Depois de investir no lançamento do J3, JAC Motors tenta cair no gosto do brasileiro

O modelo chegou ao Brasil em março embalado por uma estrondosa campanha publicitária, que traz o Fausto Silva como garoto-propaganda


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- O JAC Motors J3 é um típico exemplo da importância do marketing. A marca chinesa desembarcou no Brasil representada pelo Grupo SHC, do experiente empresário Sergio Habib – responsável pela implantação da Citroën no Brasil e dono da maioria das concessionárias da marca francesa, além de representar também as britânicas Jaguar e Aston Martin no país. Para lançar o J3 foram gastos mais de R$ 235 milhões em estrutura – concessionárias, peças, adaptação dos carros e despesas operacionais – e R$ 145 milhões apenas com mídia. O modelo chegou ao Brasil em março embalado por uma estrondosa campanha publicitária, que traz o apresentador Fausto Silva como garoto-propaganda e a promessa de um carro de qualidade a um preço “camarada” e sem opcionais. Não por acaso, em nenhum momento da campanha é citado o fato de que o modelo é produzido na China – ainda há no Ocidente um forte preconceito contra os produtos industriais chineses.

A estratégia deu tão certo que as rivais resolveram se movimentar. Marcas como Renault, Citroën e Ford foram algumas que lançaram versões de seus hatches e sedãs compactos com preços e equipamentos semelhantes aos da linha J3. Alheio à reação, o compacto da JAC começa a mostrar serviço no mercado brasileiro. Os dados de emplacamentos do mês de maio mostram que foram vendidas 1.927 unidades do hatch e 1.112 do sedã da fabricante chinesa, somando 3.039 carros. Em abril, primeiro mês cheio de vendas, foram comercializados 1.316 hatches e 776 sedãs – um total de 2.092.

Ou seja, os resultados estão aparecendo rapidamente. Com apenas dois meses cheios, a JAC se aproxima das suas expectativas de alcançar 1% de participação do mercado brasileiro. Nos meses de abril e maio, a montadora chinesa abocanhou 1,15% do segmento de carros de passeio e 0,89% do mercado geral. As 1.927 unidades do hatch J3 vendidas no último mês o deixam um pouco a frente do Renault Clio – com 1.958 – e na mira do Chevrolet Corsa – 2.103. Já as 1.112 unidades comercializadas do sedã ultrapassam as vendas do Tiida sedã – 694 unidades – e o deixam ainda distante do Peugeot 207 Passion, que vendeu 2.010 unidades.

É claro que o instantâneo sucesso comercial do J3 não se deve apenas ao marketing. O modelo também se posiciona bem em termos de preço e conteúdo. Por R$ 37.900, a versão hatch é vendida equipada com ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, airbag duplo, freios ABS com EBD, faróis e lanternas de neblina, sensor de estacionamento traseiro, rádio/CD/MP3 com entrada USB e volante com regulagem de altura. Como a JAC Motors tanto se orgulha em dizer em seus comerciais, não existem opcionais. Outro diferencial do modelo são os seis anos de garantia – a maior cobertura do Brasil atualmente.

Mas nem só de marketing pesado e equipamentos se faz um lançamento de automóvel de sucesso no Brasil. Para superar a desconfiança dos consumidores em relação aos produtos chineses – normalmente associados a fragiliade e falta de qualidade de construção –, o próprio Sergio Habib fez dezenas de viagens para a China para dar pitacos e modificar o J3 de modo que se adaptasse melhor ao gosto brasileiro. O executivo contabiliza mais de 200 modificações em relação ao modelo original.

Na criação do J3, a JAC investiu em peso no design, criado pelo renomado estúdio italiano Pininfarina. A dianteira é marcada principalmente pela linha curva que segue a linha de base dos faróis e desce em direção à parte inferior do para-choque. A grade é discreta e carrega a estrela de cinco pontas da fabricante. A lateral mantém uma linha com um caimento do teto suave em direção à traseira, deixando o vidro bastante inclinado. Na parte posterior, o hatch conta com lanternas verticais com formato irregular que se pronunciam para as laterais do veículo.

Tanto para o hatch como para o sedã, o motor é mesmo. Um propulsor de 1.332 cc – que a JAC chama de 1.4 litro – de quatro cilindros, a gasolina e com comando variável de válvulas capaz de render 108 cv a 6 mil rpm e 14,1 kgfm a 4.500 rotações. Já o câmbio é um manual de cinco velocidades.

Para ajudar a embalar ainda mais a JAC no Brasil, em agosto chega a minivan J6, enquanto o sedã médio J5 começa a ser comercializado na virada do ano. Atualmente, são 50 concessionárias no Brasil, com previsão de serem abertas mais 30 até o fim do ano e de chegar ao número de 150 revendas até o final de 2012. Mais algumas armas da marca chinesa para alcançar a próxima e ousada meta – de 2% de participação em 2012.

