Renegade a Toro; Q8 a Uros: carros com mesma base
WM1 explica como funciona o compartilhamento de plataformas cada vez mais adotado globalmente por fabricantes de carros
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Usar a mesma base é tendência global
Cada vez mais marcas automotivas se unem para criar veículos de mesma base. Na maioria dos casos são empresas do mesmo grupo automotivo, como é o caso de Fiat e Jeep – do Grupo Stellantis, dono da FCA, de Fiat-Chrysler Automobile, que também é responsável por uma série de marcas como Dodge, RAM, PSA Peugeut Citroën, Alfa Romeo, Opel e várias outras. Fora outros exemplos. Renault-Nissan-Mitsubishi, Grupo Volkswagen (que tem marcas como Porsche, Lamborghini, Seat, Skoda) e GM (Chevrolet, Holden, Pontiac, Cadillac) e tantos outros. Mas muitas vezes algumas dessas plataformas são criadas por uma união pontual, que costumamos chamar de joint-ventures. Ou seja: uma parceria não necessariamente entre marcas do mesmo grupo, mas desenvolvida para o mesmo propósito de gastar menos na produção de carros feitos sobre a mesma plataforma, mesmo que sejam concorrentes. Quer exemplo? Volkswagen e Ford tinham até recentemente planos de produzir as próximas Amarok e Ranger, duas grandes rivais do segmento de picapes, sobre uma mesma arquitetura, montada em conjunto e de gastos compartilhados. Quase como uma segunda Autolatina, ainda que a parceria não devesse ter esse nome. Abaixo, citamos exemplos de carros que usam a mesma plataforma e que você talvez não soubesse. Importante: apesar da mesma construção, o tamanho do carro e a quantidade de equipamentos e tecnologia utilizados podem ser absolutamente diferentes de um para o outro, o que faz com que os preços tenham grande disparidade apesar de terem a mesma base.Audi Q8 e Lamborghini Urus
Acredite, há uma série de SUVs do Grupo VW que usam a mesma plataforma. Audi Q8 e Lamborghini Urus têm valores bem diferentes no Brasil (o primeiro custa cerca de R$ 1 milhão, enquanto o segundo passa dos R$ 3,5 milhões), mas são construídos sobre uma mesma base, a MLB (do alemão Modularer Längsbaukasten, que em tradução significa “Matriz Modular Longitudinal”). Dessa plataforma também saem Audi Q7, Volkswagen Touareg, Porsche Cayenne e Bentley Bentayga, entre outros modelos do Grupo Alemão.
Honda Fit, City, WR-V e HR-V
A quadra de carros da Honda era toda feita sobre a mesma plataforma: Fit, City, WR-V e HR-V eram produzidos lado a lado na linha de montagem. Mas o City recentemente passou a ser construído sobre uma nova base, em sua terceira geração. Note que todos são bem diferentes visualmente, mas extremamente parecidos ao mesmo tempo. Como isso é possível? A resposta é básica: aproveitamento máximo de peças, no interior (repare nos botões e em outras soluções internas) e no “esqueleto” do carro, embora motores e caixas de câmbio não sejam exatamente os mesmos.
Fiat Toro e Jeep Renegade, Compass e Commander
Um dos quartetos de utilitários mais vendidos do mercado é inteiro feito sobre a mesma plataforma. E o grupo FCA, da Stellantis, nunca escondeu isso – ou você vai dizer que nunca achou os painéis destes modelos parecidos, tanto em estrutura como em compartilhamento de peças? Toro, Renegade, Compass e mais recentemente Commander são feitos sobre a mesma base em Goiana (PE), na sede nordestina do grupo.
Volkswagen Polo, Virtus, Nivus, T-Cross e cia
A plataforma MQB da Volks é uma das mais famosas bases modulares do mundo. Nela, somente a distância entre o eixo dianteiro e o volante não muda. De resto, qualquer tamanho pode ser alterado, bem como vários equipamentos podem ser incrementados, o que faz dela uma das arquiteturas mais versáteis que existe. Prova disso é a turma formada por Polo, Virtus, Nivus, T-Cross, Taos, Jetta e Tiguan – carros que têm tamanhos e entre-eixos diferentes – ser feita na mesma linha de montagem. No caso da planta brasileira, conhecida como MQB-A0, ainda estimamos que futuramente a Volks possa desenvolver a picape Tarok, futura rival da Toro.
Nissan March, Versa e Kicks
Todas as marcas seguem essa tendência. No caso da Nissan, por exemplo, o finado March, o Versa e Kicks foram feitos lado a lado e podiam mudar de tamanho e desenho – além de compartilharem várias peças, câmbios e motores. Vale lembrar que muitos desses componentes são divididos também com modelos da Renault, a “maior” marca da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi. Globalmente, a terceira empresa deste grupo citado ainda não tem um carro que compartilhe peças com o de modelos das duas primeiras. Mas apostamos que isso seja questão de tempo até começar a aparecer.
