Bonitinho, elegante, bem composto, o Audi A1

Seu preço, entretanto, filtra ilusões: R$ 89.900 pelo quase completo
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Roberto Nasser
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É o carro de entrada da Audi, com o rótulo de Premium, como a marca. Pequeno, mas abrigando quatro passageiros, equipado como os de categoria superior, carroceria hatch e a elegância das colunas A e C, unidas pelo teto e que podem ser pintadas – de fábrica – em cor contrastante ou imitação de fibra de carbono. É um Mini melhorado. Quer alavancar as vendas da marca projetando entregar 2.800 unidades, 40% dos 6.500 Audis a ser vendidos em 2011. Pouco no universo de 1 milhão da matriz, mas realistas no processo de reconstrução de marca e imagem no país, hoje o 23º em seu portfólio.

Não é carro para grandes volumes, por características e preço. Porém supera o uso urbano, e anda muito bem na estrada pelos 122 cv produzidos no motor 1.4, 4 cilindros, 16V, transversal, tração dianteira, com injeção direta de combustível, turbo alimentador, e torque viril, quase 20 kgmf, plano entre 1.500 e 4.000 rpm. Seu preço, entretanto, filtra ilusões: R$ 89.900 pelo quase completo e uns R$ 102.000 se com teto solar, som Bose e partida sem chave, por botão. Diz a Audi, é o primeiro da marca a custar menos de R$ 100 mil.

Conteúdo

Lançamento cheio de charme, num prédio em construção, a público VIP, para resgatar a imagem erigida quando a representação era da Senna Imports, e amassada e empoeirada por alguns sucessivos gestores. A Audi encolheu e estragou carreiras como a de Daniel Buteller, ex-presidente e com bons resultados em GM, VW e Mercedes. Convocaram, desafiaram e convenceram Paulo Sérgio Kakinoff, engenheiro de mais rápida carreira na VW a assumir o espólio, e bons resultados têm aparecido.

Ocupa 3,95m em comprimento – um Fusca – mas o conteúdo é de gente grande. Do pequeno motor, agradável em potência, surpreendente em torque, e seu casamento com a transmissão, caixa mecânica com sete velocidades, em nova tecnologia, com duas embreagens, dirigida como se fosse automática, incluindo comando na alavanca de marcha ou aletas no volante multifunção. Restante do conteúdo surpreende e agrada: ESP, programa de estabilidade; ABS nos freios; bloqueio antipatinação do diferencial; almofadas de ar na frente, laterais e cortinas para a cabeça; faróis em xênon; faroletes em leds. Internamente, Audi Music Interface, Radio Concert com CD, tela de configurações com 6,5”; Bluetooth; computador de bordo; assistente de partida em aclives; freios regeneradores de energia; start-stop – que desliga o motor quando parado e em ponto morto.

Apesar do preço limitador, quer vender mais que os carrinhos-de-moda hoje no mercado: Mini, Smart e os mexicanos, o novo VW Beetle, e Fiat 500 saiu desta prateleira, agora vindo do México, sem tributo alfandegário, repaginado em conteúdo e preço na metade do A1.

Melhor, mais bonito, mais barato, Renault Sandero 2012

A Renault investiu para mostrar-se em fase de conquista. Gostou da expansão dos números com o reposicionamento do Clio, da camioneta Gran Tour, e a liderança do Sandero em sua linha de produtos – 42% das vendas. Focou nele, e aproveitou a oportunidade para fazer efeito demonstração do significado de sua nova assinatura: Mude a direção.

Tenta convencer, tem a ver com olhar e postura, sem a risível infalibilidade dos engenheiros que fazem carros para ser comprados, sem perguntar aos clientes o que gostam e desejam. A Renault avisa que mudou de lado – para o do cliente. Se o aumento de vendas, levando-a a 5% do mercado, permite devaneios de crescimento, a oportunidade com o Sandero e a tentativa de mantê-lo bem aceito, fecham a conta.

Com pesquisa na mão corrigiu seu interior, agregando materiais de toque mais agradável, incorporou detalhes operacionais como rádio com melhor performance de som, recebendo pen-drive, e melhorou a instrumentação. Fora estão as identificações da linha 2012: no frontal, novos faróis, maiores, em francesa expansão em direção ao para-brisas, com aplicação de leds; novos para lamas; e grandes tomadas de ar. Atrás, novas lanternas. Na mecânica, sem mudanças, mantida a harmonia entre a disposição do motor 1.6 e a transmissão manual de 5 velocidades. E a inexplicável versão 1.0, motor pequeno para o automóvel Sandero e Logan 1.0 não é automóvel. É autopunição. Versão Stepway está melhor identificada por grade e partes dos para choques em preto fosco.

Comercialmente baixou a imagem de utilitário esportivo para abrir espaço ao chegante Duster, com a mesma base mecânica e carroceria como espécie de interpretação Renault sobre o atual Ford EcoSport.

No esforço em nome da conquista da imagem – e para afastar o fantasma do rótulo da manutenção cara e ruim dos carros franceses -, um aperto na rede de concessionários para conter o custo das revisões, aos gastos de manutenção de R$ 0,85 ao dia/ano e para acabar com empulhações como limpeza de bicos no sistema de injeção, lavagem de tanque de combustível, e inutilidades afins - o código 171 da ordem de serviço.

A ideia com o Novo Sandero é manter ascendente sua aceitação, apresentando ganhos de conteúdo e, o inesperado, redução de preços. Em resumo, atualizou o produto, melhorou o conteúdo, baixou o preço, segurou a rede concessionária. É mais uma tentativa de mostrar a que veio, a mais concreta e visual.

Roda-a-Roda

Suzuki – Itumbiara, GO, sediará a fábrica da Suzuki, do grupo Souza Ramos, o mesmo que na goiana Catalão, faz Mitsubishis. Investimento contido, galpão de 12 mil m2 para montar 2.800 jipinhos Jimnis em 2013, até atingir 7.000 ao ano, hora de expansão.

Mercado – Prevendo vender 107 mil unidades neste ano, a Kia congelou nomeações. Não quer reduzir o volume a cada concessionário, e por isto limitar-se-á, até o final do ano, a inaugurar mais 30, formando 180.

Lançamentos – Novidades da indústria nacional: Ford Ka em retoques em junho; Julho, novo Fiesta; agosto Renault Duster – utilitário esportivo.

Mercado, 2 – Até agora as vendas de veículos leves mostram crescimento de 7% relativamente a 2010. A previsão era de 5%. Crescerá mais: a estimativa da safra de laranjas, 390M de caixas, 25% mais que ano passado, irrigará a economia de São Paulo e Minas.
Gás – Terceiro turno será implantado pela Renault para atender à demanda de produtos, dentre eles o Grand Tour, cujas vendas cresceram mais de 100% depois da última reformulação e preço.

Enfim, – constrói-se em Sorocaba, SP, o Laboratório Automotivo de Segurança em construção em Sorocaba, SP, equipamento para aferir a qualidade da segurança oferecida – ou não - por automóveis nacionais e importados. Investimento de R$ 50M, inauguração em 2012.

Impasse – Sindicato de Metalúrgicos do Paraná demanda por aumentos e participação nos lucros. Volvo topou, Renault discute, mas Volkswagen, discordando dos termos, bate pé e diz poderá fechar a fábrica.

Cautelas – O sindicalismo Jogo Duro faz vítimas entre os metalúrgicos, que às vezes ficam cheios de razão, porém, sem emprego. No ABC, a promoção pessoal de líderes, expulsou fábricas da região, e a falta de noção do governo petista no Rio Grande do Sul fez a Ford mudar-se para a Bahia.

Situação – Este impasse pode cortar o Paraná das opções listadas pela norte-americana Paccar no instalar fábrica para caminhões Peterbilt, Kenworth e DAF. Negócio de US$ 200M e mil empregos. SP, MG, SC e RS no páreo, de olho.

Produto – A parada no funcionamento da Volkswagen paranaense indica próxima falta de Golf e Fox 4 portas nos concessionários. Afim? Acelere.

Produto, 2 – Quer economizar com Renault Sandero? Os revendedores da marca têm o modelo atual como ativo mico. O novo tem preço inferior aos antigos e, para não imobilizá-los vale tudo para o cliente sabido.

Moto – Segundo produto BMW montado sob encomenda pela Dafra, seguindo as flexíveis normas industriais da Zona Franca de Manaus, a F 800R, 87 cv, em torno de 8 kgmf de torque, ABS, computador, piscas em LEDS, chega às revendas por R$ 36.900.

Tudo novo – A Castrol renovou completamente sua linha de lubrificantes sintéticos, semissintéticos e minerais. De comum a tecnologia Magnatec, formando película protetora do motor de seu pior momento, a partida.

Ecologia - A PSA Peugeot Citroën, parceira do Ladetel Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas, da USP, no Projeto Biodiesel Brasil, visa criar novo tipo de biodiesel da cana de açúcar, dispensando o combustível fóssil. Na Fase III usará 30% deste óleo e 70% de diesel metropolitano. Outras pesquisas utilizam apenas de 2 a 5% de bio-óleo.

Antigos – Acabou a revista Biela, pioneira em veículos antigos. Quer completar coleção? Corra. Assumida pela concorrente ClassicShow, ficou sem espaço entre leitores e anunciantes. Criador, Tiago Songa lança jornal antigomobilístico, o Pistão.


As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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