Diesel: chegou a hora?

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Fernando Calmon
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- De tempos em tempos surgem campanhas sobre a liberação do uso de motores diesel em veículos leves em geral e automóveis em particular. De fato, o Brasil é o único país no mundo em que este combustível está reservado somente a caminhões, ônibus, picapes com capacidade de carga superior a 1.000 kg ou utilitários com tração 4x4 e reduzida. No passado havia uma política de pesado subsídio para o diesel por questões econômicas, quando chegou a custar cerca de metade do preço da gasolina. Hoje a diferença diminuiu: o preço do diesel está em torno de 75% da gasolina pela menor carga fiscal. Portanto, mantém-se subsídio indireto.

Existem, porém, obstáculos maiores. Apesar de alcançar auto-suficiência em petróleo em 2006, o país continua a depender de importações pois o tipo de óleo é inadequado para as refinarias nacionais. Permanece, ainda, a necessidade de importar diesel — mais ou menos US$ 1 bilhão/ano. Assim, a possibilidade de aumentar o desequilíbrio na conta-petróleo total, liberando o consumo para qualquer tipo de veículo, parece passar longe das prioridades do Governo Fcaptional. As entidades oficiais de vigilância do ambiente também criticam a qualidade do óleo diesel produzido aqui. Dificilmente dariam o indispensável aval para seu uso por carros nos grandes centros urbanos.

Parte do desbalanceamento se deve por já existirem outros substitutos para a gasolina — álcool e gás natural —, enquanto para o diesel depende do sucesso do biodiesel e de outro programa da Petrobrás chamado H-bio. Ressalte-se que nenhuma dessas duas soluções reúne condições econômicas e técnicas de substituir o diesel em escala, a exemplo do álcool em relação à gasolina.

Existe, agora, um fato novo. Segundo fonte desta coluna, a nova refinaria que o Brasil planeja construir em sociedade com a Venezuela terá condições de produzir 60% de diesel, outros subprodutos e nada de gasolina. Ou seja, parte aquele desequilíbrio seria amenizado para evitar que mais gasolina acabe sobrando. Se isso se confirmar, aumenta a chance de o diesel chegar aos automóveis.

Outra novidade: custo/km menor do motor diesel pode ser financeiramente anulado, como a GM demonstrou ao lançar a picape Chevrolet S10 com motor flex. Usando gasolina há necessidade de colocar o preço bem maior da versão com motor diesel na equação, inclusive preço do seguro. Mas ao utilizar álcool, em regiões do país onde roda maior parte da frota, o benefício do diesel deixa de existir, salvo em situações específicas ou se forem percorridas distâncias anuais bem fora do padrão não-comercial.

E, finalmente, ainda ocorrem no exterior discussões sobre certos aspectos do motor diesel moderno. Hoje, desapareceu a imagem da fumaça negra no escapamento. Ele gasta menos combustível — automaticamente emite menos CO2 —, tem torque excepcional e tornou-se mais silencioso e suave do que no passado. Porém custa caro demais, exige muletas técnicas complicadas para controlar material particulado e óxidos de nitrogênio, além de mais pesado do que um motor a gasolina ou álcool. Mas este último motor deve – e vai — ainda ser aperfeiçoado e anular a discutível superioridade do diesel em veículos leves.

RODA VIVA

PROCESSO de melhoria de acabamento e equipamentos nos Fiestas hatch e sedã 2008 tem muito a ver com o novo subcompacto que chega neste segundo semestre. Estratégia de marketing da Ford é de criar espaço sem conflito para ambos os produtos. Havia o temor de que se repetisse o fenômeno Celta, que vende muito bem, mas prejudicou o crescimento do Corsa.

DIFÍCIL mesmo administrar oferta de modelos próximos da mesma marca. A Volkswagen precisou reposicionar o Gol para abrir mercado ao Fox e ao compacto que se posicionará entre os dois até o final do ano talvez primeiro o sedã. E só agora chegou a versão de entrada Expression do Vectra, pois a GM temia prejuízos para o Astra sedã.

CONFIRMAÇÃO, já esperada, da fabricação da pickup média para uma tonelada da indiana Tata na fábrica da Fiat em Córdoba, Argentina, a partir de 2008, não incluiu a produção do utilitário esporte SUV derivado. No entanto, as 20.000 unidades anuais como meta prevista no comunicado oficial deixa antever que uma cabine dupla além da estendida e o SUV permanecem nos planos.

BRASIL perdeu um produto para os argentinos e ganhará outro. Por coincidência, veículo semelhante. Volkswagen anunciará em breve que sua primeira pickup média, igualmente para 1.000 kg de carga, será de fato fabricada em São Bernardo do Campo SP. A unidade de Pacheco, Grande Buenos Aires, estava no páreo. Pesou a necessidade de empregos no ABC paulista.

CONFUSÃO adicional à vista em julho para fiscalização de engates. Agentes terão que consultar uma lista de modelos de carros que podem ou não exibi-los. Em tese, em certos casos, multarão sem necessidade de parar o motorista. Fábricas de veículos vão indicar ao Contran capacidade de tração e pontos de ancoragem do engate de cada veículo disponível no mercado.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

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