Família 207 possui mecânica e estrutura semelhante ao da 206

As mudanças maiores ficam por conta da parte externa e painel; na mecânica, destaque para a transmissão
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Arthur Rossetti
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- Esta avaliação pode ser considerada como especial e inédita, pois pela primeira vez a Peugeot abriu as portas do centro de treinamento no Senai Ipiranga, em São Paulo, onde conseguimos orientação oficial do coordenador de formação técnica comercial da marca, Alberto Meyer.

Lançado mundialmente em 1998, o Peugeot 206 é um sucesso de vendas desde então. Disponível inicialmente com o motor 1.6L 8v a gasolina de 90cv, este propulsor demonstrou robustez e simplicidade. A partir do ano 2000, a montadora firmou parceria com a Renault, para equipar os 206 com o propulsor 1.0L 16v originada do Clio, com 70cv. A versão 1.6L 16v 110cv estreou na mesma época e o 1.0L ficou em linha até a chegada da família 1.4L 8v de 80cv.

Alguns ruídos internos lideravam a lista de reclamação, porém nos últimos anos a montadora apresentou diversas soluções de fábrica para a melhoria, segundo o assessor de imprensa Rodrigo Tramontina.
Em 2008, a Peugeot lançou o 207, sucessor do 206, porém com a alma muito parecida. Vamos descobrir agora os segredos desta nova versão que, em breve, estará na sua oficina.

Mercado

Apesar do design da família 207 lembrar a anterior, as vendas do modelo apontam que o consumidor brasileiro o aprovou, principalmente as mulheres. Somado ao 206 que ainda é comercializado 0km, o veículo é o mais vendido da marca no Brasil, sofrendo desvalorização na média do mercado.

Motor

Atualmente existem duas opções de propulsores: o 1.4L 8v e 1.6L 16v. Ambos estão aptos a rodar com álcool ou gasolina flexíveis. Vale lembrar que na atualização do 206 para o 207, a Peugeot não fez nenhuma alteração no motor.

O 1.4L pertence à categoria TU3JP, de alta resistência e economia. Ele possui camisas do tipo úmidas, permitindo a utilização do bloco durante longos anos.

A ignição dispensa o uso de cabos, já que a bobina integra em uma única peça as quatro chupetas de acoplamento às velas. As vantagens deste sistema é que a potência da centelha é mais uniforme em todos os cilindros devido à diminuição de perdas comparado a um motor que utiliza, além da bobina, os cabos, rotor, distribuidor etc. A desvantagem é que se houver um problema em apenas um dos cilindros, toda a peça deverá ser trocada. O preço de uma bobina destas gira em torno de R$ 280 no mercado independente.

Quanto às velas, são as mesmas utilizadas no 206 flex. As do 1.4L 8v podem ser NGK BKR6ES – resistiva ou as Green BKR6EZ ou BKR6E, todas com abertura de 0,8 ou Bosch Sp 2 FR 7 D+ F 000 KE0 P02, assim como as do 1.6L 16v NGK: Green LFR6B, com abertura de 0,9; ou Bosch: Sp 31 FR 6 ME+ F 000 KE0 P31

A Peugeot informa que existem duas opções de lubrificante homologadas para os motores 1.4L e 1.6L, sendo elas o TOTAL QUARTZ 7000 E TOTAL QUARTZ 9000. A viscosidade do 7000 é a 15W40 indicado para regiões de clima mais quente e o 9000 5W40 para regiões onde a temperatura ambiente atinge os dois extremos. O período de troca é de 12 meses ou 10.000 km, o que ocorrer primeiro. De acordo com as experiências vividas pelos consultores do jornal, a troca deverá ser antecipada caso o veículo rode a maioria do tempo no trânsito dos grandes centros, algo em torno de 6 meses ou 5.000km. Para auxiliar no controle do nível, o painel de instrumentos informa através de luzes a quantidade dentro do cárter. Esta visualização é uma grande aliada na proteção do motor, uma vez que permite ao condutor conferi-la no momento que quiser.

Com gasolina, o propulsor entrega 80cv de potência a 5.250rpm e 82cv quando abastecido com álcool. O torque máximo de 12,85kgfm aparece a 3.250rpm independente do combustível utilizado.

O modelo 1.6L 16v da família N6A é velho conhecido do reparador, porém com a chegada da versão flex, o coletor de admissão foi alterado o 1.4L 8v também, com adição dos orifícios para o acoplamento das mangueiras que injetam a gasolina quando a partida a frio é solicitada veja imagem 1 Coletor antigo a esquerda e o novo a direita, com os orifícios para injeção de gasolina.

O filtro de óleo é do tipo ecológico, ou seja, isento de carcaça metálica. A fornecedora original é a Purflux. O reparo cartucho acompanha o anel o’ring da tampa plástica, para garantir a perfeita vedação.

Devido à menor lubricidade do álcool combustível, as válvulas de admissão e escapamento receberam o processo de sinterização na região de assentamento, assim como nas sedes. A sinterização garante maior dureza e durabilidade nesta região crítica, de contato mecânico intermitente.

Outra melhoria aplicada foi no sistema de escapamento. Antigamente havia um anel metálico localizado abaixo do motor, entre a união do tubo de escape primário e intermediário, que ocasionava rangidos ao sair com o veículo para frente e principalmente em marcha-a-ré. Para eliminar o problema a Peugeot desenvolveu um escapamento sanfonado, que permite o deslocamento, isento da emissão de ruídos veja imagem 2 Tubo de escape sanfonado elimina os rangidos ao sair com o veículo.
O filtro de combustível na versão Flex sofreu mudanças na composição da resina que envolve o papel interno, podendo ser intercambiável nos modelos 206 a gasolina, mas não vice-versa. O formato externo continua o mesmo.

O coxim hidráulico superior do motor tipo pera continua o mesmo, sem modificações no projeto ou reforços. Este item lidera a lista de peças a serem trocadas no ato de uma revisão.

Os bicos injetores dos motores Flex também sofreram melhorias. O novo possui cor externa cinza para facilitar na diferenciação, com maior quantidade de furos 5 e consequentemente, maior capacidade de injeção volume em comparação ao antigo de cor externa laranja. O calculador a Peugeot chama os módulos assim também recebeu mudanças na programação, sendo exclusivos para a versão Flex.

Transmissão

O 207 utiliza as mesmas transmissões do antecessor 206, porém com algumas melhorias, que possibilitaram à caixa mecânica BE de 5 velocidades um comportamento mais preciso e bem escalonado. A principal mudança foi no sistema de acionamento, feito, agora, por cabo ao invés de varão. Com isso, a manutenção fica mais fácil, além de economizar o trambulador, uma vez que os trancos do motor não são mais transmitidos para a alavanca.

De qualquer forma, não é uma caixa de difícil remoção, pelo contrário, o reparador não encontrará dificuldades. Por exemplo, após removê-la pela segunda vez, o serviço pode ser feito de “olhos fechados”.
As empresas Luk, Sachs e Valeo já disponibilizam no mercado de reposição o kit de embreagem para a família 1.4L e 1.6L 16v.

O óleo da caixa mecânica recomendado pela Peugeot é o ESSO ou TOTAL de viscosidade 75W80. O volume aproximado é de 2 litros e para conferir o nível basta completar até houver leve vazamento através do próprio bujão de abastecimento.

Outra transmissão disponível é a automática AL4 somente na versão top de linha XS 1.6L 16v Flex. Neste caso o fluido recomendado é o ESSO PENTOSIN ATF1. No total são 6,7 litros incluindo o conversor de torque. Segundo o manual de manutenção da Peugeot, tanto a caixa mecânica, quanto a automática não necessitam da troca do fluido, apenas conferência de níveis. Preventivamente o reparador poderá substituir caso seja necessário alguma intervenção para manutenção preventiva, como a troca de um retentor lateral, kit de embreagem na mecânica, discos de embreagem na automática etc. A opção de seleção das marchas manualmente também está disponível na AL4 Tiptronic System Porsche.

Dica: Para medir o nível do fluído da caixa automática AL4, o reparador deverá seguir os seguintes procedimentos:
- Aguardar a temperatura do fluido atingir 60°C caso a versão do scanner disponível em sua oficina não consiga conversar com o calculador da caixa, um termômetro a laser poderá ser utilizado. Neste caso a temperatura coletada será a da carcaça, que estará sensivelmente menor em relação ao fluido,
- abrir o bujão de abastecimento*, adicionar 0,5 litro de mesma especificação e em seguida desligar o veículo;
- Remova o bujão de dreno;
- Se gotejar, o reparador deverá efetuar o 1º passo e conferir novamente.

Quando o fluido escorrer através do dreno, o nível estará ok.
*Existem dois bujões na parte superior da caixa que poderão confundir o reparador no momento da adição do fluido. O bujão correto para a adição do fluido hidráulico é o de cabeça quadrada, de diâmetro externo menor, localizado ao centro da carcaça semelhante ao bujão de dreno do cárter do motor. O bujão maior, de cabeça sextavada, localizado no canto, próximo da tampa metálica, NÃO deverá ser removido! Caso o reparador solte-o acidentalmente, o seletor ficará sem suporte/mancal interno. Neste caso a caixa deverá ser aberta para a reparação veja imagem 3 Bujão menor, correto para adição de fluído hidráulico na caixa AL4.

Dica: Para colocar o seletor no ponto localizado na carcaça da caixa AL4, o reparador deverá colocar a alavanca seletora interna em P Parking. Em seguida, com o auxílio de um multímetro selecione o modo continuidade e encoste cada uma das respectivas pontas nos respectivos terminais do seletor da caixa. Agora basta mover o seletor com as mãos até o multímetro apitar. Por último aperte o parafuso torx para mantê-lo no ponto veja imagem 4 Alavanca seletora exige ponto correto.

Dica: Se o fluido apresentar espuma ou o veículo transmitir trancos no momento da condução, o nível poderá estar baixo.

Dica: Para ter certeza do perfeito encaixe do conversor de torque, basta confirmar se os três prisioneiros estão paralelos à caixa seca veja imagem 5 Prisioneiro do conversor de torque deverá estar rente a carcaça no momento da montagem.

SuspensãoO 207 utiliza a mesma suspensão do 206 e, segundo o conselho editorial, ela sempre foi um dos principais pontos fracos do veículo, onde os modelos até 2004 Peugeot 206 apresentavam na parte dianteira os seguintes problemas: folga excessiva nos pivôs, danos rasgos nas borrachas das buchas de bandeja, folgas nos esféricos das bieletas, vazamento dos amortecedores, estalos ao esterçar o veículo e barulho nos batentes superiores, tudo isso muitas vezes dentro do prazo de garantia e com quilometragem abaixo dos 10.000.

Segundo Alberto Meyer, da Peugeot, na época de tropicalização do veículo para as condições do pavimento brasileiro, a mola escolhida possuía altura maior em relação ao modelo Europeu, o que contribuiu para o esforço ângulo excessivo de trabalho das bandejas. Como a altura da mola foi mantida, o problema foi solucionado a partir do projeto apresentado pela fornecedora Lemförder, que redesenhou as buchas e pivôs, entregando um pacote robusto, incluindo o aço forjado quanto à parte metálica. As bieletas também foram reprojetadas pela fabricante. Os amortecedores passaram a ser fornecidos pela Monroe, e desde então os vazamentos precoces se extinguiram. O conjunto robusto ajudou na durabilidade maior dos demais componentes batentes, rolamentos etc..

Nas primeiras unidades vendidas, a suspensão traseira apresentou problemas de rangido. Eles eram provenientes dos rolamentos de agulha, localizados nas extremidades dos braços. O retentor não conseguia reter a entrada de impurezas água, areia, terra etc., o que ocasionava o desgaste prematuro da peça incluindo o eixo. Na maioria dos modelos o quadro traseiro teve de ser trocado por completo, representando alto custo ao proprietário, visto os veículos estarem fora do prazo de garantia.

É comum encontrar alguns 206 rodando com adaptações, como rolamentos robustos cravados em buchas. Algumas oficinas chegaram a ficar “especialistas” na adaptação.

