Fuldamobil: pequeno para reconstruir a Europa

Modelo alemão, pequeno e barato, ajudou a motorizar de novo o Velho Continente, destruído pela Segunda Guerra Mundial
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Marcos Camargo
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- Após a Segunda Guerra Mundial, diversas marcas, como Velam, Morris, Messerschmitt e outras construíram microcarros para ajudar a reconstruir a Europa, que estava em ruínas. Uma dessas marcas que o tempo apagou foi a alemã Fuldamobil, conhecida simplesmente como Fulda e que durou apenas 19 anos no mercado.

O nome da Fuldamobil era o diminutivo de Elektromaschinenbau Fulda, nome da pequena cidade alemã às margens do rio Fulda, em Hesse, fundada no ano de 744 por Santo Sturm, discípulo de São Bonifácio.

A marca que leva o nome da cidade heróica foi uma das muitas empresas que viveram apenas para contar um momento importante na indústria automotiva, e que ajuda a explicar a busca do europeu por modelos compactos, racionais e eficientes.

Idéia de jornalista

O conceito dos carros da Fuldamobil era baseado na popularização dos modelos pequenos, baratos e eficientes que pudessem ser usados por uma família.

Com essa idéia na cabeça, o jornalista Norbert Stevenson, que trabalhava como free lancer para o jornal Rhein-Zeitung enquanto concluía a faculdade de engenharia de Berlim, fundou a Elektromaschinenbau Fulda GmbH and Nordwestdeutscher Fahrzeugbau, no ano de 1950 em parceria com Karl Schmitt, um amigo abastado, também engenheiro.

Stevenson definiu que os carros da marca teriam duas rodas na frente, para dar estabilidade, uma roda atrás, e motor traseiro menor do que 1.000 cm³, mas que seriam úteis para circular nas cidades e também fazer pequenas viagens, sem muita pretensão de desempenho.

Os carrinhos também seriam pequenos por um bom motivo: na sua cidade, bem como em boa parte das cidades européias, as estreitas alamedas não permitem o trânsito de veículos grandes.

Schmitt ofereceu ao jovem engenheiro, recém-formado, as instalações de sua antiga empresa, que fazia serviços de manutenção nos geradores de energia para emergência, muito usados durante a II Guerra. Schmitt trabalhava como representante da Bosch na região e sua ausência deixou a imaginação de Stevenson voar alto.

Curiosos modelos racionais

O primeiro modelo, S-1, tinha design absolutamente simples, arredondado como uma bolha e com uma curiosa janela ovalada de pequenas proporções. Na frente, apenas os dois faróis simples, parachoques finos e parabrisa ovalado, formando um conjunto que lembra um “rosto triste”, se olharmos com atenção. A traseira era ainda mais curiosa, arredondada e com a janelinha traseira que se abria para dar acesso ao porta-malas.

Sua carroceria era de alumínio montada sobre um chassi de madeira, que depois seria substituído por aço. As opções de motores monocilíndricos dois tempos Sachs iam de 200 cm³ a 360 cm³ e desenvolviam apenas 9,7 cv na versão mais simples.

O carro se tornou um grande sucesso de vendas na pequena cidade de Fulda, que logo ganhou espaço na Europa inteira e chegou até a ser construído sob licença em diversos países, inclusive com outros nomes: Attica Grécia, The Bambi Índia, Bambino Argentina, Nobel Inglaterra e Vans Vahar Chile.

Na Inglaterra era fabricado em fibra pela Harland & Wolf, mesma empresa que construiu o Titanic, e tinha um motor de 191 cm³ que levava o carro a quase 80 km/h de velocidade máxima.

Por dentro o microcarro alemão era absolutamente simples, com rebites e rebarbas visíveis, sem preocupação nenhuma com o conforto. Os controles se resumiam ao volante de baquelite com três raios, velocímetro, marcador de combustível, pisca alerta, faróis e miolo para a chave.

Na frente tinha um banco inteiriço rebatível e atrás um banco mais baixo, para crianças. O porta-malas ficava na traseira, acima do motor, e tinha espaço razoável.

Com o passar dos anos, a dupla Stevenson e Schmitt aprimorou o Fuldamobil e em 1956 o carro ganhava uma quarta roda. O eixo traseiro tinha as duas rodas separadas por apenas 40 cm além de um reforço, para dar maior estabilidade.

Para deixá-lo mais agradável, estava disponível em cores mais claras, e acabamento “de luxo” com bancos de tecido colorido ou em diversos tons de xadrez. Os pneus também podiam vir com faixas brancas. Na década de 1960 estaria disponível também com pintura em duas cores, combinando vermelho e branco, azul e branco e outros tons.

Com o passar dos anos a janela traseira, que atrapalhava o motorista, deu lugar a uma área envidraçada maior. As portas também ficavam mais seguras e deixavam de ser “suicidas”, bem como todo o conjunto do carro, que melhorava ano a ano. Em outros países chegou a ter versão conversível e também furgão.

O Fuldamobil mudou pouco com o passar do tempo e a concepção do carro de três rodas permanecia no DNA deste simples automóvel. Com o passar dos anos, a Europa se recuperava e crescia a demanda por veículos tradicionais embora o consumidor europeu prefira veículos compactos e racionais até hoje.

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