De carona com os meninos do Lata Velha

Inspirações, perdas e ganhos dos customizadores do programa de TV
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Adriana Bernardino
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- A oficina, com dois andares, é grande, mas muito simples. Não fosse pelo logo do programa global “Lata Velha” estampado na porta de ferro, a Dimension Xtreme Customs – que inicia segunda temporada no programa – passaria despercebida no bairro da Saúde, zona sul de São Paulo.

Lá, tudo é mistério. Quase nada pode ser fotografado. O carro que irá surpreender 80 milhões de espectadores no próximo programa “Caldeirão do Huck” está coberto. Uma equipe da Globo monta um palco giratório no centro da oficina, rotina há um ano e meio.

O trio formado pelos irmãos Daniel e Juliano Barbosa, em parceria com o sócio Laerte Dorado, as grandes vedetes de uma equipe que participa ativamente da idealização e realização dos carros selecionados para participarem do quadro, tem o tempo recorde de 20 dias para criar, transformar idéias em projeto 3D e ir à caça de peças pelo Brasil e exterior. “Às vezes fica mais barato comprar um carro velho e desmontar”, diz Daniel.

Por falar em preço, os carros do “Lata Velha” chegam para customização custando em torno de R$ 3 mil. Depois do “banho de oficina”, o valor do carro restaurado passa a ser calculado em até 60 vezes mais do que quando a velharia entrou na Dimension. A transformação de água em vinho deve-se também aos patrocinadores. Carros destruídos pela ação do tempo têm o visual repaginado com o auxílio de acessórios de última geração para atender às necessidades de seu dono com modernidade e muita tecnologia.

Depois de rápida conversa em uma mesa com quatro bancos de carro, tentamos reunir a equipe para andar no Peugeot 307, 2005, radicalmente amarelo, modelo rally, automático Tiptronic.

Agora sim, de carona

Meia hora depois, os rapazes entram no carro. Ufa! Laerte dirige.

“O carro tinha mais modificações, mas como é usado no dia-a-dia, achamos melhor deixá-lo mais simples. Vez ou outra eu tinha de descer do carro e correr para pegar o pára-choque”, diz Juliano.

Passa um veículo de cor assim; outro de lanterna assado. Nada de diferente passa sem que eles notem. Difícil separar vida e obra dos três empreendedores. O que fazem quando não estão pensando em carro? “Estamos pensando em carro”, os três respondem sem pensar. Em dias normais, isto é, quando não há entregas urgentes, passam 12, 14 horas na oficina. “A gente trabalha 50% por necessidade, 50% por amor”, afirma Daniel.

De onde vem tanta criatividade? “Tudo é inspiração, não só os automóveis”. Sapato, bolsa, textura, brilho, chão, mesa, filme, realmente qualquer coisa pode servir de fonte para a mente dos produtores.

“Muitas pessoas têm preconceito com esse universo da customização, confundem tuning com rachas, irresponsabilidade. Claro que se o cara mexe é porque quer melhorar o desempenho do carro, mas os objetivos podem ser outros. Outro dia turbinamos um modelo porque o motorista queria se sentir mais seguro nas ultrapassagens”.

Antes da fama

Nada mudou com a fama, garante a equipe. Alguns períodos de perdas, sofrimento e “portas na cara” marcaram a história dos rapazes. “Hoje, muita gente quer trabalhar de graça na oficina, tem até quem queira pagar para trabalhar. Recebemos também proposta de patrocinadores que, no início, nem queriam conversa. Essas coisas mudam com a exposição na mídia”, diz Juliano.

A empresa tem oito anos de vida e começou sua trajetória na mídia após participar do reality show Rides, do canal Discovery, quando aceitou o desafio de personalizar um carro em apenas 15 dias.

“Justo no momento que a equipe da Discovery estava gravando aqui, o pessoal da Eletropaulo apareceu para cortar a energia elétrica”, conta Laerte. “Teve momentos também de a equipe ter apenas Miojo para comer”, lembra Juliano.

Se os carros falassem...

As histórias dos donos podem ser contadas pelo estado do carro e, principalmente, objetos esquecidos no interior. “Já encontramos dinheiro antigo, uma quantia equivalente a R$ 5 mil!”

Segundo Juliano, a Dimension ganhou força por aceitar trabalhos que ninguém queria fazer, além de propor soluções inovadoras. Os clientes são tão diversos quanto o tipo de trabalho que pedem.

“Aconteceu uma vez de desmontarmos um carro inteiro porque o dono cismou que a esposa tinha colocado um gravador nele. Segundo o motorista, a mulher sabia o que ele dizia à amante. Da primeira vez, não encontramos nada. Dois dias depois, o cara voltou inconformado. Então, desmontamos tudo de novo. Quando rasgamos o forro do teto, localizamos o aparelho”, conta Daniel.

Lata Velha

Após a participação no programa internacional, a Dimension Xtreme Customs recebeu o convite da Globo para estrelar o quadro “Lata Velha”, do Caldeirão do Huck. Em 2008 iniciou a segunda temporada no programa.

Daniel, Juliano e Laerte transformam o conhecimento técnico, a criatividade e a irreverência em obras de arte e, conseqüentemente, na realização do sonho de muitos proprietários de automóveis espalhados pelo Brasil.

O valor sentimental agregado aos anos de convívio com o veículo não podem ser avaliados, entretanto além das mudanças visuais, o beneficiado também ganha uma “pequena fortuna”.

O que o Escort, 1997, versão Ztech, aí ao lado tem a ver com a Dimension? Tudo, mas essa é outra história.

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