Instantâneas

# Fundada em 1964, a JAC Motors desembarcou no Brasil graças ao Grupo SHC, que já importa modelos da Jaguar e Aston Martin e que tem à frente o empresário Sérgio Habib, ex-presidente da Citroën do Brasil.
# Até o final de 2011 a JAC espera vender 35 mil carros. A meta da marca neste primeiro momento é conquistar 1% de participação no mercado brasileiro.
# O lançamento da JAC Motors no Brasil gerou 1.400 vagas de emprego imediato em todo o país.
# O projeto de lançamento da JAC no país custou R$ 380 milhões.
# Além do J3 e do J3 Turin, da minivan J6 e do sedã J5, o subcompacto J2 deve chegar no começo do ano que vem.
# Mesmo sem planos imediatos produzir no Brasil, o Grupo SHC já registrou um projeto de fábrica no Complexo de Suape, em Pernambuco.

Ponto a ponto
Desempenho – No dia a dia, o desempenho do J3 é apenas razoável. As arrancadas não apresentam muito vigor, já que o torque de 14,1 kgfm está disponível em sua totalidade apenas a 4.500 rpm – embora também não cheguem a fazer feio, em relação aos concorrentes. O comando variável de abertura das válvulas deveria ajudar o J3 nessa hora, mas não se faz notar. Por isso, passa a ser necessário esticar as marchas para ganhar algum fôlego. Com 1.060 kg, o J3 apresenta apresenta uma relação de 9,8 kg/cv. Os 108 cv de potência garantem ao modelo um zero a 100 km/h em 13,2 segundos, performance satisfatória para o segmento. Após as 3 mil rpm, o J3 ganha mais ânimo e chega com relativa facilidade até a velocidade máxima de 160 km/h. Nota 7.

Estabilidade – O J3 é um carro bem acertadinho. Nas curvas, a carroceria torce pouco e não faz menção de rolar. Nas freadas bruscas, com o auxílio do ABS e do EBD, o hatch quase não sai da trajetória e para com presteza. Nas retas, a comunicação entre rodas e volante só exige correções a partir de 150 km/h. Nota 7.

Interatividade – O painel de instrumentos do J3 tem iluminação em tons de azul e permite boa visualização. No entanto o motorista não tem como saber se o farol do carro está aceso ou não, já que não há uma luz no painel para orientá-lo. As portas não destravam automaticamente ao acionar as maçanetas e nem há qualquer botão para isso. Para abri-las é necessário recorrer aos anacrônicos pinos, que ficam em posição que requer certo algum contorcionismo. A direção tem ajuste de altura, mas não de profundidade. E sua alavanca é uma espécie de armadilha. O plástico mal acabado machuca a mão e para acioná-la é preciso uma força surpreendente. A entrada USB do som recorre a um cabo para que se possa “espetar” o pen drive. A visibilidade é um tanto prejudicada pelas largas colunas traseiras, mas felizmente o hatch conta com sensores que auxiliam o motorista – e de série, como gosta de ressaltar o Faustão na propaganda do J3. Nota 7.

Consumo – As aferições apontaram uma boa média de 9,6 km/l de gasolina para o JAC J3, em um percurso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Nota 8.

Conforto – A suspensão do J3 é macia e garante algum conforto ao encarar as constantes imperfeições das ruas e estradas brasileiras. No interior, a oferta de espaço é satisfatória. Os 2,40 metros de entre-eixos garantem que os dois passageiros dos bancos dianteiros viagem com boa oferta de espaço, mas atrás o espaço é limitado. Dentro do padrão do segmento, um terceiro ocupante no banco traseiro gera um desconforto generalizado. Além disso, os bancos são confortáveis e o motorista pode viajar longas distâncias sem sofrimento. O isolamento acústico só fica pouco eficiente acima dos 120 km/h. Nota 7.

Tecnologia – O moderno motor 1.4 litro é confeccionado em bloco de alumínio, o que garante um peso total de apenas 85 kg. O acionamento das válvulas é por corrente, em lugar das tradicionais correias. Além disso, o propulsor conta com a tecnologia VVT, que promove a variação de tempo de permanência de abertura e fechamento das válvulas de admissão. O modelo é equipado com suspensão McPherson nas rodas dianteiras e independente com braços duplos na traseira. Além disso, o J3 traz uma lista de equipamentos recheada. Estão presentes freios com ABS e EBD, airbag duplo, CD Player com seis alto-falantes e entrada USB, sensor de estacionamento traseiro, vidros, travas e retrovisores elétricos, entre outros. Nota 8.

