Veículos elétricos: você logo vai dirigir um

Daqui a dez anos, elétricos serão 30% dos carros vendidos aqui
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Cesvi Brasil
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Segundo projeções da ABVE Associação Brasileira do Veículo Elétrico, cerca de 30% dos carros novos vendidos no Brasil daqui a dez anos serão elétricos, sejam híbridos ou somente a bateria. Não estamos falando num futuro distante, coisa de ficção científica... mas daqui a dez anos; um piscar de olhos sob a perspectiva da história.

Parece exagero? Talvez, mas o fato é que importantes fabricantes, como Ford, Fiat, Renault, Mitsubishi, Mercedes-Benz e Nissan já oferecem veículos elétricos, híbridos e a bateria – uma realidade que já demanda um estudo para assimilação e transição dos modelos de negócios para este novo momento da indústria automobilística.

Para os mercados de seguros e de reparação, essa preparação envolve um conhecimento de como esse veículo se comporta em um reparo, e como isso vai trazer impacto à análise do sinistro. Enquanto não há estudos de reparabilidade de veículos elétricos no Brasil, já dá para reunir informações sobre os tipos de veículos que vêm por aí, seus benefícios ligados ao consumo de combustível e cuidados gerais com o reparo.

Híbridos saem na frente

A entrada dos veículos elétricos no mercado começa pelos modelos híbridos. São veículos de dois motores, sendo um elétrico e outro movido a combustão interna.
Esse tipo de elétrico é o que tem sido mais amplamente aceito até agora, por uma série de motivos. Além de reduzir a emissão de poluentes de forma significativa, ser mais confortável e silencioso, esse veículo usa menos combustível e tem uma autonomia maior que a de um veículo convencional de mesmo porte. Em 2009, quase 1 milhão de veículos elétricos híbridos foram vendidos no mundo inteiro; em 2010, 2,2% dos carros vendidos no mundo tinham esse sistema no Japão, já são 11%. Outro tipo de híbrido em que os fabricantes apostam é o do tipo plug-in, que pode ser carregado pela rede elétrica.

Já a evolução dos veículos exclusivamente elétricos, somente movidos a bateria, tem sido mais lenta, freada principalmente pela falta de baterias adequadas. Só mais recentemente, algumas montadoras passaram a oferecer baterias mais leves, de bom desempenho.

TIPOS DE VEÍCULOS E DE ABASTECIMENTO

HEV Hybrid Electric Vehicle – É o veículo híbrido, com dois motores, um elétrico e um movido a combustão interna. Seu abastecimento é feito como no convencional, com combustível. O próprio motor a combustão aciona um gerador que carrega a bateria quando necessário, além de dar assistência ao motor elétrico em determinadas situações, quando há demanda de valores maiores de torque e potência. Há também frenagem regenerativa.

Até uma velocidade de 70 km/h, o veículo funciona com o motor elétrico. A partir dessa velocidade, é o motor a combustão que leva o carro. A redução no consumo de combustível é de 25% a 40% em comparação com o veículo convencional.

Bev Battery Electric Vehicle

Veículo unicamente elétrico, sem motor a combustão. A bateria tanto pode ser recarregada na rede elétrica quanto pode ser substituída por outra carregada – além do carregamento por frenagem regenerativa. Não há consumo de combustível.

PHEV Plug-in Hybrid Electric Vehicle

Também é híbrido, mas a recarga da bateria não depende exclusivamente do motor a combustão; pode ser recarregada conectando o veículo à rede elétrica. A alternância entre motor elétrico e a combustão segue o padrão dos híbridos: a eletricidade é a fonte até os 70 km/h. Nesse tipo de veículo, a redução de consumo de combustível é de 40% a 65%.

Vantagens

A aposta na disseminação do veículo elétrico passa por uma série de benefícios proporcionados pelo sistema. Confira os principais:

• Converte em força mecânica mais de 90% da energia elétrica, enquanto o motor de combustão interna MCI converte menos de 25% da energia do combustível líquido
gasolina, etanol, diesel e GNV.

• Com poucas partes móveis, é consideravelmente mais simples de construir e manter maior durabilidade e menores custos de manutenção.

• Não consome energia quando fica parado no trânsito, diferentemente do carro convencional, que fica com o motor ligado.

• Tem elevado torque de partida. Já no carro convencional, que precisa de um sistema de embreagem e câmbio, esses sistemas dissipam até 20% da energia.

• Redução de tarifas como IPVA e licenciamento.

EXEMPLOS DE GRANDE SUCESSO NO MUNDO

Toyota Prius – Lançado em 1997, tem mais de 1 milhão de unidades vendidas no mundo. Seu rendimento é de 21 quilômetros por litro é um veículo híbrido, e custa cerca de 23 mil dólares. É o carro mais vendido no Japão.

Honda Insight - Foi o carro mais vendido do Japão no ano de seu lançamento, 2009. Faz 29 quilômetros por litro e custa cerca de 22 mil dólares.


POLÍTICAS DE INCENTIVO

Diversos países têm promovido políticas de incentivo à produção de veículos elétricos. No Brasil, já há planos de fazer todo o transporte de pessoas na Copa do Mundo de 2014 em ônibus elétricos. O país também investe na fabricação de baterias e lítio para o abastecimento da produção desses veículos. Veja no quadro a seguir o que outros países estão fazendo.

