Novas tecnologias em debate

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Fernando Calmon
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- Os temas discutidos em simpósios técnicos estão extrapolando, no bom sentido. Claro que o espaço dedicado aos assuntos mais profundos está sempre garantido, ocupa grande parte do tempo e é necessário para divulgar os bons trabalhos gerados pela indústria e pela comunidade acadêmica. Um bom exemplo foi o XIII Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva Simea, organizado recentemente pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva AEA, em São Bernardo do Campo, SP. Esta edição antecipou a comemoração dos 50 anos da indústria automobilística, cujo marco zero é junho de 1956. O evento marcou uma justa homenagem a 10 pioneiros e executivos que ajudaram a consolidar o setor, inclusive ao presidente Juscelino Kubitschek falecido em 1976.

Entre as várias apresentações, algumas se destacaram por interessar de imediato ao consumidor, como o mecanismo direcional de baixo custo para as rodas traseiras de automóveis. Idealizado por Geancarlo Rettori e Omar Madureira, da Universidade de São Paulo, facilita bastante as manobras de estacionamento pela redução em 16% do diâmetro de giro do veículo. Segundo o estudo, tal sistema opcional custaria apenas 3% do preço básico de um automóvel pequeno, ou seja, em torno de R$ 800,00.

Outra boa notícia foi a entrada do Brasil na era da radiodifusão digital. Cinco grupos de emissoras já testam os equipamentos. Arthur Peres, da Visteon, explicou que os aparelhos analógicos atuais são compatíveis com o novo padrão. Mas, utilizando os digitais, a qualidade de som em AM passa a ser o de uma rádio FM estéreo atual e esta alcançará a fidelidade de um CD, com eliminação quase total de interferências em AM e FM.

Fábio Bassam, da Volkswagen, destacou a incompatibilidade entre a bem regulamentada segurança veicular e a falta de parâmetros rígidos de construção/manutenção rodoviária. Apesar dos motoristas ainda responderem, individualmente, por até 90% parte dos acidentes, o ideal seria uma sinergia entre quem projeta os veículos e constrói as estradas. Há um bom potencial para evitar ocorrências ou as conseqüências por meio de traçado, barreiras de proteção, piso adequado.

A poluição foi um tema recorrente. Um dos melhores trabalhos mostrou um balanço do que ainda se precisa fazer para restringir as emissões de motores diesel no Brasil, que afetam 40 milhões de pessoas. Sem a melhora do combustível não se poderão implantar novas tecnologias e a Agência Nacional de Petróleo continua bastante omissa. Também nada contribuem mensagens publicitárias, como da MWM-International, tentando demonstrar que só a ausência de fumaça visível resolve as graves ameaças à saúde pública típicas dos motores diesel, esquecendo das partículas inaláveis, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos e formação de ozônio ao nível do solo, além de outras mazelas.

O painel mais diferente do Simea destacou uma grande preocupação atual dos motoristas. O monitoramento eletrônico dos veículos é voltado à segurança ou à pura arrecadação de multas? Adauto Martinez, da Companhia de Engenharia de Tráfego da capital paulista, destacou que estão acabando os contratos terceirizados com comissão sobre as multas e acha "recomendável" as placas de aviso sobre a fiscalização.

O fato é que prefeituras já contam, avidamente, com as multas em seus orçamentos e a educação para a segurança passa longe das prioridades. Entre os problemas estão a fixação de limites de velocidades totalmente irreais e confundir ruas com avenidas e estradas em termos de gradação das penas pecuniárias uma falha no código de trânsito no intuito puramente arrecadatório.

Muito bom que uma entidade técnica como a AEA abra-se para debates saudáveis do dia-a-dia dos motoristas.

RODA VIVA

MOTOR de 2.400 cm³ do Vectra pode ser oferecido, em breve, no Astra SS, uma versão esportivada do médio-compacto da Chevrolet, logo que a versão flex receber os ajustes específicos para o modelo. Esse mesmo motor, sem multiválvulas e a gasolina, ajudou muito a nova pickup S10 na obtenção da liderança específica do mês de setembro. A acessível versão Advantage respondeu por quase 1/3 das vendas, quando antes representava 5% do total, sendo o restante a diesel.

DEPOIS da Chrysler Dakota e da Mercedes-Benz Classe A, chegou a vez de a Land Rover fechar sua linha de montagem no Brasil, que empregava apenas 57 pessoas e produziu menos de 700 unidades do Defender, em 2004. Na África do Sul ocorreu a mesma decisão. O motivo principal foi mesmo de concentrar a produção em Solihul, na Inglaterra, onde a marca fez pesados investimentos. Em janeiro, chegar o Defender importado, no mínimo 30% mais caro.

CONSUMO mais elevado de álcool, embora traga economia no custo por quilômetro onde rodam 70% da frota brasileira, tem reduzido a autonomia dos veículos flex. Seria o caso das fábricas voltarem a utilizar tanques de combustível um pouco maiores, como ocorreu no passado. Com tanques de plástico atuais isso fica bem facilitado, sem onerar exageradamente o preço dos carros.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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