Aruanda, pioneiro ítalo-brasileiro - parte I

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Gustavo Ruffo
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- Quem acha Fiat Idea, Chevrolet Meriva, Honda Fit e outros monovolumes com frente em cunha modernos talvez nunca tenha ouvido falar do Aruanda. Esse carro, ao contrário do que podem pensar muitos conhecedores da história do automóvel, foi um dos primeiros modelos com as características acima. Isso em 1964. Era um projeto tão revolucionário que foi premiado no Brasil e em Turim, chegando a ser capa da revista dos carrozzieri italianos. Tudo idéia de um brasileiro, o hoje professor Ari Antonio da Rocha, de 65 anos.

A vontade de conceber este carro nasceu durante uma aula de urbanismo, ministrada pelo professor Lauro Birkholz. Discutia-se o problema de uma malha viária despreparada para receber um número cada vez maior de automóveis e, pior, de automóveis cada vez maiores. Rocha contestou a necessidade de ampliação e alargamento de ruas e avenidas, dizendo que isso era um contra-senso com a cidade. “O Aruanda nasceu de um desafio. O prof. Birkhloz me perguntou como eu resolveria o problema”, diz Rocha.

O então postulante a arquiteto se lembrou da Teoria da Informação, segundo a qual é necessário compactar os dados para não entupir seu canal de distribuição. Acompanhado de colegas, Rocha foi à av. da Consolação realizar levantamentos. “Contamos o número de passageiros que havia em cada carro e chegamos à conclusão que 95% deles só tinham uma pessoa. Outros 4% tinham duas, deixando o 1% restante com mais de duas pessoas por carro.”

O levantamento permitiu verificar que era possível “compactar” os carros, mas isso não era suficiente. Outro estudo, de segurança, apontou que a maior parte das batidas na cidade era na lateral. Assim, o carro de Rocha deveria ser para apenas duas pessoas e com um reforço lateral que o tornaria mais seguro que os outros veículos. Com o projeto nas mãos, Rocha o inscreveu no prêmio Lúcio Meira de 1964, realizado concomitantemente com o Salão do Automóvel de São Paulo. O nome Aruanda representava o domínio da mente sobre a matéria.

O projeto do carro venceu o prêmio por unanimidade, com um prêmio de um milhão de cruzeiros. Como base comparativa, um DKW Fissore, modelo de luxo desta marca, foi lançado também em 1964 e custava pouco menos de sete milhões de cruzeiros. O melhor prêmio, de todo modo, não foi o dinheiro em si. Para Rocha, foi a possibilidade de montar o carro sem gasto nenhum, oferecida por ninguém menos que Mario Fissore.

Os dois já haviam tido a oportunidade de se conhecer na mesma DKW, na qual Rocha estagiou e ajudou a criar o departamento de design da empresa. Ali, o estagiário defendeu a inversão a famosa porta suicida dos sedãs as dianteiras que se abrem ao contrário, acabou com a pintura saia e blusa em dois tons, reduzindo as combinações de cores de 34 para apenas cinco e fez o painel estofado, tudo num esforço mais do que atual: redução de custos, expressão ouvida diariamente em todas as fábricas de automóveis do mundo.

Como o protótipo seria feito na Itália, Rocha teve de viajar e o dinheiro do prêmio foi todo destinado ao projeto. O que o ajudou a economizar foi um convite para estagiar na GM dos EUA, em 1965. Ali, entre outras experiências interessantes, Rocha teve a chance de experimentar o Corvette Stingray ainda em fase de protótipo, com motor big block. Depois do estágio, Rocha seguiu para Turim.

Confira a segunda parte desta saga brasileira.
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