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A história do Dart/Charger, o Dodge mais querido

Falamos um pouco sobre um dos muscle cars mais icônicos da indústria, que existe até hoje e seguirá vivo por muitos anos

André Deliberato
André Deliberato

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Hoje falamos um pouco sobre a história do Dodge Dart/Charger dos anos 1960/1970, um dos carros mais desejados para quem é fã de muscle cars e que também foi tema da coluna passada, quando noticiamos que o modelo deve passar a ser totalmente elétrico a partir de 2024, o que prova de fato o tamanho de sua versatilidade, já que ele nasceu como compacto, virou médio e depois grande.

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Dodge Dart 1975
Dodge Dart chegou a ser o carro do ano no Brasil em 1971 e fez muito sucesso entre endinheirados do país antes da crise do petróleoCrédito: Divulgação

“Muscle Culture” é a coluna de André Deliberato (@andredeliberato no Twitter e no Instagram) no WM1, portal de notícias da Webmotors, que traz curiosidades, notícias e informações sobre uma das mais tradicionais filosofias de carros norte-americanas dos anos 1960 e 1970, mundialmente conhecida e representada pelos belíssimos muscle cars.

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Muscle Culture
Muscle Culture, coluna do jornalista André Deliberato no WM1, portal de notícias da WebmotorsCrédito: WM1

Dodge Dart/Charger, o mais desejado

Antes de falarmos um pouco sobre a história desse ícone, vamos explicar o por quê deste modelo ser chamado por nomes diferentes no Brasil e nos Estados Unidos – por aqui era conhecido como Dart e sua versão mais forte tinha o sobrenome “Charger R/T”, enquanto lá fora o próprio nome do veículo era Charger. Mas o que explica isso?

Na verdade, como fazem fãs de Porsche 911 – que identificam e classificam as variantes do esportivo pelo código de sua geração, como 991, 992, 993 e 997, por exemplo -, o Dart e o Charger seguem preceito parecido. O Dart foi um carro grande nascido em 1960 que se tornou médio em 1962 e precisou virar compacto em 1963 para concorrer com modelos de menor custo de produção.

Charger, veja só, era o sobrenome de uma de suas versões – a mais esportiva, diga-se – que se tornou “nome” devido ao fato de que os fãs do carro chamavam-na diretamente assim – em uma analogia atual, algo como o que a Renault fez recentemente com a dupla Sandero e Sandero Stepway (hoje chamado só de Stepway).

Isso posto, vamos à história. Em outubro de 1969 a Chrysler resolveu lançá-lo no Brasil, com produção em São Bernardo do Campo (SP), já como linha 1970, para rivalizar com o Opala e outros modelos. Nascia, ali, o carro que até hoje detém o rótulo de ter o maior motor – medido em cilindradas cúbicas – feito no país, um V8 de 5.212 cm³ e 312 polegadas capaz de render 198 cv e 41,5 kgf.m a 2.400 rpm.

Chamado pela fabricante de LA e posteriormente de Magnum, esse motor é, até hoje, o recordista em cilindrada para um propulsor fabricado no Brasil em carros de passeio.

O Dodge Dart nacional vinha também, inicialmente, com câmbio manual de três marchas em que a alavanca era posicionada na coluna de direção – isso permitia colocar um banco inteiriço na frente, para três pessoas, o que totalizava espaço para seis ocupantes, três na frente e outros três atrás.

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Dodge Dart
Dodge Dart chegou a ser o carro do ano no Brasil em 1971 e fez muito sucesso entre endinheirados do país antes da crise do petróleoCrédito: Divulgação

E lá fora?

Nos Estados Unidos, onde havia outro Dart – lá ele era carro de entrada, enquanto o Charger era um modelo mais esportivo e recheado de tecnologias -, a trinca Dart, Charger e até o Challenger fez muito sucesso. No Brasil, o Dart não teve a companhia do Challenger – com exceção, claro, de alguns modelos que vieram por importação independente – e contou com ajuda da versão Charger para ir bem. E foi.