É viável?

Para que os veículos elétricos passem da condição de promessa do futuro para realidade do presente, será necessário que algumas barreiras sejam superadas. Será preciso que haja:

Redução do custo de produção caso brasileiro, porque esta redução já é realidade em muitos países.

Redução do imposto de importação, que é de 35% para veículos elétricos. Redução do IPI, que é de 40% no Brasil para veículos elétricos.

Essas reduções dependem não apenas da mobilização e de iniciativos do setor privado, mas, em grande parte, do governo brasileiro – que demonstrou, em junho, disposição e interesse em participar de forma mais próxima e decisiva quanto às questões que envolvem políticas de incentivos fiscais.

CUIDADOS NA REPARAÇÃO

De uma forma geral, o veículo elétrico rompe com os padrões e práticas da reparação que é feita nos veículos convencionais, movidos a combustão interna. Quando o volume de veículos elétricos chegando às oficinas for significativo, os reparadores terão de atualizar seus conhecimentos, obtendo informações específicas para este tipo específico de veículo. A seguir, alguns exemplos do que a reparação de veículos elétricos terá de levar em consideração.

• A carroceria do veículo elétrico é concebida com novas ligas de aço, para promover maior resistência com peso menor. Os novos materiais exigem novos estudos para a sua reparação.

• A propulsão feita com eletricidade demanda procedimentos específicos no reparo, como a identificação das rotas de cabos dos circuitos eletrônicos de potência, e dos dispositivos de controle, como inversores e conversores elétricos.

• Elimina a necessidade de acoplamento por correias para dispositivos de assistência periféricos, como ar condicionado, direção hidráulica e alternador. Elimina também a necessidade de troca de óleo. O sistema que gerencia o funcionamento do motor elétrico não é mais o mesmo da injeção eletrônica, e sim um exclusivo para gerenciamento do fluxo elétrico entre a bateria e o motor.

• Nos veículos elétricos, tanto o freio quanto a transmissão exploram os princípios elétricos.

POLÍTICA DE INCENTIVO EM OUTROS PAÍSES

Estados Unidos
Bônus para consumidores de até 7.500 dólares. E mais de 2,4 bilhões de dólares investidos em pesquisa e desenvolvimento de veículos e baterias.

China
Bônus para consumidores proporcional a 8.780 dólares, e anúncio de plano para a instalação de pontos de recarga nas principais cidades.

Reino Unido
Bônus para consumidores de até 5 mil libras, desconto na taxa de circulação e isenção da cobrança de estacionamento no centro de Londres.

União Europeia
15 países oferecem incentivos monetários aos consumidores de carros elétricos.

Outros

Incentivos relevantes também existem em Israel, no Japão e no Canadá. No Japão,
Toyota Prius, um elétrico híbrido, já é o carro mais vendido do país.

MAIS DE 100 ANOS DE CARROS ELÉTRICOS

O início da era do automóvel foi cheio de percalços. Foi só na última década do século 19 que começou a surgir algo parecido com o que viria a ser uma indústria automobilística. Foi quando três alternativas de propulsão surgiram: combustão, vapor e eletricidade. Justamente aí aparece um dos grandes gênios do século 20: o tcheco Ferdinand Porsche.

Porsche começou a se interessar pela eletricidade e, ainda jovem, associou-se ao austríaco Ludwig Lohner. Na Feira Mundial de Paris, de 1900, visitada por cinco milhões de pessoas, foram exibidos os grandes avanços da Lohner-Porsche. Suprimindo eixos, correntes de transmissão e câmbio, o carro era propulsionado por dois motores elétricos nos cubos das rodas dianteiras e, apesar de baterias pesadas, alcançava uma autonomia de 50 quilômetros.

Um ano antes, no Salão do Automóvel de Berlim, a empresa belga Pieper apresentou o que seria hoje considerado um híbrido em paralelo: motor elétrico central conectado por embreagem a um motor a combustão, que movia as rodas por uma transmissão convencional. Mas esse carro nunca chegou a funcionar de forma satisfatória.

No outono de 1900, Porsche começou a desenvolver um híbrido em série, a fim de aumentar a autonomia de seu carro elétrico. No ano seguinte, mostrou o protótipo do Semper Vivus, veículo que tinha baterias menores, para abrir espaço a dois pequenos motores a gasolina de 3,5 cv, acoplados a dois geradores de 2,5 cv. Esse conjunto era colocado no centro do chassi, entre os bancos dianteiro e traseiro.

Os motores trabalhavam separadamente, e o excesso de corrente, após passar pelos motores elétricos nos cubos dianteiros, era armazenado nas baterias. No final de 1901, ficou pronta a versão definitiva – Lohner-Porsche Mixte –, e cinco unidades foram vendidas. Já apresentava aspecto convencional: motor dianteiro de 25 cv e árvore de transmissão até o gerador sob o banco.

Dando um salto no tempo, pode-se dizer que a história moderna dos carros elétricos começa em meados dos anos 1990, com o lançamento de carros elétricos a bateria nos Estados Unidos e na França, enquanto, no Japão, era lançado um Toyota Prius, carro elétrico híbrido.


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