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Voltando no tempo

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Renato Bellote
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- Desde as épocas mais remotas, o homem busca a fonte da juventude. Viver a vida sem sentir os efeitos do tempo parece ser o sonho de uma boa parte das pessoas. Mas, e os carros? Eles, geralmente, se deterioram mais rápido e, com o passar dos anos, vão sendo abandonados e esquecidos.

A preservação da memória e da história é garantida pelos colecionadores. O antigomobilismo existe, justamente, para isso. Esse é o caso de Armando Brunelli Júnior e seu filho André. O leitor já ficou conhecendo uma parte da coleção e, desta feita, vamos focar a atenção em dois clássicos produzidos pela Chrysler do Brasil.

Chegando à cidade de Itápolis, me encontrei com o André. A idéia era uma matéria sobre três raras peruas dos anos 70. Alguns contratempos ocorreram e os carros não estariam preparados para as fotos. “Se quiser, podemos fazer com os Dodges”, ele me disse. Perfeito!

O primeiro carro sobre o qual vamos falar é um Magnum 1979. O detalhe externo fica por conta da bela combinação da cor branca com vinil preto. Após instalar a bateria, era hora de dar a partida e acordar o “motorzão”. Ele pegou de primeira, com o ronco grave do escapamento duplo. Os 215 cavalos estavam mais do que despertos!

A história do modelo é interessante. Comprado há cerca de dez anos, pertenceu apenas a um proprietário, residente na cidade vizinha de Borborema. Uma rápida olhada no interior demonstra o esmero na conservação e o luxo do veículo em sua época, com assentos confortáveis, toca-fitas e o ar-condicionado posicionado logo abaixo do painel.

Debaixo do capô, outra surpresa. O propulsor dourado permanece sem nenhum pingo de óleo ou graxa. Não há resquício de que trabalha há 27 anos. O hodômetro confirma a originalidade: 47.640 quilômetros rodados. Impressionante!

“Se conseguir, veja embaixo do carro”, disse o André. O cuidado também pôde ser notado no assoalho. Nada de ferrugem. O tanque de gasolina de 107 litros não tem nenhum raspão e pode-se observar os canos de escape percorrendo toda a extensão do clássico. Ficou registrado através de uma foto.

E por falar em raridades, na semana anterior foi realizado um grande encontro de carros antigos no centro. Mais de cem automóveis estiveram presentes, agitando a “capital da laranja”. Colecionadores das cidades próximas também prestigiaram o evento.

Antes de conferir o outro carro, nada melhor do que fazer uma pequena viagem no tempo. Em 1976, a música “Os seus botões” de Roberto Carlos, estava entre as vinte mais tocadas no país. No esporte, “João do Pulo” ganhava a medalha de bronze, em Montreal, e o saudoso Raul Cortez estrelava a novela “Tchan - A grande sacada”, na TV Tupi.

Pois bem, chegando à casa de Armando Brunelli – avô do André – tive a impressão de que o tempo voltara trinta anos. No fundo do longo quintal, protegido das intempéries, o Dodge Dart de Luxo repousava tranqüilamente, sem sentir a passagem do tempo.

Puxado para fora da área coberta, reparei que o amarelo-tenerife continua enchendo os olhos. A pintura original prende a atenção e as calotas refletem os raios de sol, além deste curioso observador. Os pneus ainda são diagonais e o estepe permanece intocado.

Mas ainda tem mais. Dentro do porta-luvas, um estojo plástico com a estrela de cinco pontas traz a inscrição da concessionária Eldorado Veículos – na cidade de Adamantina – onde o veículo foi comprado. Dentro dele, os manuais do proprietário, do rádio e algumas instruções sobre a tampa de combustível.

Como o interesse histórico era grande, ainda encontrei a garantia de fábrica, que atesta a data da nota fiscal: 01/06/76. Por ali também está um caderninho com as anotações de manutenção do Dodge, feitas a mão pelo primeiro dono.

O cofre do motor e o pára-brisa ainda ostentam os selos de fábrica, estes últimos levemente desgastados. Dentro do carro, a nostalgia se completa. Os assentos individuais não demonstram que alguém tenha sentado ali nos últimos tempos. “Acho que nunca alguém andou aí atrás”, brincou o André, sobre o banco traseiro, igualmente perfeito.

O rádio está sintonizado em alguma estação que já não existe mais. Por um momento, pensei em ligá-lo. Talvez aquela música do nono parágrafo ainda estivesse tocando: “Os botões da blusa que você usava...”. Mas preferi apenas deixá-lo em silêncio.

Mais alguns minutos se passaram até que todas as fotos fossem tiradas. Depois, o clássico Mopar voltou para o fundo da garagem. A seu lado, um Galaxie 500 – o primeiro veículo da coleção – permanece em repouso. Mas essa é história para um outro artigo.

Saí da casa convencido de que o antigomobilismo continuará firme e forte por muitos e muitos anos. E os dois carros dessa matéria são mais do que a simples combinação de aço, borracha e motor V8. Eles são a prova de que, com cuidado e manutenção, o tempo pode, realmente, parar.

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* Renato Bellote, 27 anos, é bacharel em Direito e assina seis colunas sobre antigomobilismo na internet. O autor tem textos publicados em doze países de língua espanhola e é correspondente do site português Lusomotores

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