Será que um dia vamos humanizar o trânsito?

A indiferença e a raiva dos motoristas cresce com o congestionamento
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Geraldo Simões
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Pode reparar: sempre que se lê notícias sobre estatísticas de acidentes de trânsito eles são separados por veículos. Foram dezenas de milhares de acidentes envolvendo carro, outros tantos de veículos pesados e mais milhares de motocicletas. Mas as pessoas entram apenas como "vítimas", assim mesmo, sem gênero, idade, nível de instrução etc. Pessoas só são cadastradas como pedestres, que é o elemento mais natural do trânsito.

 

Essa alienação do aspecto humano nas estatísticas faz com que subliminarmente o problema do trânsito deixe de ser decorrência de aspectos humanos para ser meramente técnico e mecânico. Guarde essa informação.

 

No começo desta década a ONU - Organização das Nações Unidas - deu conta que não dava mais para aceitar a carnificina que assolou o mundo, sobretudo nos países subdesenvolvidos ou "em desenvolvimento" e decidiu lançar o desafio de reduzir em 50% o número de vítimas fatais de trânsito até o ano 2020. Para isso convocou todas as nações signatárias desse "clube" para investir em campanhas e medidas de prevenção de acidente. O Brasil está incluído nesta lista.

 

Só que estamos em 2014, ou seja, passaram-se quatro anos e o que vimos foram algumas campanhas insossas e inócuas nos meios de comunicação e que já saíram do ar. Que mais? Ah, uma ou outra lei para aumentar a fiscalização, vários lobistas querendo nos empurrar goela abaixo serviços ou produtos que certamente serão cobrados e reverterão em lucros astronômicos para algumas empresas privadas. Tais como simulador, coletes air-bag para motociclistas, obrigatoriedade de freios anti-travamento (ABS) e bolsas infláveis (air-bags) em carros e motos, redução absurda nos limites de velocidade etc.

 

Alguém ouviu falar ou ouviu algo a respeito de melhorar a figura humana do trânsito?

 

Sempre que se inicia a conversa sobre vítimas de trânsito as autoridades constituídas passam por cima da figura humana e partem para os veículos. Todas essas iniciativas visam reduzir as consequências de um acidente, mas o que precisa ser trabalhado e investido é no sentido de se EVITAR o acidente.

 

OK, o freio ABS é muito bem vindo e pode sim evitar acidentes, sobretudo em condições de piso de baixa aderência. Mas isso não impedirá que um(a) motorista fique rodando na faixa da esquerda em uma estrada, deliberadamente impedindo a passagem de quem vem atrás. Guarde essa informação também.

 

Existem dois tipos de motoristas/motociclistas: os que se envolvem em acidentes e os que PROVOCAM acidentes. Os primeiros são fáceis de detectar e eles são os primeiros a descobrir. Mas os segundos nem sequer sabem disso. Pessoas que dirigem como se estivessem sozinhos no mundo, ou que são egoístas demais para dividir o espaço público podem induzir os outros a um acidente sem nem sequer perceber.

 

No caso do motorista "plantado" na faixa da esquerda, existe no CTB uma lei que OBRIGA os veículos a darem passagem para quem sinalizar (com sinal de luz ou buzina) a intenção de ultrapassar, mesmo acima do limite de velocidade! Essa lei não é um habbeas corpus para andar em alta velocidade, nada disso, mas para evitar que o motorista use a faixa da direita para ultrapassar que, isso sim, representa um perigo e pode causar um acidente.

 

Poderia citar o exemplo da sinalização de mudança de faixa, o pisca-pisca. Ele existe para evitar que motoristas e motociclistas sejam pegos de surpresa e se envolvam em acidentes. Não está lá para que ninguém dê satisfação ao mundo sobre seus caminhos, mas para PROTEGER todos os integrantes do trânsito. Quem deixa de usar pode até não se envolver em acidente, mas certamente pode causar um acidente sem nem mesmo perceber.

 

Portanto, temos de um lado um gerenciamento de trânsito que trabalha apenas no sentido de minimizar as consequências de um acidente. E do outro lado um enorme buraco na formação técnica dos motoristas e motociclistas. Essa equação não fecha e sabe o que vai acontecer quando o Brasil estiver prestes a apresentar os resultados perante à ONU? A mesma bagunça e festival de improvisações que estamos vendo com a correria para a Copa do Mundo: o pânico do prazo!

 

Diante do pânico do prazo podem apostar uma Mega Sena como serão criadas leis totalmente absurdas, irreais, anacrônicas e que vão prejudicar mais ainda a mobilidade humana. Guardem essa informação final, porque o maior prejudicado com a falta de planejamento da gestão no trânsito será o menos culpado disso tudo: você e eu!

 

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