VW Passat x Peugeot 407

Potência e beleza não são tudo na vida...


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- O Peugeot 407 é um belo carro. Seu desenho arrojado atrai olhares pela rua e gera comentários a maioria positivos por onde quer que passe. A grande entrada de ar na dianteira, combinada aos faróis que avançam pelo capô e ao pára-brisa de inclinação acentuada resulta num conjunto moderno e agradável com a traseira, que o faz parecer um cupê, não o sedã que é.

Além de bonito, o desenho mostra-se eficiente em arodinâmica, com o coeficiente Cx de 0,29. Mas tem seus percalços. O balanço dianteiro distância entre o centro da roda e a extremidade dianteira do carro é grande demais e o resultado pode-se imaginar: o 407 quase “deixa” a frente em qualquer trecho de angulação pouco mais acentuada. Uma saída de garagem subterrânea, por exemplo, é obstáculo para o carro se tiver a rampa medianamente inclinada em relação ao piso. Ou uma valeta, algo comum em São Paulo, pode ser um desafio a ser transposto.

Esse francês é bem equipado, trazendo a maioria dos itens que se espera num carro de sua categoria e preço. Estão presentes faróis de xenônio, freios a disco nas quatro rodas com sistema ABS e distribuição eletrônica das forças de frenagem, airbags dianteiros, laterais e tipo cortina, regulagem elétrica dos bancos dianteiros, retrovisores externos rebatíveis ao trancar o carro e computador de bordo repleto de funções. O sistema de som se destaca, e no carro avaliado contava com disqueteira para 6 CDs no porta-malas, que é, combinado ao teto solar, o único opcional oferecido.

Há duas opções de motor, ambos já conhecidos de outros carros da PSA Peugeot Citroën. O quatro-cilindros de 2 litros e 138 cv ou o V6 de 3 litros, como o deste comparativo. Com 4 válvulas por cilindro duas para admissão, duas para escapamento e variação de fase nas válvulas de admissão, tem potência de 211 cv a 6.000 rpm e torque máximo de 29 kgfm a 3.750 rpm. Parece muito se comparado aos 150 cv a 6.000 rpm e 20,4 kgfm a 3.500 rpm do 2-litros FSI – sigla que significa, em inglês, injeção de combustível estratificada – do VW Passat, mas não é.

Pela capacidade cúbica do motor e pelos números de desempenho, o concorrente direto do Passat poderia ser o 407 2-litros. Mas a história é diferente. O modelo alemão “básico” é vendido por R$ 124.659,00, ou R$ 13.659,00 a mais do que o francês, que equipado com os únicos opcionais disponíveis teto solar e disqueteira no porta-malas custa R$ 111.000,00. Se o Passat for pintado na mesma cor do modelo avaliado, azul grafite, sobe para R$ 126.883,00.

Adicionando-se os equipamentos do carro testado, ajustes elétricos para os bancos dianteiros, teto solar, rodas de 17 polegadas de diâmetro e sensor de estacionamento, o preço pula para R$ 163.800,00 – só o revestimento de couro do interior custa R$ 11.989,00, e esse é um item elementar num carro como o Passat. Mas opte pelo couro preto, não cinza como o carro avaliado – a cor clara pode ser bonita, mas com o uso tende a ficar encardida. Completo assim, e mesmo com motor menor, o sedã Volkswagen supera o 407 V6 em R$ 5.800,00.

Além disso, o Passat oferece dirigibilidade superior e dá ao motorista a sensação de ser um carro menor do que é na verdade. Como bem observou o fotógrafo Mário Villaescusa, autor das fotos que ilustram a matéria, “o 407 é muito bonito, mas o Passat é melhor de guiar”. E é mesmo. Com desenho sóbrio, porém de igual eficiência aerodinâmica Cx 0,29, também, tem 4,76 metros de comprimento e 2,71 m de entreeixos apenas 1 cm a mais do que o novo Honda Civic, um médio-compacto, com 1,82 m de largura e 1,47 metro de altura. Seus 1.418 quilos não são muito para os 150 cv de seu motor. E sua direção tem peso e relação adequados, colaborando para a agilidade demonstrada pelo sedã.

Agilidade que o faz superar o 407, que tem menos resposta de direção requer que se vire mais o volante para que o carro mude a trajetória e volante de empunhadura inferior, ainda que os números de desempenho declarados pelas fábricas o deixem para trás. Segundo a VW, o Passat chega aos 208 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos. O 407 vai a 235 km/h, atingindo 100 km/h em 8,4 segundos. Essa sensação de lerdeza do volante pode ser explicada pelo maior peso: 1.729 quilos, ou 311 kg a mais do que o Passat. Esse peso todo está distribuído ao longo de 4,67 metros de comprimento, com 2,72 m de entreeixos, 1,81 m de largura e 1,44 metro de altura.

