Primeiro Tata Nano é entregue a seu dono na Índia

Ashok Raghunath Vichare é o primeiro proprietário do carro mais barato do mundo, entregue pessoalmente pelo presidente mundial da Tata, Ratan N. Tata
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Gustavo Ruffo
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- Quem vem acompanhando a saga do Tata Nano anda ansioso para saber quando ele chega ao Brasil. Para nossa infelicidade, só em 2011, mas já é um começo. Por enquanto, os únicos que podem comprar o carro mais barato do mundo são os indianos. Mesmo assim, enfrentando uma senhora fila. As 100 mil primeiras unidades já foram todas vendidas e olha que isso é carro à beça e já tem gente esperando pelos próximos 100 mil. Seja como for, o primeiro de todos os Tata Nano já encontrou sua garagem. Será a de Ashok Raghunath Vichare, que vive em Mumbai. Vichare recebeu seu carro das mãos de Ratan N. Tata, presidente mundial da Tata, no dia 17 deste mês.

Levamos um pouco mais de tempo do que gostaríamos para publicar essa reportagem porque não tínhamos as fotos do evento. A Tata infelizmente divulgou apenas vídeos da entrega, deixando as fotos a cargo dos jornalistas presentes ao evento, entre eles Shrawan Raja e Ritesh Madhok, do Indian Autos Blog, nossos parceiros da terra de Gandhi, que gentilmente nos autorizaram a publicar as imagens da entrega.

O Nano terá uma fábrica exclusiva para ele em Sarand, no Estado de Gujarat, com capacidade para fazer “apenas” 350 mil unidades ao ano. É pouco, considerando a demanda pelo carro, o que explica o fato de a fábrica de Pantnagar, que está fazendo as primeiras unidades do carro enquanto a planta de Gujarat não fica pronta, continuar a serviço da produção do Nano indefinidamente. Se bobear, é capaz de a Tata ter de criar mais uma fábrica para dar conta da procura.

Tanta atenção se justifica. O Nano é o automóvel mais barato do mundo e, segundo todas as avaliações, é um carrinho muito do bom. Foi inclusive aprovado em crash tests europeus, calando a boca de quem dizia que ele não conseguiria a façanha e de que, sendo tão barato, ele só poderia ser ruim e inseguro. Não é.

O Nano tem 3,1 m de comprimento, 1,5 m de largura e 1,6 m de altura e é dotado de um motor traseiro de dois cilindros, todo de alumínio, com 624 cm³, 35 cv a 5.250 rpm e 48 Nm a 3.000 rpm. Com um peso de cerca de 600 kg, ele será capaz de atingir 105 km/h de velocidade máxima. Se o desempenho não empolga, consumo e emissões são dignos de nota: ele faz 23,6 km/l, o que, com seu tanque de 15 l, dá uma autonomia de 354 km. Em termos de dióxido de carbono, ele libera apenas 101 g/km. A garantia oferecida para o Nano é curta: 18 meses ou 24 mil km, o que vencer primeiro.

Todos os freios do carro usam tambores, o que seria um bocado temerário se ele atingisse velocidades mais altas, mas, com uma máxima de 105 km/h, não deve ser um grande problema, especialmente no tráfego carregado das grandes cidades indianas.

Em estradas, onde pouca gente deve se atrever a colocar o Nano, há um risco mais alto de o freio esquentar e perder eficiência. Especialmente sabendo que os freios não contam com hidrovácuo, que diminui a força da frenagem, a não ser a partir da versão intermediária do carro.

Falando nas versões, haverá três delas para o Nano: Standard, de entrada, que oferecerá três opções de cores, bancos em uma cor única e banco traseiro rebatível. Na intermediária, a CX, o Nano terá cinco opções de cor, sistema de climatização do carro ar quente e ar-condicionado, servo-freio, assentos em duas cores, porta-malas com cobertura e banco traseiro rebatível com descansa-braço.

