Pior sem ele

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Fernando Calmon
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- A indústria automobilística queixa-se de baixas vendas no mercado interno em relação ao passado recente, mas será que tem feito a lição de casa para conseguir mais compradores? Objetivamente, é fato, vem-se esforçado em mostrar ao governo que a carga tributária deve baixar, juntamente com a taxa de juros e a ampliação dos prazos de financiamentos, além da óbvia recuperação do poder aquisitivo. Do ponto de vista institucional, no entanto, há ainda muito a avançar. A situação nas grandes cidades está cada vez pior e os motoristas perdem, a cada dia, o prazer de dirigir em meio ao caos no trânsito. Algum esforço precisa ser feito por quem fabrica e vende carros.

Destaquem-se, aqui, apenas dois exemplos. No Brasil, está proibido o uso de navegadores por satélite por decisão de pura ignorância do Contran, que baniu qualquer tela no painel para evitar “distrair” o motorista. Os mapas eletrônicos e as orientações por voz sintetizada já são uma realidade no mundo, embora a um preço ainda elevado. A segurança do caminho certo a tomar significa deslocamento mais rápido, fluidez no trânsito, alternativas aos engarrafamentos, diminuição de consumo e da poluição. Pouco se fez, até agora, para demover as autoridades em Brasília dessa restrição absurda. Aliás, se a indústria tomasse atitudes pró-ativas, aquela resolução nunca seria assinada, porque é muito fácil demonstrar o erro de avaliação.

Outro abuso é o rodízio baseado nos finais de placas dos veículos. Implementado na região de influência da Grande São Paulo, onde as fábricas vendem quase um quarto de sua produção, a fórmula se mostrou inadequada, injusta, ilegal e, afinal, pouco eficiente. Outras cidades brasileiras já sentiram — e ainda sentem — vontade de imitar a capital paulista. Alguns executivos do setor avaliam que o rodízio faz menos mal do que parece, pois estimularia a compra de um segundo carro novo ou usado. Trata-se de uma visão bastante discutível, para dizer o mínimo. Na realidade, um pensamento equivocado, talvez mesquinho. Vai contra os interesses de quem compra carros e paga imposto sobre a propriedade. A indústria permanece omissa sobre o assunto.

Nenhuma outra cidade do mundo organiza rodízios dessa forma, salvo para fins de controle ambiental, como México e Santiago. Em Londres, cerca de dois anos atrás, e Cingapura, há muito mais tempo, implantaram o pedágio urbano por radiocontrole e câmaras. Essa também é uma má idéia, porém de algum modo racional, justa e eficiente quanto ao disciplinamento do uso do automóvel. Até se podem isentar carros com mais de um ocupante. O governo fcaptional já estuda modificações na legislação para permitir a criação deste outro pedágio.

À indústria caberia atuar politicamente para que a arrecadação se direcionasse ao metrô e aos recursos de engenharia de trânsito. Semáforos coordenados e rede de avisos eletrônicos em tempo real sobre congestionamentos e rotas alternativas necessitam de apoio técnico e de viabilização financeira. As fábricas deveriam ajudar. Pedágio urbano é ruim, mas talvez fique pior sem ele.

RODA VIVA

FAZ 20 meses seguidos que a indústria aumenta o número de empregados, hoje em 108.000 pessoas. A produção vem crescendo graças às exportações. Em agosto, pela segunda vez rompeu-se a barreira de um bilhão de dólares vendidos em um mês ao exterior, incluindo máquinas agrícolas 16% do total. Exportar US$ 1 bi/mês só em automóveis e veículos comerciais é objetivo para menos de um ano.

CASO a DaimlerChrysler volte mesmo a produzir a pickup Dakota na fábrica de Juiz de Fora, MG, receberia motor diesel brasileiro, possivelmente MWM, já utilizado por S10 e Frontier. O carro médio compacto, ainda em estudo, deve ser uma variação do Dodge Caliber que está sendo apresentado agora no Salão de Frankfurt. É um modelo com o qual a DC conta atender não só a Europa, como países de perfil do Brasil.

SENSAÇÃO de guiar o Mercedes-Benz CLS é diferente do esperado. O criativo cupê de quatro portas e quatro bancos individuais, único no mundo com essas características, surpreende pelo comportamento em curvas de um carro esporte. Teto baixo e área envidraçada menor parecem feitos sob medida para quem aprecia o pleno domínio de um automóvel. Suas linhas equilibradas e muito atraentes chegam a emocionar.

NOVO Jeep Grand Cherokee com o motor V8 Hemi de 350 cv mostrou grande evolução mecânica, graças às suspensões independentes e o tipo de tração nas quatro rodas. Qualidades dinâmicas são incomparavelmente melhores às insossas versões anteriores. Também evoluiu no acabamento e equipamentos. O estilo abusa dos cromados e a traseira poderia estar mais bem resolvida, em consonância com a parte frontal.

GUIA Estradas, da editora Abril, confirma outras pesquisas e aponta mais de 5.200 quilômetros de trechos precários, apenas nos principais eixos rodoviários fcaptionais e estaduais do País. Além de mapas com maior facilidade do consulta, indica valores de pedágios e localização de radares nas principais rodovias. Publica, ainda, a população dos 5.564 municípios brasileiros.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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