Segundo o assessor de imprensa Rodrigo Tramontina, o problema foi solucionado com o fornecedor do eixo, através de melhorias na durabilidade e resistência do retentor, rolamentos e ponta de eixo.

Dica: Existe mais de um modelo de quadro para a suspensão dianteira, devido às versões Escapade possuírem maior espaço na região da bandeja, a fim de permitir um maior ângulo de trabalho, em detrimento da altura elevada das molas em comparação as demais versões. Quando necessário, o reparador deverá comprar o quadro de suspensão acompanhado da numeração do chassi, para não haver erro.

Freios

Os freios que equipam o 207 são os mesmos do antigo 206, com manutenção simples e boa disponibilidade de peças no mercado independente.

Conforto

O 207 poderá vir de fábrica com um enorme pacote de opcionais tais como: bancos revestidos de couro, air bags frontal e lateral, rodas de liga leve de 15”, freios ABS, ar-condicionado digital, cd player oficial, vidros elétricos nas portas de trás 5P, entre outros itens.

Os bancos dianteiros na versão 3 portas receberam melhorias no sistema de rebatimento, pois as versões mais antigas apresentavam problemas na estrutura interna, impedindo o perfeito funcionamento.

Elétrica e eletrônica

A Peugeot é uma marca que prima pela eletrônica embarcada e faz desta aliada o diferencial em seus veículos. No momento da utilização esta diferenciação é maravilhosa, porém no momento da reparação alguns critérios deverão ser respeitados, caso contrário problemas poderão surgir. É comum ouvir relatos de mecânicos que tiveram experiências negativas devido a desconhecerem os macetes e procedimentos corretos no ato da manutenção. Veja abaixo as dicas que farão a diferença no seu dia-a-dia:

Para desligar a bateria: Em veículos multiplexados o procedimento consiste no abaixamento dos vidros quando elétricos, desligamento de todo e qualquer acessório rádio, luzes etc., desligamento da chave de ignição e no aguardo de 10 minutos no mínimo. Aí sim a bateria poderá ser desligada. Este tempo é necessário para que os calculadores de injeção, conforto, transponder etc., armazenem todos os parâmetros “voláteis” que estão “pairando” entre si. Desconecte o borne positivo.

Para ligar a bateria: Conecte o borne positivo e aguarde 5 minutos no mínimo. Somente após este período o veículo poderá ser posto em funcionamento.Módulo eletrônico inteligente: Atenção, os modelos mais novos da Peugeot são providos de um módulo inteligente, localizado no borne negativo da bateria. Ele funciona como um cérebro, conversando o tempo todo com o calculador sobre as condições da bateria, tais como voltagem, carga, temperatura, consumo etc. Sua função principal é fazer com que a partida seja privilegiada, sempre. Ex: Com o passar do tempo a bateria vai perdendo a capacidade de armazenamento e funcionamento. Antes que ela “arrie” de vez, o módulo identifica esta deficiência e começa a agir, protegendo-a ao enviar ordens ao calculador para desligar um rádio, uma luz auxiliar, enfim, qualquer consumidor a parte que possa vir a comprometer a já citada partida ver imagem 6 Local para conectar as garras do auxiliar de partida no módulo eletrônico inteligente.

Cuidados com o módulo eletrônico inteligente: Ao ligar um auxiliar de partida, as garras deverão ser presas obrigatoriamente no terminal em “L”, em destaque na foto. Isso vale para o borne negativo e positivo, sendo que neste último existe uma lingueta para prender. Este procedimento é necessário para que os elétrons percorram o caminho correto. Caso o reparador conecte a garra do auxiliar de partida diretamente na cabeça do borne, o módulo eletrônico inteligente poderá queimar.

Veredito

A equipe de consultores do jornal Oficina Brasil destacou que com o passar dos anos a família 206, e agora 207, melhorou em comparação às primeiras unidades comercializadas. A suspensão e os barulhos internos eram os maiores geradores de serviço na oficina, seguidos por problemas de borra de óleo no motor, pois os manuais da Peugeot indicavam o período de troca do óleo para 20.000 km ou 2 anos.

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