Habitabilidade – Os acessos ao interior do J3 são bons tanto para o banco dianteiro quanto traseiro. O hatch da JAC ainda oferece boa quantidade de porta-objetos com práticos porta-copos no console central. A iluminação é eficiente na frente e atrás e o porta-malas de 350 litros está um pouco acima dos padrões do segmento Nota 7.

Acabamento – O hatch da JAC traz acabamento honesto. Os materiais utilizados ali não são “premium”, é verdade, mas estão no mesmo nível da concorrência. Os encaixes são precisos e não há rebarbas aparentes. A exceção vai para a alavanca de ajuste de altura do volante, que conta com plástico mal acabado e afiado a ponto de arranhar as mãos do motorista que acioná-la. Nota 7.

Design – As linhas do JAC J3 são assinadas pelo consagrado estúdio de design italiano Pininfarina. Isso garante certa personalidade ao modelo. O produto final é um carro com linhas modernas e harmônicas, mas que não chegam a emocionar. Aliás, design que emocione é algo difícil de achar no segmento de compactos brasileiro. Nota 7.

Custo/Benefício – Desde março, o JAC J3 hatch é vendido nas concessionárias da marca por R$ 37.900. O preço inicialmente menor que o dos concorrentes provocou uma série de mudanças no mercado automotivo nos meses seguintes. As fabricantes instaladas por aqui reduziram os preços de seus modelos ao ver possíveis clientes optando pelo modelo chinês. A Ford lançou para todo o Brasil o Fiesta 1.6 Class com ABS e airbag de série pelos mesmos R$ 37.900. O Citroën C3 2012 chegou ao mercado com um lote promocional de 50 unidades, com bancos em couro e rodas de liga leve aro 15, por R$ 37.990, apenas R$ 90 a mais. A linha Renault Sandero também apresentou queda de preço em todas as versões, com destaque para a Stepway, que passou a custar R$ 42.600, expressivos R$ 3.090 a menos que a antiga. Nota 7.

Total – O JAC J3 somou 72 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir - É difícil não encarar os carros chineses com certa desconfiança. Afinal, a China, até pouco tempo, exportava para o mundo carros com baixíssimo padrão construtivo. Mas a história com o JAC J3 é diferente. Este é o primeiro modelo chinês que chega ao Brasil que se mostra capaz de eliminar os preconceitos em relação aos carros compatriotas. E revela que a China está se aperfeiçoando na fabricação de automóveis – como aconteceu com os japoneses nos anos 60 e os sul-coreanos na década passada. O J3 representa uma evolução efetiva em relação aos carros chineses vendidos por aqui até pouco tempo, se tornando uma opção real entre os modelos de entrada do Brasil.

O JAC J3 recebe bem os passageiros em seu interior. O modelo conta com 2,40 m de entre-eixos, o que garante um espaço digno para os dois passageiros da frente. Atrás, duas pessoas viajam bem, mas com três passageiros o aperto é inevitável – como é comum em hatches deste porte. O material utilizado no habitáculo é honesto. Não há acabamento macio no painel nem tecidos de primeira, mesmo assim o J3 traz revestimentos com qualidade equivalente à de seus concorrentes. Os bancos são confortáveis e, até em viagens longas, não causam cansaço ou qualquer incômodo. A suspensão macia também garante que os buracos sejam superados com elegância. Já o isolamento acústico perde um pouco da efetividade a partir dos 120 km/h.

Na hora de acelerar, o JAC foi um tanto moroso. O motor de 1.3 litro e 108 cv leva o carro de 1.036 kg da inércia aos 100 km/h em 13,2 segundos. As arrancadas e retomadas também são um tanto sofríveis, em razão do torque de 14,1 kgfm estar disponível em sua totalidade apenas as 4.500 rpm. Por isso, nem parece que o propulsor do carro é dotado de comando variável de abertura das válvulas, que deveria garantir ao modelo mais destreza em baixas velocidades. Nas estradas, o J3 alcançou os satisfatórios 160 km/h e não passou disso. Na hora de encarar as curvas, a carroceria torce pouco e não faz menção de rolar. Já na hora de cravar o pé no freio o hatch até que se comporta bem, auxiliado pelos freios com ABS e EBD.

O J3 não chama grande atenção nas ruas ou nas estradas. Suas linhas, assinadas pelo estúdio Pininfarina, são balanceadas e harmoniosas e o modelo, apesar de bastante sóbrio, até que tem algum charme e personalidade. O preço de R$ 37.900 e a lista de equipamentos recheada – ar, direção, trio, airbag, ABS etc. – já fazem do J3 um “player” respeitável no segmento dos carros de entrada do mercado nacional. Fora isso, o J3 desencadeou uma pequena, porém bem-vinda, redução de preço entre seus concorrentes. O sofrido bolso do consumidor brasileiro agradece.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

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