele pesa de 250 a 350 kg menos que um carro elétrico convencional.

Com desenho e desempenho esportivo, o BMW i8 Concept combina dois motores; um elétrico, outro a combustão interna. Juntos, eles aceleram o i8 de 0 a 100 km/h em menos de cinco segundos e podem chegar a 250 km/h. O motor turbo a gasolina de três cilindros tem 164 kW/223 hp de potência e torque máximo de 300 Nm. No modo elétrico, a autonomia é de cerca de 35 km . O carro pode ser totalmente recarregado em qualquer tomada convencional em menos de duas horas. Os faróis também são diferenciados: laser em vez de LEDs. A inovação é mais econômica, segura e agradável à visão.

Para quem os sustentáveis modelos de luxo ficam apenas no campo da relação platônica, o jeito é praticar a paciência. Um dia, as tecnologias lançadas por eles acabam descendo do salto. Até lá, entretanto, sabe Deus o que essas máquinas serão capazes de fazer. E os desejos permanecerão sãos e salvos.

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