Improvisação é um fato

Tecnologias para diminuir consumo de carros vão elevar o preço dos veículos
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Fernando Calmon
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- Pesquisa divulgada pela Toyota, no lançamento do Corolla no mês passado, destacou uma tendência que cresce nos últimos anos. Mais pessoas estão tendo acesso ao carro zero-quilômetro pela primeira vez. Não se trata de uma medição científica, mas um indicador baseado em entrevistas. Na média, cerca de 10% do total das vendas em 2007 foi para compradores do primeiro carro novo. Nesse volume se enquadram tanto quem nunca adquiriu um veículo anteriormente, como pessoas que antes só reuniam condições financeiras de comprar automóveis usados. Em 2004 a proporção era de apenas 3,5%.

Essa demonstração explícita de vigor do mercado brasileiro que – tudo indica – vai continuar, deve fazer o País alcançar pela primeira vez em 2008 ou 2009 uma taxa de motorização superior à média mundial – em torno de seis habitantes por veículo. Nada de excepcional porque a Argentina está perto dos cinco habitantes por veículo, mas serve de alerta para que governantes comecem a implantar ações de administração e planejamento de trânsito. Tais providências sempre foram negligenciadas e respondem pela maior parte dos congestionamentos que chegaram até a cidades de porte médio, sem falar nas estradas.

Administrar conflitos de tamanho deveria estar entre as principais preocupações por razões de segurança e fluidez. No caso dos caminhões salta aos olhos a insuficiência ou mesmo ausência de anéis rodoviários em torno das cidades, de modo oposto ao que ocorre em países bem governados. Com um pouco mais de interesse pelo problema se evitaria o atraso de uma medida conveniente: limitar a circulação de caminhões de grande porte por ruas e avenidas já congestionadas e transferir operações de carga e descarga para o período noturno. É inacreditável que só agora isso vá acontecer em São Paulo e serve de exemplo para outras cidades.

Acidentes envolvendo caminhões por falta de manutenção – em especial dos freios – costumam ser catastróficos. O ocorrido em Santa Catarina, recentemente, é algo inadmissível. Um caminhão não conseguiu parar num bloqueio para atendimento de uma grave ocorrência 7 mortos e matou quase três vezes mais pessoas 20 mortos. A causa foi fácil de apurar: 70% dos circuitos de ar dos freios estavam isolados. Segundo Paulo Gottlieb, da empresa de inspeção Transtech, de Pinhais PR, trata-se de uma mistura de irresponsabilidade e ignorância: “Vazamento de ar provoca acionamento automático dos freios por questão de segurança. O motorista, para prosseguir viagem, isola o eixo ou eixos afetados. Ele acredita que com cinco ou seis eixos uma carreta poderá continuar circulando apesar do problema. Isso é um grave erro”. Nas cidades, ônibus e caminhões malconservados chegam a perder o eixo traseiro por falha ou falta de manutenção. Uma multa pesada poderia amenizar o problema, inclusive no caso de panes comuns pelo potencial de congestionamentos provocado.

Não há mais lugar para verbas escassas em questões de trânsito. Faltam comunicação em tempo real, orientadores em carne-e-osso, energia emergencial para sinais de trânsito e até guinchos para remoção. Até quando a improvisação vai imperar? Chega de culpar só o excesso de veículos.

RODA VIVA

HARALD Wester, diretor de tecnologia da Fiat, na Itália, confirmou para 2010 o lançamento do sucessor do Uno. Até se confundiu nas declarações à revista alemã Auto Motor und Sport: referiu-se ao Palio como o “modelo de baixo custo para mercados emergentes”. Disse ainda que o Fiat 500 deverá ter versão de exportação para os EUA, produzida no Brasil ou Argentina. Aqui se nega tudo...

ENTRE as sofisticações no novo Accord, agora importado do Japão, está o controle que desliga 2, 3 ou 4 cilindros do motor V6, quando condições de tráfego permitirem, para economizar gasolina. Antes só 2 ou 3 cilindros eram suprimidos. Há também cancelamento de ruído por contrafreqüência mesmo com sistema de áudio desligado. Preço: R$ 144 mil R$ 100 mil, quatro-cilindros.

CENTRO de design da Renault para a América Latina agora se instalou numa casa, no sofisticado bairro Jardins, da capital paulista. Deseja captar eflúvios da região latina e, com o tempo, influenciar mais em futuros projetos mundiais. Trabalha em versão descompromissada – pickup Sandero – como carro conceito para o salão do automóvel de São Paulo, em outubro.

ACORDOS pontuais continuam. Nissan e Chrysler anunciaram mais dois, além da versão sedã do Tiida com emblema da marca americana, a ser exportado ao Brasil. Chrysler produzirá picape de grande porte para a Nissan. A japonesa fabricará um carro compacto inovador para a Chrysler. Trata-se de acerto industrial pois cada marca responderá por projeto e estilo próprios.

MASERATI GranTurismo chega ao Brasil um ano depois de lançado. Versão única de R$ 760 mil e – quem diria – só com câmbio automático tradicional da alemã ZF. Câmbio manual automatizado foi deixado de lado. Além de bonito, tem interior sofisticado e dois lugares traseiros razoáveis.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra.

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