De Carona com a humorista Marcela Leal

Trânsito tira a atriz do sério e inspira piadas em comédia Stand-up
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Adriana Bernardino
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No Fox vermelho da humorista e atriz Marcela Leal há uma caixa de bombons já com poucas opções de sabor. “Não é para mim, é para quem entra no carro. Quer um?” Atrás, uma manta protege o banco de seu carona mais fiel, o cachorro.

No assoalho, pertences do bicho de estimação se misturam a bolsas, roupas, sacolas, chinelos... Há tantas coisas ali quanto às piadas que ela tira da manga quando está só, no palco, frente a frente a uma platéia que tem um único objetivo: rir.

Marcela Leal é uma das criadoras do Clube da Comédia Stand-Up, grupo pioneiro no Brasil a se dedicar exclusivamente ao espetáculo de humor em que apenas um comediante se apresenta de pé, acompanhado apenas pelo microfone. Atualmente, a atriz pode ser vista também na Band News TV, no programa de stand-up comedy chamado "Minuto da Comedia com Marcela Leal".

A motorista liga o GPS, “uma maravilha de equipamento”, ela diz. Não faz idéia de como chegar ao teatro do outro lado da cidade, onde participará de um espetáculo de improviso. “A gente sobe no palco sem saber ao certo o que vai acontecer, sem preparar nada. Um ator diz algo insano, por exemplo, ‘se um boneco de posto falasse, o que ele diria?’ Aí, as idéias vão surgindo e cada um diz o que vem à mente”.

A alma de seu trabalho é o riso. Marcela, no entanto, só desfaz o rosto compenetrado e sério quando encena, na entrevista, uma fala de palco. Então, ela fica misteriosamente engraçada.

“Vire à esquerda a 200 metros”, o GPS participa da conversa, interrompe diálogos “onde a gente parou?”, mas somos obrigadas a dar atenção a ele.

O improviso e o nada

Para que idéias engraçadas venham do nada é preciso mesmo que não haja nada em mente. Tal estado, Marcela consegue com práticas regulares de meditação. “Muita coisa mudou depois de que comecei a meditar, há quatro anos”.

Sem demasiados pensamentos desnecessários, Marcela pode observar o que está em volta; afinal, as anedotas do stand-up nascem de situações do dia-a-dia. Será, então, que buscar humor nas situações mais comuns torna o ator mais feliz, o trânsito mais tolerável, a existência mais alegre, já que é preciso olhar a vida com o filtro do humor?

“Não, de jeito nenhum. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”. A humorista diz que é possível separar bem as coisas, e se lembra da história de uma comediante americana que, durante uma crise de depressão, tentou se suicidar no estacionamento do prédio onde morava. Ligou o carro, fechou os vidros e esperou. Como o espaço era arejado, o suicídio falhou. “Ela contava isso no palco, todo mundo morria de rir”.

A humorista, que se mantém calma diante das barbeiragens, buzinadas e outros motivos de estresse ao que tudo indica, outro benefício da meditação, conta que nem sempre foi assim. “Eu já fui bem ousada e agressiva no trânsito, isso até sofrer um acidente. No dia, tinha de fazer um teste para uma novela. Nem deixei o médico prestar o devido socorro, sai correndo do hospital”.

Chegadas

Parece que estamos perto de achar o teatro. O GPS, porém, se perde e nos pede para rodar infinitamente no mesmo quarteirão.

Marcela, tranquila, pára o carro. Pede informação. Não é que dá sorte de encontrar uma senhora que vai justamente para lá? "Siga aquele Fiesta", o GPS deveria dizer e se render diante do desconhecido, mas ele insite em nos fazer girar. A atriz o silencia.

Em quase uma hora de carona e conversa, trafegamos por pontes e monges, risos e motoristas ariscos, física quântica, fala cênica, verdade suprema... Pode ser até que uma parte termine em cena, profundamente engraçada.

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Clube da Comédia Stand-Up
www.clubedacomedia.com.br


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