Custo menor, financiamento maior

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Fernando Calmon
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- Praticamente não existem mais dúvidas: pelo segundo ano consecutivo, o Brasil deve apresentar o maior crescimento do mercado interno — cerca de 10% — em todo o mundo, dependendo apenas dos resultados da China. Apesar da recuperação, só em 2007 as vendas voltarão ao patamar de 1997 — 2 milhões de unidades —, de modo que há pouco a comemorar. Por outro lado, as exportações mais que duplicaram em quase uma década, alavancando a produção em mais de 30% no mesmo período. Exportações em valores continuam a crescer, mas são menos unidades enviadas ao exterior e menos empregos, comprovando que os desafios estão colocados e vão muito além da taxa de câmbio.
O bom humor dos compradores continuará até quando? Durante o seminário Tendências na Indústria Automobilística, realizado pela SAE Brasil, semana passada em São Paulo SP, o presidente da GMB, Ray Young, analisou que só o crescimento da economia em 5% ao ano, pelo menos até 2011, deixará o país na rota dos investimentos dos fabricantes. Trata-se de ritmo muito forte. Em vários períodos as vendas de carros cresceram o dobro da economia, mas é pouco provável que os 10% ao ano se mantenham, embora fosse o ideal para reagir a uma década perdida.
Em 2006, o fenômeno interessante é o mercado superar em cerca de três vezes o fraco avanço da economia. Aí entram a queda nos juros e o nível de confiança do consumidor. Essa combinação virtuosa permitiu que 40% dos financiamentos superassem o prazo de 36 meses, contra apenas 30% no final de 2005. Assim, prestações menores acabaram por estimular as compras. Como os juros devem continuar a cair, quem sabe mais da metade dos automóveis poderá ser financiada em prazos longos e que hoje chegam a 60 meses.
Fornecedores de autopeças estão atentos a esse movimento ascendente. No seminário, destacaram a fabricação no Brasil e o uso ampliado de equipamentos nos próximos anos, antes quase impensáveis. A Bosch acredita no aumento de vendas dos freios ABS: estatísticas apontam que 40% dos acidentes fatais ocorrem por rodas bloqueadas. Bolsas infláveis de nova geração foram anunciadas pela Takata Petri. São unidades compactas, ideais para carros pequenos, com duas câmaras menores unidas por uma membrana, baratas de produzir e tão eficientes quanto airbags de grande volume atuais. Os dois em conjunto permitirão um enorme avanço na segurança ativa e passiva, depois de nacionalizados.
A Magneti Marelli também mostrou confiança na aceitação do seu câmbio manual automatizado, gerenciado eletronicamente, já a partir do próximo ano. De fácil adaptação a diferentes modelos de veículos leves, evita perda de desempenho e aumento de consumo dos câmbios automáticos tradicionais e mais caros. Sistema de liga-desliga o motor em congestionamentos, da Bosch, também está sendo oferecido aos fabricantes brasileiros.
Queda nos custos pela nacionalização e aumento de escala de produção, aliada à possibilidade de diluir o preço em maior número de prestações nos financiamentos, formam a combinação perfeita de segurança, conforto e economia para elevar o nível dos produtos nacionais, diminuindo a distância tecnológica agora existente.

RODA VIVA

FALTA de especialização em determinado tipo de veículo não inibe aproximação com concorrentes. Da mesma forma que Fiat Sedici é um simples derivado do Suzuki SX-4, o Mitsubishi Outlander dará origem também a dois utilitários esporte compactos classe do EcoSport, da Peugeot e da Citroën. No mercado europeu em 2007.
PROVIDÊNCIA acertada do Contran com apoio do Ministério das Cidades: sinalização dos radares ou pardais. Ela existia até 2003, quando este próprio governo revogou. Mais importante que isso, é a obrigatoriedade de estudos sobre a necessidade de cada radar, só agora exigida. Desconfia-se que a localização era decidida em função da quantidade de multas e menos pela possibilidade de acidentes.
ENGENHARIA de primeira linha aplicada ao Idea Adventure. Comportamento em curvas excelente, considerando o centro de gravidade ainda mais elevado pelos 3,5 cm adicionais de distância livre do solo. Primeiro modelo nacional a ter inclinômetros de série. Trava do estepe externo, junto ao pára-choque, é pouco prática. Motor sofre para dar contar do peso extra das modificações mecânicas e acessórios.
AUDI Q7 é utilitário esporte que realmente faz jus ao nome. Desempenha fora de estrada no mesmo nível ou superior aos parrudos utilitários tradicionais e acelera no asfalto com a agilidade de um esportivo de estirpe graças ao motor V8/350 cv de injeção direta. Tudo isso oferecendo sete lugares, neste caso com espaço limitado para bagagem. Câmera de TV traseira faz parte do sistema de assistência a manobras. Preço: R$ 380 mil.
APERTO na fiscalização da qualidade dos combustíveis vem dando resultado. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, índice médio de não-conformidades de gasolina, álcool e diesel atingiu, este ano, algo em torno de 3%, semelhante aos níveis internacionais. Era quase 9% em 2002.

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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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