A versão topo de linha, chamada de LX, traz tudo que a CX oferece mais bancos de tecido, travas elétricas, vidros dianteiros elétricos, faróis de neblina, cinco cores sólidas e três metálicas, hodômetro digital, porta-copos no painel central, saída de 12V para recarga de equipamentos e aerofólio traseiro. Foi essa a comprada por Vichare, que teria ficado sem palavras ao receber seu veículo. Segundo Raja, Vichare poderia, pela primeira vez, carregar sua família em um automóvel, um sonho que muitos indianos estão prestes a realizar.

Preço e reservas

A promessa de um modelo de 1 lakh, ou cem mil rúpias, foi cumprida, “pero no mucho”. Esse é o preço pela versão básica saindo da fábrica. Para o consumidor, ou seja, da concessionária para a frente, ele vai custar a partir de 112.735 rúpias, ou cerca de R$ 5.000. Agora, só falta entregar o carro, mas isso também não será para agora. As primeiras unidades só serão entregues em julho.

Para vender o carrinho na Índia, onde a expectativa de procura era alta, foi feita uma verdadeira operação de guerra, ou melhor, de reserva. De 9 e 25 de abril foram vendidos os formulários de reserva, que custaram 300 rúpias, ou cerca de R$ 13. Depois de preenchido o formulário, era preciso pagar o valor de reserva. Para o modelo Standard, ele foi de 95 mil rúpias, ou pouco mais de R$ 4.000, quase o valor total do carro. Para o CX, 120 mil rúpias, ou pouca coisa mais que R$ 5.000. Por fim, a reserva para o modelo LX sai por 140 mil rúpias, ou R$ 6.000 e uns quebrados.

Como a Tata criou o carro para quem não tem muito dinheiro, e sabe que essas pessoas poderiam precisar de financiamento para o valor de reserva, ela designou 15 instituições financeiras que, além de aceitar as reservas, puderam financiá-las com uma entrada mínima de 2.999 rúpias, ou cerca de R$ 130.

Das 203 mil reservas efetivadas, 70% foram financiadas. O modelo mais simples, o Standard, teve 20% das preferências. O intermediário, o CX, ficou com 30% das reservas. Os indianos, como os brasileiros, demonstraram gostar de modelos mais completos: foi o Nano topo de linha, o LX, que teve o maior número de pedidos, com 50% delas.

Como já se esperava que a procura seria grande, pagar a reserva integralmente não era garantia de receber o carro. A Tata criou um sistema de sorteio para selecionar, dentre os 203 mil aspirantes efetivos a donos do carro, quais serão os 100 mil privilegiados. O sorteio acontece no dia 25 de junho, com início de entregas no mês seguinte e previsão de fim por volta do final de 2010, que é quando a fábrica de Sarand entra em operação. O valor do carro será assegurado para essas pessoas.

Quem não for sorteado pode receber seu dinheiro de volta ou continuar na fila pelo carro. Se a escolha for esta última, os compradores da segunda fase terão direito a juros de 8,5% se a espera durar até dois anos. Se for superior a isso, os juros sobem para 8,75%.

É pouco provável que alguém largue seu lugar na fila. Cerca de 1,4 milhão de pessoas foram às concessionárias Tata na Índia conhecer o Nano. O site oficial do carrinho, www.tatanano.com, recebeu mais de 30 milhões de visitas desde 9 de abril deste ano. Tanto interesse deve se refletir em longos períodos de espera.

Para o Brasil, o modelo que deve ser exportado deve ser o Nano Europa, apresentado no Salão de Genebra deste ano e estimado apenas para, adivinhe, 2011. Com 3,29 m de comprimento, 1,58 m de largura e 2,28 m de entreeixos, ele terá motor maior, de três cilindros, e câmbio automático de cinco velocidades. ABS, ESP e airbags serão, como exige a legislação européia, de série. O modelo brasileiro talvez não os tenha, para ser mais barato. Esse, afinal de contas, é o apelo do carro. Quem sabe não será ele o modelo que colocará o preço dos carros brasileiros em patamares decentes? Assim esperamos.

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