Otimismo, apesar de tudo

  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Otimismo, apesar de tudo
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- O bom momento, hoje, de vendas no mercado interno contrapõe-se aos problemas envolvendo a exportação. O Brasil coloca lá fora cerca de um terço de tudo que produz. Nos últimos três anos, isso ajudou bastante na melhoria das escalas de produção, mantendo sob controle os custos e o preço ao consumidor. A valorização do real tem levado a um aumento de preço aos clientes externos e, se estes não aceitam pagar, as vendas podem cair, mas o faturamento se mantém ou até cresce. O efeito colateral é a produção diminuir e os empregos, idem. Têm sido motivo de preocupação as demissões já anunciadas pela Volkswagen e GM.

A cotação do câmbio recebe quase toda a parcela de culpa, mas talvez não seja bem assim. Empresas como Ford, Scania e Honda continuam mantendo ou até aumentando suas presenças no exterior, pois simplesmente os comparadores querem os produtos e aceitam pagar um extra. Cada caso é um caso. No México, a Ford vai bem em razão da aceitação do EcoSport, enquanto a GM tem que enfrentar a competição de modelos europeus já atualizados, a exemplo do Meriva. Na Europa, o Fox encara a concorrência imprevista do Logan, 20% mais barato, independentemente da moeda.

No recente seminário sobre perspectivas do setor automobilístico, organizado pela Editora Autodata, em São Paulo SP, houve muitas críticas ao real valorizado em excesso. Porém, se ocorresse uma hipotética maxidesvalorização de 30%, as exportações ganhariam logo competitividade, para em seguida a inflação interna corroer boa parte dessa vantagem e exigir mais câmbio. Um filme já visto muitas vezes. Barry Engle, presidente da Ford, o mais ponderado, pediu prudência quanto a mudanças da política cambial. Há providências administrativas alternativas, como financiamento às exportações, logística interna e, principalmente, acabar com o exotismo de o Brasil insistir em exportar imposto pela eterna briga entre Estados e Governo Fcaptional.

Nada se comentou no seminário sobre a diminuição de impostos para o carro novo, compensado pelo aumento discreto de carga fiscal sobre o uso do veículo combustível, IPVA, pedágio e outros. A proposta é boa, inspirada na Europa, onde quem roda mais paga mais, em troca de um automóvel menos taxado na linha de montagem. Aqui, fica difícil de explicar e vencer obstáculos políticos daqueles que só podem adquirir carros usados num horizonte previsível.

Houve também otimismo. Analistas e executivos admitiram que as vendas internas só exibem sinais de aquecimento. Alguns carros continuam a baixar de preço, modelos importados recuperam competitividade graças ao câmbio, planos de financiamento avançam. Esta última é a notícia: prazos médios de pagamento de 27 meses, em 2005, agora subiram para 32 e com possibilidade de chegar a 48 meses no fim do ano, à medida que os juros gerais baixem e melhore o nível de confiança na economia. Isto explica a evolução do leasing, de 10% dos financiamentos em 2004 para 16% no início de 2006. Trata-se de bom termômetro para quem considera remota a perspectiva de perder renda.

Prazo maior significa prestação menor a tirar do bolso. É o que o consumidor deseja; quem fabrica, ainda mais.

RODA VIVA

PARECE mais próxima a definição da Toyota sobre a nova fábrica no Rio Grande do Sul, onde pretende produzir seu necessário carro compacto, ainda a definir. Por falta de planejamento na ampliação das instalações argentinas, a empresa já perdeu mercado aqui. No México, pickup Hilux tem prazo de espera de um ano e filial local decidiu procurar fornecedor em outros países.

PRESIDENTE da Fenabrave associação das concessionárias, Sérgio Reze, confirma a tendência, já observada por essa coluna, de que compradores estão considerando adquirir menos carros com motores de 1.000 cm³ de cilindrada. Pode ser combinação de maior poder aquisitivo e constatação da grande melhora de desempenho ao utilizar motores de 1.400 cm³ e 1.600 cm³ de consumo compatível.

PROJETO de lei da Assembléia do Estado de São Paulo prevê, finalmente, diminuição do IPVA para motores flex. Hoje, eles pagam 4%, como gasolina, contra 3% de álcool e gás. Proposta alíquota de 3,25%, bastante razoável, pois uso do álcool ocorre em pelo menos nove meses do ano, quando garante menor custo por km rodado. Outros Estados tenderão a seguir a mesma política.

PSICÓLOGO clínico Dr. Salomão Rabinovich desenvolveu, ao longo de 34 anos, estudos na área de comportamento no trânsito, além de implantar técnicas específicas de auxílio a motoristas. Entre elas a psicoterapia breve, com objetivo de orientá-los a se defenderem no caso de acidentes ou atos violentos. Seu site: www.salomao.psc.br.

RECLAMAÇÕES começam a surgir sobre capôs amassados por estepe dependurado na tampa traseira de utilitários esporte ou de imitadores. Ocorre durante manobras de marcha à ré em áreas segregadas de estacionamento, garagens e também nas ruas. Reflexo da atual onda aventureira que assola o país. Esta futura versão da SpaceFox já não terá estepe externo.
_______________________________
E-mail: Comente esta coluna

Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors