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Hora da verdade

Interessante constatar: as peruas médio-grandes têm lugar garantido no coração dos europeus. Em alguns países vendem mais que os sedãs
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Fernando Calmon
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- O tradicional Salão do Automóvel de Genebra, que se encerra no dia 16, não se distancia do enfoque ambiental que tem caracterizado as exposições internacionais nos últimos dois anos. Ao contrário, a tendência se aprofunda. Basta ver que em meio às 40 premieres mundiais – numa contabilidade camarada – os carros pequenos se destacaram e atraíram as atenções de jornalistas e público. Discursos dos executivos continuaram a destacar as tecnologias visando menor consumo de combustível e a conseqüente redução de emissões de CO2, seja por meio de híbridos ou de biocombustíveis. As soluções de cada marca deixam dúvidas entre realidade e puro marketing.
O novo Fiesta foi saudado por suas linhas ousadas. Nada de tão impactante em estilo surgiu entre os compactos desde o lançamento, em 1998, do Peugeot 206. Vai demorar um pouco para chegar ao Brasil – comenta-se 2010 –, mas pode marcar o início do fim da defasagem hoje existente em vários modelos nacionais. O Toyota iQ demonstrou o enfoque em carros subcompactos que atraem os europeus. O preço será relativamente salgado para um modelo 3+1 três adultos e uma criança, de apenas 2,99 m de comprimento – 56 cm menos que um Fiat 500. Além do painel assimétrico, apresenta soluções inéditas para ganhar espaço: tanque de combustível sob o banco do motorista.
A primeira apresentação do pequeno Nano, fora da Índia, chamou mais atenção do que a própria Tata imaginava. Com apenas 12 cm extras em relação ao iQ, oferece espaço para cinco passageiros. O carro permaneceu fechado – depois de muita insistência abriram as portas dianteiras –, mas havia uma segunda versão de acabamento bem melhor. Pode estrear na Europa em 2009. Mas o preço estará na casa dos US$ 6.000 cerca de R$ 10.000, ou seja, o dobro do que custará no país de origem. Se exportado para o Brasil, ficaria na faixa entre R$ 16 mil e R$ 18 mil.
Para completar o domínio dos pequenos, o Urban Cruiser, da Toyota, é um utilitário esporte SUV compacto com apenas 3,93 m de comprimento – 30 cm menos do que um EcoSport. À venda dentro de um ano. Na mesma direção seguiu o Volvo XC60 que, ao lado dos também estreantes Ford Kuga e Renault Koleos, integram a nova geração de SUVs menos imponentes, menores e mais econômicos. Os três serão oferecidos aqui entre 2008 e 2009.
Interessante constatar: as peruas médio-grandes têm lugar garantido no coração dos europeus. Em alguns países vendem mais que os sedãs. Os novos Citroën C5 e Accord apresentaram ambas as versões e as respectivas stations impressionaram muito bem, assim como a A4 Avant.
Também estavam em Genebra alguns modelos de mau gosto. Mais de 20 pequenos fabricantes de carros especiais ou modificados, além de estúdios de estilo montaram estandes. Ao lado de propostas inteligentes Italdesign Quaranta, Pininfarina Sintesi a empresa de tuning alemã Mansory cometeu excessos em carros como Rolls-Royce e Mercedes-Benz.
Finalmente, a hora da verdade chegará para os híbridos motores a combustão e elétrico. Vários estarão disponíveis em 2009/2010. Resta saber se os compradores aceitarão pagar até US$ 9.000 extras em troca de consumo menor apenas em cidades.

RODA VIVA

PRODUÇÃO acumulada nos últimos 12 meses março 2007/fevereiro 2008 rompeu a barreira de 3 milhões de unidades pela primeira vez. Ainda assim, a procura por veículos novos parece insaciável. As vendas do primeiro bimestre subiram nada menos de 39%, em relação a 2007. Estoques continuam baixos e as filas, além dos 60 dias para modelos de maior procura.
FÁBRICAS estão sendo ampliadas e mais gente, contratada. Segundo a Anfavea, no final de 2008 a capacidade subirá para 3,85 milhões de unidades/ano e 4 milhões, em 2009. Investimentos anunciados, agora, são de quase US$ 5 bilhões, sem contar a indústria de autopeças. Importações também tendem a aumentar. Este ano deve bater recorde, atingindo cerca de 400.000 unidades.
HYUNDAI vai mesmo pagar pesada multa para construir nova fábrica no Brasil. Origem remonta a impostos de importação não-recolhidos pela marca Asia há 10 anos, antes de falir na Coréia do Sul. Contrato previa unidade industrial na Bahia, nunca erguida. Hyundai adquiriu a Asia e herdou dívida fiscal. Planos agora incluem modelos Kia e Hyundai, estes diferentes dos fabricados em Anápolis GO pelo Grupo Caoa.
ABERTURA das portas laterais em sentidos opostos surgiu em vários modelos conceituais nos salões de automóveis dos últimos anos. Nenhum se confirmou, à exceção do Rolls-Royce Drophead Coupé. Novo monovolume Opel Meriva, previsto para 2009, adota a solução bastante usada na primeira metade do século passado. Principal vantagem: facilidade de acesso. Será que chega ao Meriva nacional algum dia?
LEITOR pergunta se, conforme publicado na coluna da semana passada, acidente provocado por motorista alcoolizado libera a seguradora de indenizar até o prejuízo de terceiros. Sim, ainda que o culpado tenha adquirido essa cobertura extra. Considera-se agravamento de risco.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra.

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