Seus diferenciais eram o quadro de instrumentos com hodômetro total e parcial, relógio elétrico e, veja só, indicador de pressão do óleo, carga da bateria, nível do combustível e temperatura do motor. Material de divulgação da Chrysler da época destacava até a luz do contorno do miolo da ignição, que ficava acesa por 20 s, após abertura da porta, para ajudar o motorista a inserir a chave no escuro.

A primeira linha, que estreou em 1969 como linha 1970, era de sedãs. Depois, no ano do tri da Copa do Mundo, como linha 1971, a marca apresentou a versão cupê de duas portas, que tinha um estilo visual mais arrojado e vinha sem as colunas centrais, substituídas por peças traseiras mais inclinadas.

Foi justamente a carroceria do Dart Coupé que deu origem ao Charger brasileiro, esportivos, que eram chamados de Charger LS e R/T – ou Dodge Dart Charger LS e R/T, seguindo o nome no documento. Para ficar mais fácil, foi exatamente em 1971 que os modelos se “separaram”, o que possibilitou que pudessem nascer Dart e Charger nacionais, embora este segundo, no Brasil, tenha nascido do primeiro.

Nesse ano também o sistema de direção hidráulica e uma caixa de câmbio automática entravam no catálogo dos esportivos como item opcional. O Charger era mais forte: seu V8 conseguia atingir 215 cv.

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Dodge Dart
Dodge Dart foi um carro de extremo sucesso nos Estados Unidos e que vendeu mais de 80 mil unidades no BrasilCrédito: Divulgação

Facelift em 1973

Em 1973 veio o primeiro facelift do Dart, que vendeu muito: segundo dados históricos e da Chrysler, hoje parte do grupo Stellantis, foram mais de 18 mil unidades vendidas naquele ano. Nasciam para a família Dart, também, dois novos nomes de versões, que passaram a ser bastante refinadas: Gran Coupé e Gran Sedan. Neste momento, o Charger já era quase “outro carro” e LS e R/T eram as versões.

Durante toda a década de 1970, o sucesso do modelo foi grande – e isso foi justamente o que fez com que o carro ganhasse fãs e se tornasse um dos Dodge mais desejados e queridos de todo o mundo. Mudanças só foram acontecer no final da década, quando as versões mais caras do carro (Magnum, de duas portas; Le Baron, de quatro portas; e, veja só, Charger!) ganharam reestilizações visuais.

A história do Dart/Charger no Brasil durou até 1981, quando a Chrysler foi comprada pela Volks, que encerrou as atividades da Dodge. Ao todo, durante os 12 anos de fabricação, de 1969 a 1981, foram 93.008 unidades produzidas. Um desses hoje, em perfeito estado de conservação, pode sequer ter valor estimado pelo dono.

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Dodge Dart
Dodge Dart é, hoje em dia, um dos carros mais queridos de encontros de carros antigos que existem pelo BrasilCrédito: Divulgação

Estrela de cinema

No final da década de 1970, ele também foi estrela de TV: uma versão Charger na carroceria de cupê, em tom laranja, foi o carro dos primos Bo e Luke, que o apelidaram de “General Lee”. “Os Gatões” foi o nome da série que fez sucesso na televisão brasileira e depois foi para os cinemas -virou filme em 2005 -, quando o carro voltou a saltar de distâncias absurdas durante fugas da polícia nos roteiros.

Evoluções e um ponto triste. A evolução do Dart General Lee foi o fato de ele ter deixado de lado a bandeira da confederação que tinha no teto durante as gravações da série, que trazia alguns conceitos preconceituosos. A nota triste é a quantidade de carros que foram desperdiçados durante as gravações – segundo os fãs, mais de 200 unidades.

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Dart General Lee
Dart/Charger também foi escolhido para ser o "General Lee", o carro da Série "Os Gatões"Crédito: Reprodução

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Escrito por André Deliberato

Editor-assistente

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