Foi-se o sr. Elgar

Piloto, construtor, autodidata, correu em provas no RS
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Roberto Nasser
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Passou o Ênio Lourenço Garcia, quase 79. Piloto, construtor, autodidata, correu em provas no Rio Grande do Sul, onde nasceu em Pelotas, e em Brasília, desde o início, foi o grande responsável pela base técnica e instigação de melhoria nas corridas. Primeiro da Capital em ser considerado como adversário das grandes equipes, com Gordini superou os similares da Equipe Willys, maior e mais profissional daquela época de ouro.

Após, uniu dois bons patrocinadores, Cascão, rede de postos de gasolina, e Brasal, revendedor VW, criou equipe com dois VW 1300 pelados, elevados a 1600, marcou época nas corridas locais, regionais e nacionais, mas as vitórias e bons resultados mostraram a limitação dos Fuscas, provocando criar o Elgar GT 104. Quarto de seus projetos, chassi em chapa dobrada, motor VW entre eixos, carroceria em fibra de vidro, mesclando estilo de Porsche 904 e Dino, moldada artesanalmente pelo Waldyr Lomazzi. Tirava desempenho máximo da limitada mecânica e, comparando-se com os concorrentes de época, Puma e Lorena, estava anos à frente. Aliás, foi o único veículo feito em Brasília a ganhar prova do Campeonato Nacional, os 500 Quilômetros de Brasília, setembro de 1969, quando Toninho Martins e Luiz Cláudio Nasser conseguiram a proeza.

Mereceria fabricação em série para uso comum ou corridas, mas estas iniciativas só frutificam quando o criador é Mecenas a bancar a aventura, ou dono de oficina transformando-se em pequena indústria. O Ênio estava no meio, bem sucedido executivo de uma multi.

Num resumo, não tenho dúvidas, o seu Lourenço, como o chamavam os amigos, foi a base, a referência técnica, a instigação do desenvolvimento automobilístico em Brasília. Todos seus vitoriosos pilotos, Nelson Piquet, Alex Ribeiro, Pupo Moreno, Luiz Garcia, nele tiveram a experiência e a invejável base técnica.

Generoso, Piquet convidou-o a correr os Mil Quilômetros, prova icônica da Capital, dividindo um Mc Laren. Lúcido, com mais de 70, o Ênio declinou.

Há anos queria construir exemplar do Elgar, mas fiou-se em promessas políticas nunca viabilizadas. Quem sabe agora, com sua falta e a constatação de sua importância, seus amigos se juntem e façam. Inscrevam-me nesta lista. Roberto Nasser.

Roda-a-Roda

Novo passo – Na década 70, a Land Rover iniciou mesclar capacidade off-road com refinamento construtivo, criando o Range Rover. Depois outras marcas seguiram-na ao descobrir a vontade do motorista comum se impor em tamanho, e todas produzem grandes utilitários esportivos.

Mudou – É o caminho do uso confortável. Agora dá seu passo mais corajoso: iniciou produzir o Evoque, mais automóvel que utilitário, para ser o mais vendido da marca. Aqui ao final do ano.

Façon – A Peugeot terá no Salão de Frankfurt, setembro, o 508 versão RXH, visão francesa sobre o Audi TT. Diesel, 2.0 tração integral, luzes de leds, interior cuidado, curioso nos arremates em cobre. Preocupação, menores emissões de CO2, modo elétrico para uso urbano, linhas e aptidão esportivas.

JAC pesado - A marca Metro Schacman une representante angolano, à montadora chinesa, chega ao Brasil com a novidade do caminhão com adequações implementadas na China para as condições nacionais. Processo assemelhado à importação dos automóveis JAC, exportando engenheiros brasileiros para entender o produto e moldar características.

Sobrevivência – O projeto foi comprado à MAN, motor Cummins 11L, 420 cv, transmissão Eaton, marcas e qualidade mundiais. Testa-os aqui, adapta-os em Angola. Vendas em 2012 a 1/3 menos que os nacionais.

Aumark – Marca local do chinês Foton, chega ao Brasil pelas mãos do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, conteúdo assemelhado, com motor Cummins e transmissão ZF. Quer faixas menores, para 3,5,6 e 9t.

Trem-bala – Passadas as eleições, hora da promessa virar realidade, faltam recursos para viabilizar o trem veloz entre Rio e Campinas.