Em consumo, como era de se esperar, vantagem para o Passat. O Peugeot chegou a 11 km/l na estrada, cruzando a 110/120 km/h; na cidade não passou dos 6 km/l, sempre de acordo com o computador de bordo. Já o Passat fez, na cidade – aferindo pelo seu equipamento de bordo análogo – 9 km/l. Na estrada, segundo a fábrica, ele chega a 14 km/l. São números expressivos para um sedã médio-grande como ele, obtidos graças ao 2-litros FSI. Esse motor, com bloco e cabeçote de alumínio, tem injeção de combustível direta na câmara de combustão de cada cilindro, em vez de no coletor de admissão – sistema semelhante ao utilizado pelos motores de ciclo diesel mais modernos. Isso permite trabalhar com mistura mais pobre menos gasolina, mais ar e, por conseguinte, economizar combustível. Em modo normal de utilização, a ultrapobre injeção de combustível é feita no tempo de compressão, não no de admissão, e de forma estratificada na cabeça do pistão. Havendo necessidade, em momentos de demanda de maior potência, o gerenciador eletrônico altera de forma precisa e imperceptível o momento de injeção e a quantidade de combustível injetada, garantindo mistura mais rica e, assim, mais potência. O sistema também permite menor índice de emissão de gases poluentes – para isso requer um catalisador especial em que são melhor tratados os óxidos de nitrogênio NOx e, algo ainda inexistente no Brasil, gasolina com baixo teor de enxofre única exceção é a gasolina Podium, da Petrobras.

O tanque de combustível do alemão também é maior, com 70 litros o do 407 tem 66 litros, e essa característica associada aos seus números de consumo conferem a ele autonomia próxima dos 900 km.

Numa viagem à noite, o motorista de um Passat equipado como o avaliado terá a estrada à frente melhor iluminada. Isso porque o alemão conta com faróis bixenônio como opcionais, que proporcionam luminosidade bastante superior aos convencionais – embora custem mais. No 407, apenas o farol baixo usa, de série, lâmpadas de xenônio – o alto usa halógenas. Também quem trafegar atrás do Passat terá mais segurança: as lanternas traseiras utilizam LEDs Light Emitting Diode, ou diodos emissores de luz, que além do efeito estético mais bonito, são mais eficazes na iluminação.Ambos os sedãs são equipados com caixas de câmbio automáticas de 6 marchas e acionamento seqüencial possível por meio da própria alavanca. Tanto num quanto noutro há a tecla “S”, do modo esportivo, em que as trocas são feitas em faixas mais altas de rotação e a 6ª marcha é suprimida. O câmbio do VW, no entanto, tem melhor escalonamento e trocas mais rápidas.

Igualam-se em construção de suspensões. Ambos exibem conjuntos independentes nas quatro rodas, com a configuração McPherson na dianteira e multibraço na traseira. O isolamento e a absorção de irregularidades do piso é de alto nível também em ambos – mesmo com os pneus de perfil baixo, mais largos no VW 215/55 no Peugeot, 235/45 no VW. O 407 V6 vem de série com rodas de 17 polegadas, opcionais no Passat. E é melhor do que o modelo da VW ao fazer curvas em velocidade, auxiliado pelo controle de estabilidade ESP, recurso também encontrado no sedã alemão.

O Passat supera o 407 no quesito tecnologia de bordo. Seu freio de estacionamento é acionado por meio de botão. A chave é introduzida numa fenda no painel, ao lado da coluna de direção e a partida do motor é dada pressionando-a levemente; para desligá-lo, basta pressionar novamente a chave, liberando-a. Muito simples de usar – complicado é ter que explicar o sistema ao manobrista num estacionamento.

No console central do VW, ao lado da alavanca de câmbio, está a tecla do sistema Auto Hold. É um recurso que automaticamente aciona os freios do carro – no trânsito pesado, por exemplo, ou em aclives e declives, eliminando a necessidade de se manter pressionado o pedal de freio com o veículo parado. O Auto Hold libera o carro tão logo o motorista pise no pedal do acelerador. Mas só funciona com as portas fechadas e o motorista com cinto de segurança afivelado.

O sistema de som que equipa o carro alemão tem menos potência do que o francês, mas igualmente suporta 6 CDs sendo que neste os discos são inseridos diretamente no painel e tem leitor de MP3. E se porta-malas grande for uma necessidade, opte pelo Passat. São 516 litros de capacidade, ante 468 l do Peugeot – que se destaca pelas dobradiças pantográficas na tampa; o Passat usa braços convencionais que roubam espaço do interior.

Posição de dirigir é perfeita em ambos, sendo que no Passat o banco é pouco mais firme e no 407 não se vê a frente do carro, o que demanda cuidado em manobras. Incomoda, sim, a posição do extintor de incêndio no Peugeot: fixado no lado direito do console central, do lado do passageiro, tirando espaço para a perna. O extintor no Passat está fixado na parte dianteira inferior do banco do passageiro. Para quem viaja atrás há mais conforto no sedã VW, pois passageiros altos no francês vão encostar os joelhos nos bancos dianteiros.

Há ar-condicionado digital com regulagem independente para motorista e passageiro, com saídas para o banco traseiro em ambos. Também estão presentes controle automático de velocidade e comando remoto de áudio.Ao final, vê-se que potência não é tudo e que há muitos outros aspectos a serem valorizados em um carro. O Passat exibe um ótimo conjunto, associando motor e construção modernos a acabamento primoroso, conforto e dirigibilidade irretocável, o que o torna a melhor opção.

Nesse segmento – e no acima dele, o dos sedãs grandes – há outros concorrentes a serem considerados: Honda Accord, o Toyota Camry e o Chevrolet Omega. Este, um sedã grande, equipado com motor mais potente moderno V6 de 3,6 litros e 258 cv, é boa opção pelo custo/benefício. E para os motoristas mais exigentes, sua tração é traseira.
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