José Luiz Gandini conta sua estratégia para 2009

A trajetória da marca Kia no Brasil está intimamente ligada ao empresário
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Fernando Calmon
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A trajetória da marca Kia no Brasil está intimamente ligada ao empresário José Luiz Gandini. Ele e o clã dos Gandini nunca se afastaram de Itu, interior de São Paulo, no que se relaciona à sede do conglomerado e ao local de moradia. Mas foram longe na ousadia e na expansão dos negócios. No setor automobilístico, o pai, José Carlos, e ele viajaram ao sudeste asiático muitas vezes. Em 1991, negociaram na Coréia do Sul a representação para o Brasil de uma marca desconhecida aqui e, na época, independente.

Nos anos de 1997 e 2000, o grupo paulista foi o maior importador Kia no mundo. Sofreu com as agruras e a bancarrota da matriz da companhia, absorvida pela Hyundai em 1998. Quando a van Besta – seu carro chefe – foi retirada de linha em 2005, o modelo representava mais de 50% do faturamento da importadora. Começou, então, um espinhoso processo de reciclagem da rede de concessionárias, que passou a ter nos automóveis e nos utilitários esporte os principais produtos à venda.

José Luiz dedicou-se à tarefa com afinco e teve sucesso na missão. Foi só mais um desafio entre outros, a exemplo de presidir a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores sem ligação aos fabricantes no País por mais de um mandato. Sua confiança no mercado brasileiro continua inabalada, apesar das dificuldades da crise mundial atingir a todos.

WebMotors – O dólar tão caro às importadoras provocará uma queda expressiva de vendas este ano?
JLG – Depende da marca representada. As variações cambiais levaram, de fato, à valorização do dólar em relação à quase todas as moedas. O iene, ao contrário, se valorizou em relação à moeda americana e trará sérios empecilhos aos fabricantes nipônicos. No caso do won coreano houve forte perda de cotação frente ao dólar e há margem de negociação com os importadores. De qualquer forma será um ano bem difícil e mais ainda de fazer previsões. Depende de ações de governo, grau de confiança do consumidor, retomada dos prazos de financiamento e do comportamento da economia.

WebMotors – A rede de concessionárias Kia está bem preparada?
JLG – Sem dúvida. Reunimos hoje 113 concessionárias e na prática estamos sem falhas de cobertura. É uma rede motivada e que desempenhou muito bem nesses últimos dois anos mágicos de expansão de vendas no País, muito acima do que os mais otimistas previam. Longe dos grandes centros urbanos ainda há demanda por abertura de novas casas, mas estamos satisfeitos com o nosso quadro atual. Como ponto positivo, não sentimos que o comprador está fugindo das lojas.

WebMotors– De fato, uma surpresa?
JLG – Sim. Em nossas reuniões com diversas concessionárias para sentir o pulso do mercado colhemos visões sem pessimismo generalizado. Talvez o consumidor demore um pouco mais para tomar sua decisão, mas não vislumbro paralisia, nem desalento preocupantes.

WebMotors– Qual a estratégia para enfrentar este cenário de incertezas ainda existente?
JLG – Contar com um bom e abrangente plano de produtos. E quanto a isso estamos confiantes. O Mohave V6 está no mercado. Já chegou também a versão diesel que conta com caixa de redução e a opção de guincho elétrico Warn para uso severo, tudo de acordo com a legislação vigente e corretamente homologado no Contran. Também teremos um Mohave V8 a gasolina. Sorento e Magentis estão renovados. O Soul, pelo que assistimos no último Salão do Automóvel em São Paulo, recebe ótima acolhida no mercado por suas características únicas. E o novo Cerato permite disputar com mais fôlego a faixa dos sedãs médio-compactos, em que a oferta de modelos nacionais, além de argentinos e mexicanos isentos de imposto de importação, e outros importados impressiona: pelo menos 15 concorrentes.

WebMotors– Ainda existe receio dos compradores acerca de assistência técnica de produtos importados?
JLG – Isso se dissipou depois de 18 anos de abertura comercial e da participação crescente desses veículos na frota circulante brasileira. Os estoques de peças da Kia do Brasil são superiores a 50.000 itens. Eventuais componentes em falta são supridos, via aérea, em quatro ou cinco dias direto da Coréia.

WebMotors– A garantia total de cinco anos faz grande diferença?
JLG – Claro que essa política da marca atrai, mas considero apenas um instrumento a mais. O comprador amadureceu e sabe que, sem qualidade percebida, qualquer fabricante terá muitas dificuldades. São raros os que permanecem com o mesmo veículo tanto tempo. O argumento ao revender o carro, depois de dois ou três anos, mantendo a garantia tem o seu peso, mas não é a única nem a principal razão de compra.

WebMotors– Continuam os planos de também fabricar veículos?
JLG – Na realidade, adiamos, mas não cancelamos esse objetivo. Tanto que estamos com a produção no Uruguai, onde também somos o importador oficial Kia. A operação é restrita ao caminhão leve Bongo, em instalações já existentes no país vizinho, dentro das regras do Mercosul. E permanece a intenção de produzir no Brasil o Soul, embora a situação difícil da indústria automobilística mundial tenha obrigado a postergar os planos iniciais. No entanto, fizemos o investimento inicial ao adquirir instalações industriais em Salto, município vizinho a Itu. São 21.000 m² construídos de uma fábrica que produzia cabos de fibra ótica, em terreno de 560.000m². Embora paralisada há nove anos, os prédios estão bem conservados e prontos para serem adaptados sem problemas. Não pedimos nenhum incentivo ao governo. No momento certo, vamos investir a partir de capital próprio e dos mecanismos de financiamentos no mercado, inclusive de fomento quando disponíveis.

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