Adversários, mexam-se

Estréia do novo Gol, uma das mais aguardadas dos últimos anos, promete fortes emoções
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Fernando Calmon
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- O novo Gol estava entre os modelos mais aguardados dos últimos anos e sua estréia esta semana promete tempos de fortes emoções no mercado. Tudo porque sustenta uma liderança de 21 anos consecutivos de vendas mais o ano isolado de 1983, um feito superado apenas pelo Fusca, que se manteve 24 anos à frente 1959 a 1982. Só que hoje a concorrência é muito maior e as estratégias de marketing, mais complexas.

A Volkswagen mantém em produção o Gol anterior apenas de duas portas e motor de 1 litro para se aproximar em preço do Mille – o carro mais barato com o fim do Fusca. A quinta evolução, desde 1980, chega com os mesmos preços e versões da quarta. E isso cria dificuldades para o Fox porque o novo carro exibe vários pontos superiores, a começar por um quadro de instrumentos bem atraente. Como o mercado ainda está muito aquecido, o cenário parece administrável em curto prazo. Provavelmente, o Fox receberá o motor de 1,4 litro em substituição ao de 1 litro, além dos mesmos instrumentos e retoques estilísticos, já em 2009.

O novo Gol exibe estilo equilibrado e de personalidade, mesmo sem arroubos de ousadia, à exceção do defletor de teto em todas as versões. Um automóvel que, nesse aspecto, teria boa acolhida mesmo em países de ponta. Quanto ao chassi, a evolução foi ainda maior com a troca da velha plataforma de motor longitudinal pela do Polo/Fox, com motor transversal. As rodas de quatro parafusos e a suspensão traseira do Gol modificada foram mantidas, porém a suspensão dianteira e a coluna da direção são da próxima geração do Polo europeu de 2009.

O entreeixos de 2,47 m é o mesmo do Polo, mas o novo leiaute e 5 cm a mais de altura melhoram o espaço para os passageiros, em especial no banco traseiro. O carro ficou 3 cm mais curto, porém manteve o volume do porta-malas 285 l. Boa vantagem é o maior tanque de combustível do segmento, de 55 l. A Volkswagen fez um teste de São Paulo a Brasília, mais de 1.000 km sem abastecer com gasolina, alcançando consumo de 21 km/l e média pouco inferior a 80 km/h. Trata-se mais de referência, não tão fácil de reproduzir.

Sensações ao guiar evoluíram bastante. Diminuiu o nível de vibrações, caixa de câmbio é a mais precisa e suave do segmento e volante regulável em altura e distância já na versão intermediária agora está alinhado em relação ao banco, este com regulagem de altura de série. Visibilidade melhorou e suspensões continuam firmes, transmitindo segurança, como antes. Respostas em baixas rotações do motor de 1.600 cm³/104 cv álcool são muito boas. Motor de 1.000 cm³, com taxa de compressão de 13:1 e torque recordista de 10,6 kgf.m potência, 76 cv, impressiona pela suavidade. Há pormenores interessantes, como abertura das portas dianteiras em três estágios, e outros menos: porta-mapa apenas no encosto do banco dianteiro do acompanhante.

A VW ainda conseguiu diminuir custo de seguro e permite, agora, escolha individual de acessórios e equipamentos de segurança, como airbags e ABS. Sozinho, o novo Gol deve agregar de 1% a 2% de mercado à marca, já computado o prejuízo ao Fox. E ainda vêm sedã, hatch 2-portas, picape e station. Adversários, mexam-se.

RODA VIVA

PEUGEOT fez ótimo trabalho de evolução no hatch compacto 206, rebatizado de 207. Fábrica atuou no carro como um todo. Muita coisa foi aperfeiçoada, desde reprogramação da central eletrônica do motor, passando pelo comando por cabos da caixa de câmbio e carga de amortecedores. Suspensão ficou menos ruidosa, interior tem melhor isolamento acústico e o acabamento melhorou.

ESTILO perdeu um pouco em harmonia para a versão anterior, ainda em produção como modelo de entrada da marca francesa. A frente do 207 há pequenas mudanças na versão nacional, como posição dos faróis de neblina fica melhor no modelo original, de dimensões maiores. Não foi boa idéia chamá-lo de 207: está distante do autêntico. Por outro lado permitiu preços inferiores aos atuais.

STATION Peugeot 207 ficou equilibrada e simpática, no aspecto externo. Curiosamente, câmbio automático será de série e único, quando equipada com motor de 1,6 litro/113 cv álcool. Quanto ao sedã 207, disponível apenas em outubro, tem a força da novidade. Demorou a chegar. Encontrará vários concorrentes consolidados, além do novo Gol sedã, estreando quase ao mesmo tempo e com impacto previsível.

CONTINUA atrasado o programa do governo sobre etiquetagem dos carros nacionais quanto aos consumos comparativos de combustível. Enquanto isso, mais fabricantes decidiram sonegar dos consumidores esse dado importante. Situação que precisa mudar com urgência.

MARCA histórica da indústria brasileira, instalações da Karmann-Ghia foram vendidas para o Grupo Brasil. Empresa alemã produziu, além do charmoso carro esporte com mecânica VW e mesmo nome da fábrica 1962-1975, o também esporte VW SP-2, o Ford Escort conversível e o Land Rover Defender 1988-2005. Grupo Brasil possui uma metalúrgica de tubos e fabrica ainda rodas de alumínio.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra

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