Mercado de carros aos pedaços

Modelos são desmanchados aos poucos, de acordo com o interesse do cliente
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Os carros nacionais e importados que saíram de linha ou foram completamente renovados vão desaparecendo gradualmente das ruas, lojas e oficinas. E perdem valor de mercado.

Acompanhando essa lenta extinção, as peças e componentes dos ilustres ‘velhinhos’ deixam de ser produzidas. Rareiam. Fica muito difícil - quase impossível - manter um carro fabricado nos anos 70, 80 e 90 em perfeito estado.

De olho nesse nicho de mercado, formado por saudosistas, amantes de quatro rodas ou pessoas que simplesmente querem manter o seu velhinho em bom estado, alguns comerciantes começaram a caçar e a vender as partes dos carros que um dia fizeram sucesso inteiro. Os carros são vendidos aos pedaços. Isso mesmo: eles vão sendo desmanchados aos poucos, de acordo com o interesse do cliente, busca peças e componentes.

Tudo é feito legalmente. Na prática, o interessado vai até o local, escolhe apenas a parte que deseja e pode acompanhar a desmontagem na hora. E sai feliz da vida rodando com seu Maverick 73, o Mercedes-Benz 86, consertado. Impecável e original.

“Nesse negócio todo mundo ganha: a pessoa que compra, a que vende e a cultura do automóvel”, diz o mecânico Cesar Piovesan, na Aclimação/SP. Ele está acostumado a consertar carros importados com peças compradas de carros desmanchados e até indica aos seus clientes os profissionais que vendem carros aos pedaços.

“Dependendo do modelo, que pode ser um Peugeot 406, um Mercedes-Benz ou um Alfa Romeo com mais de quinze anos de idade cujo valor de mercado não passa dos R$ 12 mil, o proprietário ganha o dobro ou até mais desmanchando e vendendo em partes”, disse

Normalmente as peças para esses tipos de veículos são encontradas em desmanches irregulares, têm uma procedência duvidosa, ou então custam muito caro. Por isso, o Cesar Piovesan explica que o negócio dá dinheiro, mas deve ser feito de um modo legalizado e seguindo algumas regras.

“Comprar um carro com dez, 15 anos de uso e vendê-lo aos pedaços pode dar muito dinheiro – disse – mas tudo deve ser feito de acordo com a lei. É preciso ir ao Detran e dar baixa no veículo. Assim, cessa o pagamento do IPVA e o futuro comerciante terá em mãos a prova para apresentar a uma eventual fiscalização, provando que comprou o carro legalmente e com a finalidade de vendê-lo aos pedaços”.

Outro dois detalhes importantes: é preciso formalizar uma empresa jurídica. Também deve dispor de um espaço físico, onde ficarão os carros, estacionados e preservados. A partir daí, é só ter paciência, pois é um negócio que gira aos poucos, de acordo com o surgimento de interessados.

Piovesan dá uma dica: o vendedor de carros aos pedaços deve procurar clubes de colecionadores, aficionados e fazer anúncios na internet ou em jornais especializados.

“As peças procuradas não estão mais no mercado. Assim, o comerciante deve ter as ferramentas para desmontá-las de acordo com a procura”, diz ele. As peças mais procuradas beiram os mínimos detalhes. São maçanetas, miolos de chave originais, presilhas de para choques, calotas, ponteiras de escapamento e cinzeiros internos, entre outros.

Além disso, há várias outras peças ou conjuntos bem maiores que são procurados, como motores, rodas, sistemas de freio, portas, forração interna. “Por exemplo, se um Daewoo Espero batido precisa trocar o para-lama, a porta e o para choque, seu proprietário vai gastar uns R$ 4 mil numa loja ou importando. Mas se comprar tudo em partes, gasta por volta de R$ 1,5 mil”, prevê.

Paulo Girlandi, arquiteto e dono de auto-escola, já teve problemas para achar peças para seu impecável Passat LS 1974, como o bagageiro do porta-malas. Após muita procura encontrou outro aficionado, que tem três Passat estacionados na garagem e que são vendidos aos poucos. “Fui até lá e escolhi o que queria com calma. Foi um bom negócio”, diz.

“O carro está completo”, disse Girlandi. “Apenas o motor foi trocado por outro um ‘pouquinho’ mais bravo com mais de 400 cv, mas o original está guardado em casa”, revelou, rindo.

O mecânico Leandro Soares, de São Paulo, é um que resolveu vender seu carro aos pedaços. Ele tem um Ford Taurus ano 92, completo, automático, com motor V6 3.8 "Eu resolvi vender o carro porque ele foi atingido por uma enchente. A tapeçaria e a parte elétrica se acabaram, mas a parte mecânica está intacta", diz. "Quer dizer, fica muito caro pra reformar". Na tabela, um carro como esse, em boas condições, vale no máximo R$ 8 mil, mas vendendo aos pedaços Leandro pode arrecadar bem mais: “Só o câmbio automático vale R$ 3 mil”, disse. Uma porta pode chegar a R$ 1,5 mil e um conjunto de rodas R$ 2 mil.

Outro exemplo das dificuldades e dos lucros desse nicho do mercado: só o câmbio automático de um Daewoo Espero 96 vale o dobro do carro inteiro. “É isso mesmo”, revelou o advogado Guido Santini, dono de um sedã Daewoo 95, branco, todo original, que inteiro vale, em média, R$ 9 mil, de acordo com as cotações do mercado.

“Encontrar as peças originais é muito difícil e sai bem caro”, afirmou. O advogado já suou pra encontrar as calotas originais, o motor do ar-condicionado que é todo blindado, o retrovisor esquerdo precisou mandar fazer e gastou R$ 200,00, entre outros. “Se alguém quiser comprar meu Daewoo, eu vendo”, avisa. O motivo: manter seu carro impecável, procurando os pedaços por aí dá muito trabalho.


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