Vestibular – Acabar com o mal feito no Ministério dos Transportes é a prova para o governo Dilma. Se correr com os indiciados, libertando-se da explícita chantagem partidária, há brisa de esperança. Se não, resta-nos pagar, aplaudir, ouvir cândidas explicações, esperar as próximas eleições.

Brasil – O país fechará o ano importando diesel, gasolina e, acredite, álcool. Custará caro comprar no exterior e financiar internamente o aumento das áreas de plantio de cana.

Mais uma – Diz a coluna Alta Roda, a BMW decidiu-se pelo Brasil para instalar fábrica. Teoricamente operação SKD, primário sistema.

Sim, qual? - Difícil enxergar caminho e produto. As montadoras pedem ao governo incentivos para aumentar a produtividade. A resposta deve ser plano industrial e, nele, com certeza, o garrote às importações e, espera-se, estabelecer índice mínimo de nacionalização, dando fim à a montagem fajuta. Assim, o projeto da BMW exigiria ampliação.

SKD – Conjuntos agrupados aqui, com baixíssima agregação de itens nacionais? – isto é uma irresponsabilidade contra o país, banida por Getúlio Vargas em 1952, retomada no governo Lula.

Lançamentos – Novidades no mercado nacional. Nem tanto, VW Polo com mais conteúdo, próxima semana; Fiat Freemont – o Dodge Journey com motor Fiat – 9 de agosto; Fiat 500 dia 25 agosto. Dois últimos, mexicanos, importados sem imposto alfandegário.

Quebra-galho – Para contornar a teimosia da Petrobrás com diesel poluente; cumprir a norma Proconve 7, equivalente à Euro 5; reduzir em 60% as emissões, a partir de janeiro um líquido será adicionado à operação. É o ARLA 32, injetado nos gases de escapamento para reduzir os óxidos de nitrogênio.

Mercado – A Cummins Filtration, irá produzir e distribuir no Brasil. Calcula consumo em torno de 6% do volume de diesel. Óbvio, preço do frete subirá, tanto em caminhões novos quanto na frota velha.

Mercado, II – A Volvo lança nova linha F adequada ao uso do aditivo. No embalo aprimorou os motores, e em sua linha FM a versão com 540 cv, é a mais potente do país, com ganhos em torque. Mudanças na eletrônica das transmissões, agora sem redução nos cubos do eixo traseiro.

Bozza – Sessenta anos de experiência, a Bozza, fabricante de comboios de lubrificação e reboques, irá à Expo Usipa, 20 a 23 de julho, em Ipatinga, MG, no Vale do Aço, forte em transporte na mineração, siderurgia, cerâmica e infraestrutura. Mostrará produtos, fará palestras sobre a importância da lubrificação.

Marca – 1,2M de entrevistas nos EUA sobre a marca mais lembrada pelos consumidores de carros,deu à Ford primeiro lugar, quase a soma de Chevrolet e Honda, 2ª. e 3ª. Os problemas de qualidade e a falta de explicação técnica sobre seus defeitos tiraram a Toyota da liderança dos anos anteriores.

Grátis – Campanha assinada pela Raízen, sociedade entre Cosan e Shell, oferece gasolina V Power pelo resto da vida, em equivalentes barras de ouro. Para concorrer, abastecer 35 litros V Power gasolina ou etanol em posto Shell, e enviar mensagem. Sorteio 26 de agosto.

Realidade – Líder na produção de itens de personalização de veículos, a gaúcha Keko realiza concurso de design para universitários. Desafio é criar acessórios para personalizar picape leve. Ao ganhador R$ 2 mil e viagem para conhecer a realidade da criação e produção na Keko.
Interessado ? http://www.keko.com.br/projetoK

Diversão – Carros 2, sucesso como sequência e filme, faz crítica aos carros ingleses e seus parafusos de medida única, e aos sem qualidade, como russo Lada e iugoslavo Yugo. Divertido.

Antigos – Fim de semana 18 a 20 de agosto, em Pebble Beach, Ca, dito “ A Meca dos Colecionadores de Automóveis”, um dos pontos altos, o leilão da Russo and Steele, no Monterey Marriott Hotel, promete negócios com 250 carros. Uma das estrelas, Ferrari 330 LWB, 2+2. Vista prévia sexta, das 10 às 22h; sábado das 10 às 17h. Leilões quinta, sexta e sábado das 17 às 22h. Coçou o bolso? www.russoandsteele.com



As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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