O extraordinário avanço dos coreanos

Graças ao “efeito Tucson”, carros coreanos ganham confiança do consumidor e as vendas até septuplicam!
  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. O extraordinário avanço dos coreanos
Auto Informe
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

– Se há quem está sabendo aproveitar bem o excepcional momento do mercado brasileiro são as marcas coreanas. Os números da Kia e da Hyundai crescem em projeção geométrica, não se fala mais que as vendas dobraram, mas quintuplicaram, sextuplicaram, septuplicaram!

O utilitário esportivo Sportage, da Kia, foi o que mais cresceu, teve um aumento de 656,2% no primeiro semestre do ano. É verdade que partiu de um patamar baixo, de apenas 379 unidades vendidas no primeiro semestre do ano passado, mas atingiu 2.866 carros em seis meses, uma média nada desprezível para um modelo dessa categoria, de quase 500 carros por mês. E que coloca o carro como o terceiro coreano mais vendido no Brasil.

O líder é o Tucson, da Hyundai, cresceu 149,2% este ano, com uma média mensal de 1.650 unidades, ou 9.904 em seis meses. E isso num período em que o mercado total teve um aumento de 30% nas vendas. O volume mensal de vendas do líder já faz com que o carro seja percebido nas ruas.

Nos grandes centros urbanos, das principais estradas do País a presença do Tucson é uma constante, e essa visibilidade passa confiança ao consumidor. O “efeito Tucson” não beneficiou apenas a Hyundai, que passou a trazer vários utilitários esportivos e carros com outras configurações, mas empurrou para cima a imagem geral dos coreanos, que passaram a ser encarados com mais respeito e confiança, ao contrário do que acontecia no início das importações.

Outro utilitário esportivo, o Santafé, da Hyundai, teve as vendas aumentadas de 35 para 2.144, um crescimento de 507,4%; e o Sorento cresceu 177,5%, com quase mil unidades no semestre.

Um dos fatores que influenciam diretamente nesse crescimento é o câmbio da moeda, favorável à importação, que deixou o preço do carro muito competitivo. Isso mesmo considerando que a Coréia está sofrendo com a desvalorização da sua moeda. Tanto que deve subir os preços dos carros este mês, conforme informou José Luiz Gandini, presidente da Kia. Ele disse que já recebeu um recado da montadora de que haverá aumentos de preços na próxima remessa, mas garantiu que esses reajustes não serão repassados para o consumidor. “O volume de vendas que atingimos – e que vem aumentando mês a mês – nos permite manter os preços”, disse o empresário.

Para José Luiz Gandini, as marcas coreanas superaram um grande obstáculo, o da confiança do consumidor. “O brasileiro já não teme mais comprar um carro coreano. No caso do Sportage, vejo que o cliente tem uma relação de confiança e admiração”, disse.

Mas não é apenas no segmento de utilitários esportivos que os coreanos estão se dando bem este ano. Cresceram também em outros setores. A Kia emplacou dois sedãs entre os carros que mais aumentaram as vendas este ano: o Magentis, um sedã grande concorrente do Accord, Passat e Camry, vendeu 532 unidades no primeiro semestre, um crescimento de 282,7%. O sedã médio da marca, o Cerato, teve um aumento de venda extraordinário: 172,3%, com um total de 697 carros.

Até o pequeno Picanto, da Kia, teve um desempenho excepcional, passando de 500 unidades no primeiro semestre de 2007 para 1.942 no mesmo período deste ano, um aumento de 288,4%.

Também no setor de utilitários os coreanos tiveram boas surpresas: o caminhão K 2500, da Kia, cresceu 179,1%, passando de 527 para 1.471 unidades; e o HR, da Hyundai, vendeu nada menos que 6.047 unidades, ante 1.135 no primeiro semestre de 2007, 432,8% a mais.

Outros modelos coreanos estrearam no Brasil nos últimos meses e tiveram ótimo desempenho, caso do Veracruz, da Hyundai, que fechou o semestre com mais de mil unidades. Entraram no mercado no final do ano passado também o sedã grande Ópirus e a van Carens, da Kia e o Azera, da Hyundai.

José Luiz Gandini constata que parte dos compradores tradicionais das quatro grandes marcas brasileiras começou a migrar para carros importados, sinal de que está cada vez menor a rejeição de marcas que começaram a atuar no País após a abertura do mercado e que não tinham tradição em nosso mercado.

O dirigente lembrou também que houve uma mudança radical na distribuição, no caso da Kia, que serviu para incrementar os negócios. “As nossas concessionárias, até 2005, estavam preparadas para vender apenas a Besta, que é outro tipo de veículo, tem um público bem diferente. Quando a van parou de ser fabricada, ficamos na mão. Tivemos que fazer uma grande mudança em relação à estrutura, atendimento , relação com o consumidor. Hoje as nossas concessionárias são de primeiro mundo”.


Os que mais cresceram

Modelo – jan-jun/07 – jan-jun/08 – Crescimento

Sportage – 379 – 2.866 – 656,20%
Santafé – 353 – 2.144 – 507,37%
HR – 1.135 – 6.047 – 432,78%
Picanto – 500 – 1.942 – 288,40%
Magentis – 139 – 532 – 282,73%
K 2500 – 527 – 1.471 – 179,13%
Sorento – 338 – 938 – 177,51%
Cerato – 256 – 697 – 172,27%
Tucson – 3.975 – 9.904 – 149,16%

Os mais vendidos

Modelo – jan-jun/08
Tucson – 9.904
HR – 6.047
Sportage – 2.866
Santafé – 2.144
Picanto – 1.942
K 2500 – 1.471
Sorento – 938
Cerato – 697
Magentis – 532

Fonte: AutoInforme




________________________________
Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da agência de notícias especializada no setor automotivo AutoInforme. Produz e apresenta o quadro sobre automóveis no programa Shop Tour e fornece informações para vários veículos de comunicação. É especialista no mercado de automóveis desde 1984, quando começou no Jornal do Carro do Jornal da Tarde. Joel é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Comunicação e Semiótica.


Leia outras colunas de Joel Leite aqui

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors